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Fuck’in eden

Sonho descobrir um lugar que conheço há muito, muito tempo; Um sítio onde não tenho idade, porque tem piedade o tempo que a cada minuto arranca o fulgor da juventude encarcerada na mente enlevada, não importa o que aconteça, sem que se meça, ou se mande medir, os contornos dos actos e as suas sombras no porvir; Um lugar onde as magnólias estão sempre em flor, onde nunca está frio nem nunca está calor, onde, como um rio que corre para cima como o amor, não há dor nem louvor, somente o clamor da calma que pela alma vai desfiando um fluir soprando uma paz borbulhando; sento-me na relva; Numa clareira no meio da selva, verde refrigério do caminhante errante que se perde e ali se reencontra e lava a sua dor, come laranjas de sua cor, em laranjeiras bordando as franjas em redor, para lá da selva verde; Os gatos fisgam melros, saltam-lhes furtivos após rastejares esquivos, tirando as garras da doçura das patas fofas e eles fogem, não os gatos, os melros coitados, alam com estridor, fo...
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Gosto que me mordas com dentes-de-Leão.

Dormias quieta na rede

Dormias quieta na rede animada tão só pela brisa e eu olhava para ti com a sede dum sonho que de Vénus desliza Via-te tão quieta de pegar tão fácil que se me incendiou a alma não resistindo ao desejo táctil toquei-te com a mão, só a palma Tu bela Helena e eu vibrante Páris perdida tu num sonho do dia-a-dia e eu acordado cruzando os mares procurando-te seguia do alto da vigia Por fim dás ares de revolta incomodada pela tensão recompões a roupa solta fugindo à opressão da mão Dás conta de mim quentinho demoraste para a acordar Então mostraste-me o caminho que os dois quisemos trilhar Finalmente abres teu o rosto trazida a mim pelo desejo abraçando-me tomas-me o gosto num longo e delicado beijo

O Urso de Pelúcia

Ao que parece, um erro de publicação, impediu os ávidos leitores de tomarem contacto com O Urso de Pelúcia. Pois bem, aqui está uma forma de o fazerem. Desta vez sem erros e de fácil leitura. Ler O Urso de Pelúcia

Será que longe estremeces?

Será que longe estremeces Quando penso que te amo Que pensamentos tu teces Quando penso que te amo A meio de um dia qualquer Seja ele um dia feio ou belo Ouvirás meu coração bater Tão forte como um martelo O sol nasce e penso em ti Quando se espelha no mar Lembro-me dos sóis que vi Em teus braços a namorar Sabes no que penso agora Num dedilhar em que deito Frio meu amor cá para fora Cai para o iphone do peito Um telefonema sem razão Ou em mensagem de texto Palavras simples de paixão Sem motivo e sem pretexto Me liga vai não me deixes Aqui a pensar que te amo Pregando amor aos peixes Pensando que me engano Sei que amor não engana Mas sou homem imperfeito E esse teu silêncio é chama A que não quero ser sujeito

Na praia III

Sim, que foi? Nada. Quero só dar-te um beijo. Muitos. Todos os que quiseres. Beijou-a na boca, na face, no pescoço. Embrenhou-se nos cabelos dela. Tomou-lhe as medidas da cinta. Encaixou-a em si. Era a Aurora. Era mesmo ela. Como? Onde esteve? Onde está agora? Onde está a Sofia? Desculpou-se com as horas para dela se distanciar e foi para a cozinha. A sua cozinha. Onde estava a suite do hotel, onde estava o mar, para lá da janela? Estaria a sonhar? Teria sonhado. Mesmo depois de ter beijado a Aurora, ainda sentia o gosto da boca da Sofia nos cantos da sua boca; ainda tinha nos dedos o cheiro dela. Como é possível? Onde está? Sonha; sonhou; sonha que sonhou; sonha que sonha? Não compreendia; era tudo tão real. A praia, a Sofia, a noite juntos. E agora a Aurora, o seu quarto, a sua cozinha… dava em doido. Que fazer agora que Aurora o chama? Já sabe: está a dormir. Se transformar o sonho em pesadelo, acorda. Mas já é um pesadelo. Sim, mas se o pesadelo for mesmo mau, ameaçando a sua vida,...

Na praia II

A lâmina estava gasta e abespinhava-lhe a pele. Raspava, raspava; arrancava mais do que cortava. Só lá para o terceiro corte, vendo o sangue pingar no lavatório, é que percebeu que não tinha que aturar aquilo, que tinha outras lâminas, novas em folha, guardadas na gaveta. Olhava-se ao espelho e via alguém que conhecia de vista. Não sentiu o álcool do aftershave atirado para o rosto senão como a campainha que toca na casa do vizinho de cima. Continuou absorto, distante, estranhamente desconfiado, até a ouvir vestir-se no quarto. Eram apenas sons desconexos, uma gaveta que batia, a porta do guarda fatos que rangia, a cruzeta atirada para a cama que caía em cima das outras, as meias subindo pelas pernas que rugiam suavemente. Meias; no verão? Acelerou-se o coração, esvaneceu-se o sono; limpou a cara, perfumou-se e vestiu a camisa. Camisa; como camisa, se estava de férias? Deu pouca importância à picuinha e dirigiu-se ao quarto. Ao vê-la, estarrecido, chamou-a surpreso: Aurora?