<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833</id><updated>2012-02-24T19:08:00.649Z</updated><category term='Notas Soltas'/><category term='Cartas do Vampiro'/><category term='Lições'/><category term='Manual do Suicida'/><title type='text'>Os Vampiræ</title><subtitle type='html'>A vida pelos olhos de quem não vive.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>75</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-8937250027653605723</id><published>2012-02-22T22:33:00.002Z</published><updated>2012-02-24T19:08:00.657Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lições'/><title type='text'>14. O padeiro</title><content type='html'>&lt;br /&gt;Adiante, um brilho áureo emanava da escuridão. Aproximando-se, pode ver detalhadamente a origem de tal fulgor. O chão que pisava, os riscos que o delimitavam, a mansão que ali se impunha – suas paredes e janelas, telhado e caleiras, muros e gradeamentos, relva e arbustos do jardim – eram feitas de puro ouro. Ouro seria banal, pois era trabalhado em filigrana delicada. E suas reentrâncias recheadas a safiras, rubis, diamantes. Até o rouxinol que, desperto, se preparava para docemente nos despertar, era de ouro e jóias. A corsa aninhada junto ao alecrim de ouro, de ouro era, matizada de platina. O sapo junto ao charco pintalgado de nenúfares feitos de rubis, tinha olhos de esmeralda e língua de opalas. Os ovos no ninho do pisco pertenceram a um tal Nicolau e, ninguém sabe como ali foram parar. Que formidável riqueza vive nesta casa! Que esplendor emana. Que fortuna antiga a deterá? Que génio foi capaz de produzir tamanha acumulação?&lt;br /&gt;Sai ao alpendre um homem, pouco mais que um rapaz, de cara ensonada e algo temerosa, como se temesse ser furtado ou roubado, o que não é a mesma coisa.&lt;br /&gt;—Olá. Que fazes para seres tão rico?&lt;br /&gt;—Sou padeiro.&lt;br /&gt;—Padeiro?&lt;br /&gt;—Sim, padeiro. O maior de todos. O meu pão é alimento diário de milhares de milhões de pessoas. Pode até dizer-se que alimento meio mundo e dou trabalho à outra metade; sem mim, a economia ruiria, seria o fim do pão, seria a fome.&lt;br /&gt;—É meritória a tua empresa. Deves ter muitas padarias.&lt;br /&gt;—Não. Nem uma.&lt;br /&gt;—Então muitas lojas de venda de pão.&lt;br /&gt;—Não. Nem uma.&lt;br /&gt;—Ok. És produtor de cereais. Tens quintas e mais quintas de campos a produzir trigo e centeio e milho.&lt;br /&gt;—Não. Nem uma.&lt;br /&gt;—Então que fazes tu? E como és tão bem sucedido?&lt;br /&gt;—É muito simples: compro a totalidade da produção de pão de cada padaria no dia anterior a ela ser realizada. Isto é, garanto ao produtor que tudo o que ele conseguir produzir, eu vou comprar com um pequeno desconto.&lt;br /&gt;—Só isso?&lt;br /&gt;—Sim, mas não só. Dou instruções ao padeiro para que, no dia seguinte, venda a minha produção ao preço que normalmente o faria, acrescida de uma pequena comissão. Como vês, sou o garante da estabilidade do preço do pão, responsável por milhões de postos de trabalho e combato a fome no mundo de forma mais eficiente do que todas as organizações do mundo combinadas. O meu papel é fundamental e insubstituível.&lt;br /&gt;—Se assim o pões, é porque é verdade. A propósito; toda esta conversa sobre pão, deixou-me com fome. Dás-me um?&lt;br /&gt;—Nunca trago pão comigo. Poderás adquirir os que quiseres numa das minhas padarias, lá mais adiante.&lt;br /&gt;Despedi-me do padeiro interrogando-me de como seria o mundo, no geral, e o negocio do pão, no particular, se ele morresse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-8937250027653605723?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/8937250027653605723/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=8937250027653605723&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8937250027653605723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8937250027653605723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2012/02/14-o-padeiro.html' title='14. O padeiro'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-3624794614686225288</id><published>2011-09-19T22:40:00.001+01:00</published><updated>2012-02-16T11:30:49.264Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lições'/><title type='text'>Lições</title><content type='html'>11. Percorria a estrada com a cabeça de João Batista em cima da minha quando nos salta ao caminho um cão. Um diabo dum cão que nem era grande nem era pequeno e que ria à gargalhada. Não rosnou, ladrou ou ferrou, limitou-se a rir desabridamente enquanto apontava com a pata a cabeça do meu compagnon de route como quem escarnece e diz ser aquilo o mais ridículo que já viu na sua longa vida de seis ou sete anos. Por me deter, espantado com o duplo comportamento do animal, rir-se de nós, e por ser um cão que ri, ele aproveitou e sentou-se logo ao meu lado, desta feita como se sentam os cães e, enquanto amansava o riso, limpava as lágrimas com as patas e abanava negativamente o focinho. Era um cão rafeiro, de pelo baio muito curto, com as patas e a ponta da cauda brancas. Tinha as orelhas quebradas e caídas para a frente e olhos castanhos. O riso expunha lábios negros, assim como o dos leões. Mas sem os calafrios que felinos lábios causam a quem deles se avizinha, pelas razões óbvias, o contorno negro conferia-lhe apenas um ar estranho, como se tivesse comido uma barrigada de amoras muito maduras ou bebido água dos tanques do tintureiro. Por o ouvir rir, achamos que também falaria. Por isso perguntamos porque ria. Sem querer, fizé-mo-lo em simultâneo e com as mesmas palavras, o que fez disparar o raio do bicho em mais uma torrente de risota. Desta vez não aguentou e riu até rebolar na estrada. Quando falou fê-lo para dizer que lhe doía a barriga e o peito. Levantou-se sobre as quatro patas e, arquejante disse a custo que nunca havia visto nada mais estúpido que um homem com a cabeça de outro sobre a sua. Disse-lhe que era João Batista, um santo. Palavras que pronunciei, o cão desatou novamente a rir e quase se rebenta. Por entre gargalhadas diz que é mesmo estúpido, e que se é santo, porque não faz o milagre do corpinho reaparecido. Explico-lhe que siguia pela estrada e ele apareceu e logo nos pusemos a falar sobre a razão de ele, o santo, estar ali e não outro qualquer personagem, como Galois ou Gaudi. Pronto! Mas afinal quem são os caramelos, perguntou. Mais decepados? Disse-me que era mesmo estúpido e, perdido de riso, com o semblante carregado de dor e com falta de ar, que tinha a mania que era o maior da estrada. Já indignado, preparava-me para lhe atirar-lhe um pau à cabeça e seguir caminho, quando João Batista faz o milagre de me suster a mão e depois de esperar que o cão se acalmasse o suficiente para o ouvir, diz-lhe inocentemente: - Em troca de me passear na sua cabeça, ensiná-lo-ei a caminhar sobre os campos de trigo. Solta-se do cão uma gargalhada enorme, acompanhada de grandes quantidades de baba pela boca e ranho pelo nariz. Riu tanto que caiu para o lado, contorcendo-se de dores, o riso deu lugar ao desespero. O corpo, a mando de espasmos violentos, assumia poses assutadoras, nada naturais para um cão, que ainda que capaz de rir e falar, nada mais era que um cão. Deixá-mo-lo lá por sugestão do santo, que a tal não me atrevia. Não que me tivesse apiedado do coitado, mas por querer vê-lo morrer, morrer de riso. Avançados no caminho, deixamos de ouvir o sopro aflito e o esgadanhar das unhas no asfalto. Este não ri mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-3624794614686225288?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/3624794614686225288/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=3624794614686225288&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/3624794614686225288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/3624794614686225288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/09/havera-licoes-reter-da-vida-pode.html' title='Lições'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-8342599872698886886</id><published>2011-09-08T17:23:00.001+01:00</published><updated>2011-09-08T17:23:57.995+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>O que eu gosto de ver o mar</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: monospace;"&gt;O que eu gosto de ficar a ver o mar&lt;br /&gt;Com as ondas a quebrar devagar&lt;br /&gt;Num infinito rodopio de carrossel&lt;br /&gt;Que nos leva o cabelo e arrepia a pele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está muito cheio este ar deste mar&lt;br /&gt;Do ruído das ondas infinitas a cavar&lt;br /&gt;Covas e peelings na areia que aguenta&lt;br /&gt;Com complacência e fugir não tenta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes é Jah que espraia claridade&lt;br /&gt;De norte a sul espalhando felicidade&lt;br /&gt;Outras chega de Asgaard o encanto&lt;br /&gt;Que cobre a praia com cinzento manto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São esses os dias de esplendor tão manso&lt;br /&gt;Onde o moço da cidade sonha seu descanso&lt;br /&gt;Rodeado de prédios velhos e sem história&lt;br /&gt;Aquece-o a praia que guarda na memória&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-8342599872698886886?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/8342599872698886886/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=8342599872698886886&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8342599872698886886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8342599872698886886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/09/o-que-eu-gosto-de-ver-o-mar.html' title='O que eu gosto de ver o mar'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-1742860496239592518</id><published>2011-08-24T16:09:00.003+01:00</published><updated>2011-09-19T22:38:18.631+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –10–</title><content type='html'>A noite permanecia tão escura como misteriosa, o nevoeiro tão denso como uniforme, propiciando o surgir de todo o tipo de receios, medos e alarmes. Mais do que a visão assustadora de uma catástrofe eminente ou a face terrifica de um malfeitor como os que havia deixado para trás ou mesmo o galope temível de um animal, era a ausência de qualquer estímulo sensorial que o deixava, a princípio, incomodado e, pouco depois, e em crescendo, atemorizado. Se nada fizesse, entraria em breve num estado paranóico, condição psíquica contraproducente ao desígnio que o movia. O facto de nada ver, nada ouvir, não sentir sequer o fresco da noite na face ou do nevoeiro nos ombros, afectavam-no pela primeira vez. Sentia-se perdido e desperado e olhava e farejava e palpava em volta por referenciais, pistas, alarmantes que fossem, que lhe tirassem da alma a sensação de estar sozinho no mundo. Mais do que um tremor de terra, um assassino com um machado em riste ou um leão correndo para mim de boca aberta, era o facto de estar pela primeira vez completamente só que me estava a virar o juízo. Cansado de procurar e prestes a ceder ao nada, prestes a incorporar o vazio exterior como sustentação única da minha própria existência e, por via disso, perante a minha última escolha, emana um brilho argentino que capta a minha atenção:- Olá João Baptista.- Olá. Não deve ser difícil saberes quem sou. Hesito porém em arriscar o motivo porque estou aqui, diminuído, nesta estrada; será por ser o anunciador de Jesus Cristo, nosso Senhor, que baptizei nas águas límpidas do Jordão?- Acho que não. Talvez estejas aqui por seres uma vítima da frivolidade ou da indiferença; atalhada a tua vida da mesma forma ligeira que assiste ao urso que assalta a colmeia, as abelhinhas que morrem, espalmadas às suas patas cruéis, perdidas com o mel na sua fauce negra.- Tomas-me por abelha. Sou assim tão insignificante?- Pelo contrário; digo apenas que sendo abelha, o universo é diferente do dos homens e nada é mais importante, para uma abelha, que a sua raínha, as outras abelhas e o mel. Reconhecerá isso o urso ao alimentar-se do mel da colmeia? O bicho poderia sem esforço e sem que por isso o rotulássemos de excepcional, poupar as abelhas durante a recolha do mel, enxotá-las, não as espalmar, retirar destramente as que ficarem presas na boca. Reconhece o urso, apesar de o ser, que são as abelhas que produzem o mel que tanto gosta; porque não sente então que as deveria proteger, se não por respeitar a sua dignidade, mas para assegurar, ainda que egoisticamente, o seu próprio sustento. No entanto o urso nem as vê, é como se não existissem. Sei que és o Messias, o anunciador de Ptahil mas, coloca-te no lugar de Salomé, o seu universo é o dos Herodes, dos palácios sumptuosos e do luxo, tu estás numa masmorra que ela nunca viu, és um nome que ela nunca ouviu pronunciar até que é tua mãe que to pede: "- Filha! Este homem é perverso, prega falsos Deuses, exorta o povo contra os seus soberanos." Que fazes tu? Dançaste, agradas à tua mãe e arrelias um pouco o teu tio.- Percebo porque estou aqui. Mas porque estou eu e não outro? Porque não Evariste Galois ou Gaudi? Estes homens morreram por uma frivolidade do destino, impedindo a conclusão do seu legado à humanidade, quer fosse uma equação do quinto grau, quer fosse uma catedral que ensombraria tudo o que foi feito até então e marcaria o que se faria depois. Percebo porque estou aqui e qual a minha função nesta estrada, só não percebo é porque é que eu fui escolhido para representar o que represento.- Se achas que serei eu a dar-te a resposta é porque achas que a razão para aqui estares deve-se a mim, a uma escolha, ainda que inconsciente, feita por mim.- Não é esta a tua estrada? És tu que a calcorreias, portanto é tua.- Nunca achei que fosse minha.- Mas é. E, como tal, é de tua responsabilidade. O que me leva a perguntar-te novamente: porque estou aqui?Ficaram então, por vontade maior que a sua, os dous muito quedos, guardando-se a espaços, e como se ao tempo falecesse fábrica e os tivesse jogado à mercê da graça divina que, por em tão elevada conta ter um deles, aos dous destacou do sítio onde cuidavam assentar pé um, pescoço outro, abrindo-lhes as portas do firmamento, onde penetraram e ficaram, pasmos a princípio, puros logo depois, no refrigério de escutar os anjos tagarelando no entretém de guiar a máquina do mundo. Tanto ou tãopouco tempo depois, que rasgo não tiveram para contar o tempo corrido, ele, mais ledo e vizinho da estrada, mas ainda com os sons celestiais embalando-lhe os ouvidos, chama:- João Batista?- Sim.- Se eu te colocar em cima da minha cabeça, ensinas-me a caminhar sobre os campos de trigo?- Sim. Sim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-1742860496239592518?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/1742860496239592518/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=1742860496239592518&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1742860496239592518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1742860496239592518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/08/havera-licoes-reter-da-vidapode.html' title='Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –10–'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-1984036936729296852</id><published>2011-08-12T12:53:00.000+01:00</published><updated>2011-08-12T12:54:09.830+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>O Guardador de Porquês</title><content type='html'>Jacinto guardava os porquês que encontrava nas pessoas nos acontecimentos nos dias e nas noites. Dominava a magia de ver para lá do óbvio e do circunstancial apresentando-se-lhe o porquê das coisas de forma tão clara e linear como ao mago é simples agitar lenços e deles fazer surgir brancas pombas que voando espantam a assistência. Como se não fosse suficiente tamanho dom Jacinto era capaz de neles pegar e guardar catalogados num frasco de fino cristal que trazia consigo. Tão fino e delicado era o cristal que tudo deixava passar sem mácula de distorção provocada por espessura ou concavidade irregulares. Tão pequeno era que nele tudo cabia sem que nada se perdesse num canto escuro ou numa gaveta emperrada. Os porquês aí guardados davam a Jacinto um á-vontade e postura únicos entre os homens. Tamanha biblioteca em conjunto com os porquês dos que o rodeavam e os seus próprios porquês desvendados permitiam-lhe ver mais longe e entender o que para outros não passava de extemporaneidade ou sisma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia porém, faltou a Jacinto a sua mão, o ombro em que se apoiava, a seara onde semeou a sua melhor colheita, a usina da vida que fabricou e não conseguiu ver o porquê de tal coisa, voltou-se para si e em si procurou os porquês, verteu o frasco dos porquês de todos os que conhecera por sobre a cama, e todos os porquês de incontáveis vidas espalhados e depois colados à parede de forma ordenada não lhe deram resposta alguma, não encontrou um único porquê; porquê, perguntava-se olhando a parede do quarto onde tinha disposto e categorizado os porquês acumulados, parede negra, carregada que escurecia o quarto e Jacinto, quando um ténue clarão parece querer fazer frente à imensidão da negrura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um magro consolo que capta a atenção de Jacinto, o consolo da Salvação que, sem que saiba porquê, se torna incontornável. Atento, procura no consolo um porquê que sabe de antemão não encontrar. E ao compreender que não há um porquê, o consolo já não é assim tão magro, refulge e conquista a parede do quarto, esbatendo os porquês de muitas vidas e iluminando a de Jacinto. No entanto Jacinto é fraco e ainda sofre por querer saber porquê e o consolo recua um pouco e emagrece. No entanto, apesar de magro, existe e não vai embora nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-1984036936729296852?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/1984036936729296852/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=1984036936729296852&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1984036936729296852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1984036936729296852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/08/o-guardador-de-porques.html' title='O Guardador de Porquês'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-2805511417833113777</id><published>2011-07-21T12:03:00.001+01:00</published><updated>2011-07-21T12:05:21.347+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>O Orbitador</title><content type='html'>A 12 de abril de 1981 o maravilhoso &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Eurico da Fonseca&lt;/span&gt; comentava o início do que seria uma das maiores aventuras e desventuras da história do século XX. Fazia-o com a solidez dum conhecimento adquirido através da perdida arte de estudar afincadamente e consolidado pela experiência e trabalho; a par, uma voz invulgarmente clara e sonante para quem não era profissional da voz e um domínio da língua materna robustecida pela leitura dos clássicos. Um senhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os comentários apocalípticos ficariam a cargo da &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Adelina&lt;/span&gt;, prima solteirona do meu pai e inesgotável fornecedora de já então velhos fascículos d'O Mosquito que, 30 anos volvidos, guardo escrupulosamente numa caixa, permitindo apenas relances a filhos e visitas da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o dia do lançamento do Orbitador, o Space Shuttle Columbia. Estava bom em Cabo Canaveral, tempo limpo e quieto. Em voz de filme, a contagem decrescente foi levada a termo e a pesada máquina libertou-se, pesadamente da Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observei tudo em silêncio reverente e com o coração batendo forte no meu peito. Queira saltar do muro do jardim, por cima das pereiras e aterrar para lá da casa, em Cabo Canaveral e acenar aos astronautas; queria estar no Orbitador com eles, sentir a máquina vibrar como uma carroça velha numa velha estrada de terra batida. Salvaram-me os salgadinhos da Adelina e o sumol, consolo terreno do menino que queria ser astronauta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30 anos depois, termina a 20 de julho de 2011, a saga do Orbitador. Termina não sem percalços, não sem lagrimas nem dor. Completou-se no Kennedy Space Center um passo marcante numa caminhada que nos levará às estrelas e para lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-2805511417833113777?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/2805511417833113777/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=2805511417833113777&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/2805511417833113777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/2805511417833113777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/07/o-orbitador.html' title='O Orbitador'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-8907963615924720086</id><published>2011-06-26T16:45:00.003+01:00</published><updated>2011-07-02T11:06:34.808+01:00</updated><title type='text'>Manual reeditado</title><content type='html'>O Manual do Suicida foi reeditado, em edição aumentada, dois anos após a sua primeira edição.&lt;br /&gt;Pode ser comprado nas livrarias Wook e Bookit. Se não o tiverem em stock, peçam que eles mandam vir mais.&lt;br /&gt;Pode também ser comprado online, em www.ediumeditores.org.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há razão para dizeres que não tens porque não encontraste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-8907963615924720086?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/8907963615924720086/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=8907963615924720086&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8907963615924720086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8907963615924720086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/06/manual-reeditado.html' title='Manual reeditado'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-5844264798298361737</id><published>2011-06-26T16:44:00.001+01:00</published><updated>2011-06-26T16:54:14.993+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>O meu coração vive como flor</title><content type='html'>O meu coração vive como flor&lt;br /&gt;Longe do caldo dos dias iguais&lt;br /&gt;Que me puxam para ao estertor&lt;br /&gt;De repetir cenas tolas e banais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o mundo que vem de encontro&lt;br /&gt;Ao delicado coração agitado&lt;br /&gt;Dá com um pau e faz escombro&lt;br /&gt;O que era ritmo compassado passa a ritmo fibrilhado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perde o seu vigor esta flor&lt;br /&gt;Verga seu caule e esmorece&lt;br /&gt;Pétalas perdem seu rubror&lt;br /&gt;É o coração que estremece&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecem assim ganhar os dias&lt;br /&gt;Em que nada se faz ou se vence&lt;br /&gt;As horas são como do pão fatias&lt;br /&gt;Que enfarta mas não convence&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já me vejo perdido em um dia&lt;br /&gt;Maior que toda a minha vida&lt;br /&gt;Tão longo que fim não lhe via&lt;br /&gt;Tão cinzento que deixa ferida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegam vozes de todo o lado&lt;br /&gt;Dizendo que assim é pouco&lt;br /&gt;E que o que faço está errado&lt;br /&gt;E melhor seria clamar louco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho os olhos e de pé atras&lt;br /&gt;Como se hesitasse por medo&lt;br /&gt;Como se tapasse que é atroz&lt;br /&gt;Como se fugisse ao arvoredo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hesito em começar a ver a vida&lt;br /&gt;Tapando os olhos ao seu furacão&lt;br /&gt;Fujo dela como se fosse bandida&lt;br /&gt;Que me quer roubar o coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo claro está, desdém decerto&lt;br /&gt;Fuga à razão de ver com coração&lt;br /&gt;Pejo dos que lhe estão mais perto&lt;br /&gt;Gosto pelo abismo e pela solidão &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por aí se vão seguindo em rol&lt;br /&gt;As interpretações sempre vãs&lt;br /&gt;Se não é um duro é vago e mole&lt;br /&gt;Se não por nada fazer é dos tristes e inúteis afãs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante tudo isto hesito no passo&lt;br /&gt;Não me apela esta confrontação&lt;br /&gt;Tapo os olhos e faço compasso&lt;br /&gt;Fujo para onde não chegue mão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí me tenho sujeito aos olhares&lt;br /&gt;Daqueles que em mim vêem pouco&lt;br /&gt;Não me importa seus dúbios ares&lt;br /&gt;Nem a profundidade do cabouco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois não é dúvida que faz hesitar&lt;br /&gt;Nem tapando os olhos por recusa&lt;br /&gt;Fuga para o mal bem longe deixar&lt;br /&gt;E no arvoredo entrar se escusa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fecha os olhos e põe o pé atras&lt;br /&gt;É para melhor se apoiar e fixar&lt;br /&gt;Se hesita não é medo que trás&lt;br /&gt;Antes balanço para melhor arrancar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim se prepara e lança seguro&lt;br /&gt;No que será sempre a luta da vida&lt;br /&gt;Ainda que o dia seja sempre escuro&lt;br /&gt;Havendo vontade há uma saída&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois meu o coração vive como flor&lt;br /&gt;Crescendo entre granito e ao vento&lt;br /&gt;E não há chuva nem frio nem dor&lt;br /&gt;A que não responda o meu coração com alento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora falo eu, ora fala o meu coração, no que será o que dois são um e um são dois; um solilóquio, uma alternância de consciências, a que me puxa e a que me empurra; a diferença entre um dia cinzento e uma noite cintilante,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-5844264798298361737?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/5844264798298361737/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=5844264798298361737&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/5844264798298361737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/5844264798298361737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/06/o-meu-coracao-vive-como-flor-longe-do.html' title='O meu coração vive como flor'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-7263029008204444455</id><published>2011-05-16T13:09:00.003+01:00</published><updated>2011-05-19T15:16:03.546+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –9–</title><content type='html'>A dada altura, adiantada a caminhada, o nevoeiro deu mostras de querer levantar. Não se ia embora, apenas se tornava menos denso, o suficiente para o deixar ver as bermas da estrada com maior nitidez. Nelas, acocorados junto a cada postalete reflector, aquilo a que, apenas por seus olhos grandes e encovados reflectirem mais que os postaletes reflectores, tomaríamos como pessoas, pois por estarem tão mirrados e tão cheios de chagas, veríamos como cão sarnento, despejo ilegal, saco d roupa velha atirado de um carro; um homem, uma mulher, uma criança, um velho. Eram só quatro, mas muitos mais lhe pareciam, pois grande era a sua miséria, e tão presente era sua a dor que quis acometer-se do seu pesar, tratar as suas chagas, lavar-lhes a cara e dar-lhes de comer, mas não conseguiu. Antes os viu todos imundos, todos desdentados, todos burros, todos maus. Como surgiram assim, de repente? Um desses vermes nojentos, uma mulher a cheirar mal, desdentada, com peladas no que foi cabelo preto de mulher, com a roupa pendurada pelos ombros, levanta-se e aproxima-se dele. Entra em pânico; sente um surto de adrenalina percorrer-lhe o corpo; o cheiro dá-lhe vómitos, a sua expressão desconfiada e interesseira fá-lo procurar no bolso a arma que não tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que queres de mim? Eu, nada; queres-me tu a mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria; queria o seu corpo fétido, queria o seu cheiro nauseabundo, queria o seu olhar tenebroso. Queria olhar para ela para não ser como ela, queria ter alguém a quem fugir, a quem apontar todos os males e todos os defeitos que encontrava em si e nos como ele, queria que ela voltasse para o postalete e ficasse lá acocorada e que o nevoeiro adensasse novamente para poder voltar à maravilha do seu universo. Rebuscou mais fundo no bolso e sentiu o gosto de sangue na boca. Temeu que a mulher lhe pegasse uma doença; que a criança lhe passasse a estupidez; que o boçal de boné lhe passasse a sua agressividade; que o velho lhe passasse as suas maleitas; que o gatuno lhe passasse o gosto pelo alheio; que a rapariga lhe desse os filhos todos para as mãos; que o drogado lhe passasse o vício; que ficasse burro, que ficasse sujo, que ficasse sem casa e sem emprego, que perdesse a família e os amigos, que ficasse alienado. Não queria olhar para as mamas sujas da prostituta que caminhava ao seu lado, não queira imaginar que, para lá da berma, lhe bateria nas mamas e na cara, que a faria engasgar-se e a deixaria a contar trocos para a próxima dose, entre lágrimas, sangue e hematomas; antevia já o nojo que sentiria dela, só dela, por ter deixado que o tocasse; e ainda assim, entre o pavor de ser confrontado com a horda de vadios, gatunos, doentes, deleixados e preguiçosos, intumescia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança puxava-lhe a ponta da camisola e pedia uma moeda para o São João. Ainda era cedo para isso, vai mas é comprar hamburgers ou gelados; ou então, estoura tudo o que pedincha em porcarias e brinquedos dos chineses. Sacudiu-a com um tabefe. Ainda temeu que o fedelho fosse buscar pedras e lhas atirasse; mas não, a criança recolheu à barra rota da saia da mulher e, mão na cara, recebeu um raspanete e outro tabefe. Suspirou de alívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho tossia, escarrava ruidosamente e fungava tão profundamente, que fazia gargarejos com o ranho para depois o cuspir aos arrancos para um trapo. Soltava, nos segundos que as inspirações ofegantes lhe consentiam, palavras que ele não compreendia, queixas soltas de vidas esquecidas e saúde perdida, fel que crescera da solidão da e loucura, brados embaraçosos saídos da fome e do abandono. Trazia na mão uma receita médica amarrotada e uma foto de quando era novo. Mostrou-lha, e ele estremeceu. Este velho tinha sido um homem, e antes disso uma criança; teve sonhos, lutou por eles; conseguiu alguns, perdeu outros; não reconhecia naquela foto o velho que a segurava, mas antes a si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás de si, um agarrado, gritava-lhe que se aproximasse da linha separadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Siga! Siga! À linha. Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ignorou-o; fez ao contrário do que era gritado para fazer; abrandou a passada propositadamente, de forma repentina; olhava para trás com cara de mau. A isto, o agarrado, também ele nojento, sem dentes e andrajoso, respondia ajeitando o boné que escorregava no cabelo pastoso, ignorando ou desdenhando, por lhe parecerem vãos, os sinais viris que ele lhe enviava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Siga! Siga à linha. Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto intimidava-o mais do que a puta e o jarreta juntos. Tinha no janado uma ameaça real à sua integridade. A mulher era pequena e fraca, incapaz de se opor ao seu ascendente físico; o velho era um espectro, preso à vida apenas pela teimosia dos telhudos que não sabem o que é melhor para eles; o janado, era um homem que, embora aparentasse debilidade física, era ainda novo, podendo ainda ter força dissimulada para se empenhar em luta corpo a corpo; ronha e maldade, ganhas nas ruas, disputando os melhores sítios de estacionamento, conquistando um barraco ou uma galeria de loja para a pernoita ou simplesmene fazendo frente à polícia, podiam muito bem compensar a sua mais do que aparente debilidade física; podia ter alguma seringa infectada no bolso das calças ou do casaco, pronta a usá-la, sem escrúpulo ou moral, contra mim, que nada lhe dei para que me odiasse desta maneira; podia ter uma faca, uma navalha de ponto e mola, no bolso das calças ou enfiada na meia, cheia de ferrugem e bactérias, que puxaria à falsa fé e ma cravaria nos rins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, nada disso aconteceu; tal como tinha rareado, o nevoeiro voltou a cerrar, escondendo as bermas e as criaturas acocoradas nos postaletes. Suspirou novamente de alívio; podia voltar ao universo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-7263029008204444455?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/7263029008204444455/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=7263029008204444455&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7263029008204444455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7263029008204444455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/05/havera-licoes-reter-da-vida-pode.html' title='Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –9–'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-7280485697278403002</id><published>2011-04-19T23:17:00.000+01:00</published><updated>2011-04-19T23:18:48.389+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –8–</title><content type='html'>Conduzia muito concentrado. As duas mãos no volante, olhos presos à estrada em frente. Só a deixavam quando olhava pelo retrovisor, para ver a estrada atrás. Olhava muito pelo retrovisor. O que era de estranhar: Não encontras o que procuras no meio da noite, numa estrada que em não passava um único carro em horas ou dias, sei lá, depois daquilo das onze horas. Quanto tempo terei lá estado? Estiveste lá metido três dias. Pois estive; vejo agora que qualquer um deles tomou nove pequenos almoços e três snacks; usaram a casa de banho várias vezes, mas em três dessas vezes demoraram significativamente mais tempo. Mas não dormiam. Não; alturas havia que pareciam olhar para lá das luzes, como se procurassem a estrada. Mas nunca dormiam. Pensa melhor; se pareciam não dormir é porque andavam adormecidos. Sim; dormiam o tempo todo; nunca acordaram. Uma acordou; que lhe fizeram? Se não sabes, não sei. Pois.&lt;br /&gt;Sais aqui. Continuas a conduzir apesar de tudo. Sim; apesar de tudo, continuo. Obrigado e boa viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao vê-lo arrancar sentiu-se incompleto. Como se tivesse ficado no carro, percorrendo a estrada a um ritmo acelerado. Desta vez não hesitou, numa diagonal larga retomou a marcha aproximando-se a cada passo do traço contínuo do meio da estrada. Optou desta vez fazer aquilo que chamaria mais tarde, uma aproximação tangencial. Assim, a cada passo fazia uma sucessivamente menor inflexão da trajectória no sentido da paralela do traço contínuo da estrada. Sem estar mais longe, há medida que progredia, sentia o meio da estrada cada vez mais fora do seu alcance. Podia numa inflexão ligeira, dar um jeito à esquerda e depois, já a cavalo do traço contínuo, anular a inflexão à esquerda com uma de ângulo igual mas de sentido oposto, ou seja, dá-va um jeitinho pr’à direita. Mas não o podia fazer. Tinha traçado um plano: fazer a aproximação ao traço contínuo que separa a estrada segundo uma tangente (ou lá o que isso é). E haveria de fazê-lo, nem que isso lhe consumisse a eternidade o que se lhe afigurava pouco, pois se naquele bocadinho das onze horas se passaram três dias, quantos milénios não terão decorrido desde que começou a andar? Tentou fazer as contas ao tempo decorrido. Podia cronometrar a passada em função dos traços e depois multiplicar pela soma dos traços que já galgou. Mas não, não dava. Por vezes a linha era contínua e não tinha contado coisa nenhuma desde que começou a andar. Podia medir as sucessivas curvaturas das sombras da Terra projectadas na Lua e calcular assim o número de dias. Mas não, não dava. O nevoeiro mantinha a Lua e, de resto, todo o firmamento, para lá do seu alcance. Sabia de outras ocasiões que a Lua e as estrelas estavam lá no alto, via-as, maravilhava-se com elas. A lua ajudou-o um dia a encontrar uma lente de contacto num berma de estrada. Foi há muito tempo, no tempo das lentes semi-rígidas, aqueles pedaços de vidro que os oftalmologistas nos espetavam nos olhos, dizendo que era o futuro e que os óculos iriam acabar. E as estrelas, tantas vezes as viu e as apontou procurando a Ursa maior. Mas agora não tinha como provar que assim era e, por essa razão, via-se incapaz de calcular o que quer que fosse. Podia somar os tempos dos desvios que fez, porque a esses tinha-os presentes e quantificados – três dias na Ultra Mega Mais, meio dia na estação de serviço e duas horas para alcançar o nicho e regressar de imediato à estrada –, e obter assim um número bastante aproximado do tempo despendido na estrada. Mas não, não podia. Ou melhor, podia, mas não era o que queria. Esse cálculo dir-lhe-ia apenas quanto tempo passou em desvios feitos por esta ou aquela razão. Nada lhe diziam sobre o que necessitava saber: há quanto tempo caminhava e, por acréscimo e simples cálculo, que caminho percorreu. Por se manter fiel à função tangente, o traço contínuo estava agora mesmo ao seu lado. Bastava deixar o pé esquerdo desviar-se um poucochinho para fora e estava calcado – alcançado – o traço contínuo. Havia algo em si que o puxava e chamava o pé, quando este, aéreo, largava da estrada e voava, ultrapassando o direito e indo aterrar mais à frente, completando um passo. O pé até queria ir, virava a biqueira para fora, como que a olhar ou a tactear o ar na direcção do traço contínuo. Ao aterrar porém cedia ao poder discricionário da estranha aliança entre a mente e o resto do corpo, e lá ia ele, contrariado mas obediente, pisar o risco imaginário da tal aproximação tangencial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-7280485697278403002?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/7280485697278403002/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=7280485697278403002&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7280485697278403002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7280485697278403002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/04/havera-licoes-reter-da-vida-pode_9230.html' title='Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –8–'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-223347220270343977</id><published>2011-04-19T23:16:00.000+01:00</published><updated>2011-04-19T23:17:45.721+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –7–</title><content type='html'>Não houve comoção (aquela da agitação ou abalo; não a do pesar ou pena), não vieram carros com pirilampos azuis em seu encalço, nada de cenas de perseguição em que rouba um carro a um pacato cidadão que prefere parar e deixar-se arrancar do assento do condutor a guinar e seguir viagem, nem fugas audazes por condutas de descarga ou simplesmente, deitar a correr a correr até os deixar todos para trás. Imagina que a ausência da polícia em seu encalço se fique devendo à surpresa do homem de fato, homem acostumado a que acatem suas ordens sem reparo ou viés; ao chegar acompanhado da polícia e não o encontrar, talvez tenha ficado petrificado, incapaz de compreender sua atitude. Os tiras, na ausência de prevaricador e de explicação para a razão para a qual foram chamados e, sendo onze horas, terão tomado um rápido café da manhã, com suco e bolinhos, pelo trabalho da deslocação, e feito uma admoestação ao homem de fato antes de regressarem ao giro. Se perguntou também se o poder da polícia ou daquele homem de fato existia fora daquelas onze horas; ou mesmo, se aquele homem de fato existe mesmo (giro, isto do acordo; o que é que eu quero dizer; os senhores da academia que descubram, pois eu, que escrevi isto, fiquei com dúvidas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não houve perseguição mas sentia-se perseguido. Porque fugia ele de uma realidade que não existia fora daquele contexto?&lt;br /&gt;Repassava na sua mente todos os passos e gestos, todas as conversas e expressões faciais que fariam o guião daquele episódio. Seria imediata a razão que levou a que a polícia fosse chamada e que fugisse; bolas acho mesmo que a simples descrição do evento é um processo heurístico. Porém a estrada, a noite e o nevoeiro intimidaram-no pela primeira vez. Levaram-no para longe, para as onze horas, e de lá não saía. Sentia o longo braço da lei, da lei das onze horas, tocar-lhe o ombro e, por muito que o sacudisse, por muito que mudasse de direcção e a tentasse fincar, aquela mão pousava-lhe no ombro, o seu polegar esmagava-lhe a C7, os restantes dedos, com excepção do mínimo que se aperaltava como se de chá falássemos, apertavam-lhe a clavícula. A palma da mão, grande como um prato, assentava com força sobre a omoplata (ou escápula; senhores da academia, se faz favor…) completando o cerco ao seu ombro. Estava sob a alçada da lei, mesmo sabendo que ela nunca chegaria a actuar; não aqui nesta estrada perdida na noite e ele perdido nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De súbito ganhei sombra. Grande, projectada a toda a lonjura da estrada. Podia acabar aqui a narrativa, mas não o fiz, outros tempos; desloquei-me para a berma e comecei a caminhar às acuas de polegar distendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queres boleia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-223347220270343977?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/223347220270343977/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=223347220270343977&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/223347220270343977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/223347220270343977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/04/havera-licoes-reter-da-vida-pode_19.html' title='Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –7–'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-6023228090207828042</id><published>2011-04-15T22:57:00.000+01:00</published><updated>2011-04-15T22:59:33.516+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>Acordei em sonhos perfumados</title><content type='html'>Acordei em sonhos perfumados&lt;br /&gt;Por golpes de amores-perfeitos&lt;br /&gt;Coloridos a lápis de rebuçados&lt;br /&gt;Na cama dos lençóis desfeitos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era céu e era dia que tal era&lt;br /&gt;O frio que fazia pintar a pele&lt;br /&gt;De rebuçado qual estola bera&lt;br /&gt;Restolho de Animal que geme&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não vou fico sempre aqui&lt;br /&gt;Qual estola de bicho rebuçado&lt;br /&gt;Vão-se todos e eu sempre aqui&lt;br /&gt;Tremendo ao ver o dia acabado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escorre pela cama o caramelo&lt;br /&gt;Em rolos grossos de estio vão&lt;br /&gt;Soa na alma a voz do camelo&lt;br /&gt;Vai mas é trabalhar mandrião&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-6023228090207828042?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/6023228090207828042/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=6023228090207828042&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6023228090207828042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6023228090207828042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/04/acordei-em-sonhos-perfumados.html' title='Acordei em sonhos perfumados'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-5349355202489888491</id><published>2011-04-06T10:14:00.000+01:00</published><updated>2011-04-06T10:15:20.682+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –6–</title><content type='html'>Aceitei. Pode até ser noite para lá das luzes criadoras deste ambiente de permanentes onze horas da manhã. Posso continuar a achar que é noite, mesmo estando perante o atarefado local, mas o que se come ao pequeno almoço, seja uma ou duas sandes, acompanhadas de leite, chá ou iogurte, caem bem a qualquer hora do dia. Na verdade, a refeição é a mesma: um pão com manteiga e uma chávena de leite às 8h00 é, claro está, pequeno almoço; um sumo de laranja com um bolito seco lá para as 11h00 é mata-bicho; uma meia de leite e uma torrada às 16h30 é lanche; e uma tosta de queijo com iogurte às 10h00 é, dizem os miúdos, lanchinho da noite; ceia, dirão os adultos. Ora, qualquer uma destas pequenas refeições pode ser tomada como pequeno almoço, carece apenas que se goste e queira, daí que, sendo para eles onze da manhã e para mim sei lá quantas da noite, um pequeno almoço, fosse ele isso ou mata-bicho ou lanchinho da noite ou ceia, me cairia muito bem.&lt;br /&gt;Sirva-se. Tem ovos e salsichas, iogurtes e sumos de fruta, puré de batata e salada russa. Deste lado pode escolher entre bifes e robalos, mas poucos o fazem. Aqui tem pão, bolos secos e tostas. Na outra mesa, fruta fresca, frutos secos e café. Muito café. Olhei a sua cara e reparei então nas imensas olheiras envolvendo uns olhos raiados a vermelho vivo. Vocês passam muito tempo aqui, perguntei. Disse que não, que normalmente iam a casa mas que, ultimamente, têm-se debatido com um fluxo de trabalho anormal, o que os tem impedido sair da Ultra Mega Mais. Então, há quanto tempo dura este fluxo, perguntei. Na verdade, disse-me a colaboradora, não me lembro de qunado foi a última vez que fui a casa. Também não se lembrava da última vez que saiu à estrada. Na verdade, ficou muito perturbada quando se deu conta que não tinha qualquer memória fora daquele espaço, onde são sempre 11 horas da manhã. Ao aperceber-se do quanto a colaboradora ficou incomodada, um outro colaborador aproximou-se e, de forma maquinal mas polida, levou a colega por uma das portas com vidro. Minutos depois, um homem, envergando um fato, aproximou-se e, calmo mas molesto, perguntou-me o que fazia ali. Nada. Passava na estrada e vi a luz. Espere aqui, ordenou; vou chamar a polícia.&lt;br /&gt;Não fiquei. Voltei à estrada de forma apressada, não querendo enfrentar a polícia, desfazer-me em razões que não tenho, em motivações que não sinto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-5349355202489888491?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/5349355202489888491/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=5349355202489888491&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/5349355202489888491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/5349355202489888491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/04/havera-licoes-reter-da-vida-pode.html' title='Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –6–'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-4641943191928143613</id><published>2011-03-31T12:36:00.000+01:00</published><updated>2011-03-31T12:37:03.144+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –5–</title><content type='html'>Não era uma estação de serviço. Era uma sala, sem paredes, que potentes mas invisíveis fontes luminosas recortavam do resto, que era a noite, como tal nada ou tudo, ocupada com secretárias dispostas em forma de ilha, formando grupos de oito postos de trabalho por cada ilha. Estas por seu turno estavam dispostas em quatro colunas que começavam logo na berma da estrada e se prolongavam noite a dentro aparentemente sem fim. Havia num dos lados, por cada quatro filas de ilhas, fazendo as contas, dezasseis ilhas e 128 postos de trabalho, três portas; portas apenas, sem paredes que lhes dessem firmeza ou propósito. Duas seriam casas de banho, separadas de acordo com o género; uma terceira com o nome de alguém gravado no vidro do painel superior. Ao contrário da estação de serviço, aqui havia bulício. Gente matraqueava os teclados dos computadores que dominavam cada secretária; tocavam telefones e pessoas falavam por eles de forma ora elegante e pausada, entremeando o discurso com sorrisos e risadas contidas; outros fixavam a tela, apontavam coisas em blocos, colocavam auscultadores nos ouvidos para se abstraírem; alguns levantavam-se e tomavam o caminho das portas, desaparecendo por trás delas para ressurgirem pouco depois, abando as mãos, num claro indicador que as tinham lavado e, desta forma, mostrar aos demais que, no que toca a higiene, podem contar com eles. Foi uma dessas pessoas, acabada de sair de uma dessas portas que, ao ver-me um tanto deslocado, me cumprimentou formalmente: Bom dia; bem-vindo à Ultra Mega Mais. Mas, é noite, disse eu. Aqui, disse ela, na Ultra Mega Mais, é sempre dia. Como assim, perguntei eu. Aqui, na Ultra Mega Mais, continuou ela, achamos o dia natural constrangedor e a própria noção de altos e baixos, subjacente à sucessão de dias e noites, muito limitadora do nosso objectivo; como tal, prosseguiu, aqui, na Ultra Mega Mais, é sempre manhã; quer tomar o pequeno-almoço connosco?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-4641943191928143613?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/4641943191928143613/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=4641943191928143613&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4641943191928143613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4641943191928143613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/03/havera-licoes-reter-da-vida-pode_31.html' title='Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –5–'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-6960200488919513225</id><published>2011-03-29T12:39:00.000+01:00</published><updated>2011-03-29T12:40:09.711+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –4–</title><content type='html'>De volta à estrada, à noite e ao nevoeiro, calcorreava de novo o separador central. Andando absorto, pensava em como se manar, em como se baldar. Não será a vontade de se manar própria contradição, pois que manar a vontade é verte-la para que se se evapore, se extinga; ou, se não se extinguir, deixa pelo menos de nos pertencer para se tornar fazenda de outrem. E baldar; é preciso querer baldar-se. Baldar-se é uma entre várias opções. Aquele é baldas: porquê? não sabe mais?; não: apenas é sua vontade ser baldas. Percebia, se bem que de forma difusa e por ora incapaz de expor em discurso que o caminho que sentia já ser o seu dever seguir, acarretava, talvez mais do que qualquer outro, ponderada decisão e grande dose do coragem. O que mais do que aparentava ser contraditório com o propósito. Isto é, se o fim era o de abandonar-se, já a decisão de o fazer nada tinha de abandono ou casualidade. De modo que temia não poder seguir o conselho do pequeno homem por duas razões: a primeira porque, ao segui-lo, seria por sua vontade, e a segunda porque poderia optar por não o seguir; o que seria um duplo desvio do conselho do pequeno homem. Havia ainda uma terceira razão que só passados muitos passos e muitas curvas, muitas zonas de ultrapassagem e muitos traços contínuos se acendeu na sua mente. E se não tivesse percebido o conselho. Sim, e se houvesse mais para além de si mesmo? A nominação é a tentativa de perceber o que não se experiência pessoalmente ou o que experimentou e não se consegue expressar correctamente. Quem nomeia afinal e diz que este se manou ou aquele se baldou; diz de si próprio ou do outro? Se diz de si, o problema permanece, pelo que, no interesse da continuidade da explicação, se opta pela segunda: diz do outro. Se diz do outro, é porque não experimentou pessoalmente e, como tal, ainda para benefício de argumento, não expressa correctamente o que esse outro sente ou experiência. Como tal, pode alguém interpretar e logo nominar o comportamento do outro como manando sua vontade ou baldando-se a tudo, se no outro entende que está se desligando das coisas dos homens, das ralações, dos amores e das fortunas, das glórias e dos desvarios quando, na verdade, o outro, o que vive e experimenta, optou por ser como é, podendo até ter tido que ultrapassar espessos desafios, fartas vicissitudes para o conseguir. Percebeu então que o conselho do pequeno homem não lhe era destinado a si mas à percepção que os demais têm dele, e sorriu. Prosseguiu caminhando, nevoeiro adentro, sempre pelo meio, sempre sonhando estar nas bermas. Adiante, um novo clarão. Outra estação de serviço?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-6960200488919513225?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/6960200488919513225/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=6960200488919513225&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6960200488919513225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6960200488919513225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/03/havera-licoes-reter-da-vida-pode_29.html' title='Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –4–'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-8627293362157218800</id><published>2011-03-25T17:04:00.003Z</published><updated>2011-03-29T12:38:57.494+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Haverá lições a reter da vida?  Pode aprender-se com o passado?  Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? -3-</title><content type='html'>A estação de serviço estava deserta. Nem carros, nem camiões a abastecer ou estacionados; apenas um gingle soprava pelos altifalantes colocados no alto das colunas que sustinham a cobertura das bombas desfazia a noção de que se tratava de um posto abandonado. A porta estava aberta, o que é estranho; pois o que seria de esperar seria um funcionário com cara de sono/medo/fastio (riscar o que não interessa) atras de um vidro à prova de bala, interagindo com os clientes por um postigo ou gaveta de vaivém. Não havia clientes, tão pouco bandidos ou ladrões, o que não é a mesma coisa. Na loja, coisas de loja, das que se vendem, das que expõem as que se vendem, máquinas que aquecem ou arrefecem as coisas que se vendem quentes ou frias e, ao balcão, melhor, no balcão, um homem muito pequeno com um fraque velho, cartola e guarda-chuva. Quando digo pequeno, não digo pequenito como um menino, digo aí com um palmo, vinte e cinco centímetros, no máximo.&lt;br /&gt;Tens um telefone? Para que queres tu um telefone? Não sei; perguntei apenas; se o tiveres e estiveres disposto a deixar-me usá-lo, logo verei o que fazer com ele. Não to posso emprestar, ou sequer dizer se tenho ou não telefone, enquanto não souber que serventia lhe darás; imagina que o vais usar para avisar os teus comparsas que estou só e que é seguro vir cá roubar-me. O que tens vale a pena ser roubado? Essa é uma questão que terás de colocar a ti mesmo. Tens razão; para além do que tens à vista, que mais tens? Uma vez mais, se desconheço as tuas intenções, não te posso responder; primeiro porque as desconheço e, como tal, também desconheço as consequências da minha resposta e, segundo, porque não sei se a resposta que daria, fosse ela qual fosse, te seria útil; como não dou respostas inúteis, perante a possibilidade de assim suceder, não respondo.&lt;br /&gt;Ficaram mudos; entrasse alguém e ouviria apenas o ruído do balastro da lâmpada fluorescente. Ficaram quedos; entrasse alguém e veria apenas a oscilação luminosa da lâmpada fluorescente. Mas ninguém entrou e o pequeno homem puxou de um canivete suíço e de uma maçã. Entregou-lha. Foi descascada e cortada em metades; a dele uma metade inteira, a do pequeno homem, em bocadinhos adequados às suas pequenas mãos e à sua pequena boca. Comeram juntos; eram amigos.&lt;br /&gt;Então que tens? Gasolina; tenho gasolina ou gasóleo; queres gasolina ou gasóleo? Não, disso não preciso. Então não tenho nada para ti.&lt;br /&gt;Antes de deixar a loja, o pequeno homem disse-lhe que, na eventualidade de estar demandando, que não o fizesse; quisesse porventura encontrar algo, deveria, fosse esse o caso, manar a vontade, baldar o desejo. A realidade se comprazerá à vontade e aos desejos dos que os não têm vontade ou desejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-8627293362157218800?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/8627293362157218800/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=8627293362157218800&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8627293362157218800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8627293362157218800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/03/havera-licoes-reter-da-vidapode.html' title='Haverá lições a reter da vida?  Pode aprender-se com o passado?  Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? -3-'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-8138363790270094618</id><published>2011-03-21T10:38:00.002Z</published><updated>2011-03-21T10:41:04.322Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –2–</title><content type='html'>——Não te esqueças de começar pelo número 1; se já o leste ou tens preguiça, podes seguir lendo o número 2——&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desviou-se na direcção da nova estrada, andou uns metros até perceber que o clarão que vira da estrada principal se desvanecia a cada passo, perdendo dimensão à medida que ganhava nitidez, para se revelar nada mais que uma luzinha num nicho dedicado a Nossa Senhora. Deixou esmola, que está escuro e nunca se sabe e retrocedeu, tomando, de novo, o caminho da estrada. Na estrada principal, como seria de esperar, seguiu pela berma da esquerda. Estava na berma da esquerda. Não precisou decidir, a decisão apresentou-se-lhe como um facto evidente ou uma dedução lógica imediata, colocando-o numa das bermas sem arbítrio e sem esforço. Imaginava-se tranquilo, deslocando-se por entre a noite e o nevoeiro, livre do jugo da escolha, quando deu conta que não estava descansado, não caminhava em paz e de mente vazia como acharia que poderia fazer. Porque não fez uma escolha? Porque nem sequer contemplou a hipótese de escolher? Danadas as sementes, sobretudo as da dúvida. Ao contrário das sementes de plantas, estas crescem sem água, surgem do nada sem que sequer careça botá-las à terra. A pequena dúvida de porque não fez uma escolha, fê-lo lembrar-se que se poderia ter feito uma  escolha e não o fez, é porque poderia haver uma escolha a fazer. E, quando há uma escolha, pressupõe a existência de alternativa. A outra berma; e se lá houver algo para mim? Uma coisa que necessite. Não necessito de nada, mas lá está, não sei do que posso precisar; e pode estar na outra berma. Consigo ver todas as pedras, papeis, bocadinhos de plástico, restos de acidentes, migalhas de vidros, restolho de pneu, tinta de carro nas amolgadelas dos rails. Não encontrei nada que necessitasse, mas também ainda não necessitei de nada. Se deixo esta berma para me deslocar para a outra, deixarei de ver o que por aqui jaz e que pode fazer jeito. Mas não encontrei nada aqui e, por isso, vou passar para o outro lado, para a outra berma. Sem dar por isso, abandona-se a peugada traçada de forma mecânica da linha da berma e parte-se em busca do outro lado, do que é intangível por estar para lá do nevoeiro. Perdidos os referenciais, os rails e as linhas, envolve-se de medo. Ainda mais que a noite e que o nevoeiro juntos. O caminho sumiu; o grosso percurso, talhado seguindo os traços a tinta branca, sem hesitações, estava perdido; e, se bem que por momentos, era para sempre. O terror e a angustia desgovernaram-no. Estaria a andar para onde queria? Não sabia se queria seguir para parte alguma ou parte incerta, mas seria para lá que se estava a dirigir? Deveria parar; deveria dar meia volta e voltar à berma? Onde estava a berma; terá já dado meia volta, sem saber? Dobrou-se um pouco e tentou iluminar o espaço que o rodeava com a luz do ecrã do telefone. Apenas nevoeiro e asfalto. Quase em desespero, ergueu o olhar e deparou com um novo clarão. Seria mais um halo, uma irregularidade na uniformidade do nevoeiro. Acelerou a marcha. Pela constância da fonte luminosa, percebeu que era grande e estava longe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-8138363790270094618?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/8138363790270094618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=8138363790270094618&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8138363790270094618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8138363790270094618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/03/havera-licoes-reter-da-vida-pode_21.html' title='Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –2–'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-361530558867446772</id><published>2011-03-17T14:28:00.001Z</published><updated>2011-03-17T14:32:09.152Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –1–</title><content type='html'>Dava passos muito largos pela estrada fora. Era noite, estava frio e o nevoeiro espesso envolvia-o de frio e incerteza. Seguia a direito, pelo meio da estrada, incapaz de se decidir por qualquer das bermas. Qual delas a mais acolhedora? Eram bermas largas, sinalizadas por traços brancos, alvos, sinal inequívoco de terem sido pintados recentemente. Tinham a bordejá-las rails com resguardos nos pilares, exigência de quem se desloca de moto e teima em cair ao mínimo excesso de velocidade. Talvez não os que caíram, mas os outros, os que ainda não caíram e temem o dia. Não conseguia decidir-se por que berma a seguir. Se uma era boa, a outra também o era. Se uma era mais curta nas curvas para a esquerda, a outra era mais curta nas curvas para a direita. E parecia-lhe que havia tantas curvas para a esquerda como para a direita. De momento, nenhuma; mas por certo curvas haveria para lá da recta e do nevoeiro. Se numa toda a gravilha foi limpa, igual labor se teve com a outra. Se uma era asfaltada, a outra também o era; e se uma era larga e desempedida, assim também era a outra. De facto, pareciam uma berma só. Não fosse serem claramente duas, separadas por uma estrada, melhor, delimitando a estrada em que caminhava a passos largos, diria haver uma só berma; uma impossibilidade geométrica, um paradoxo. Duas bermas portanto e uma apenas poderia calcorrear naquela noite de nevoeiro. Mais do que a noite, o frio, o medo de percorrer só aquela estrada, incomodava-o não conseguir decidir-se. Se era apenas uma berma, então não haveria dificuldade pois não haveria escolha; mas havia. Dizia a si mesmo que iria pela esquerda, mas os pés teimavam em calcar os traços descontínuos das rectas e os contínuos das curvas, das lombas e das aproximações a cruzamentos. Dizia que ia pela da direita, mas não se achava a deixar a equidistância que mantinha das bermas. Num desses cruzamentos que por causa do nevoeiro, surgem à falsa fé e assustam quem vai, julgou ver luzes na estrada que levava aparentemente a lado nenhum; uma casa, um comércio?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-361530558867446772?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/361530558867446772/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=361530558867446772&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/361530558867446772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/361530558867446772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/03/havera-licoes-reter-da-vida-pode.html' title='Haverá lições a reter da vida? Pode aprender-se com o passado? Quem são os que olham para trás e temperam decisões com memórias? –1–'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-8366643773857356608</id><published>2011-03-04T12:50:00.003Z</published><updated>2011-03-04T12:50:58.719Z</updated><title type='text'>Oups!</title><content type='html'>Tenho andado calado, eu sei. Mas calma. Notícias para breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-8366643773857356608?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/8366643773857356608/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=8366643773857356608&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8366643773857356608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8366643773857356608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/03/oups.html' title='Oups!'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-4169588139965816068</id><published>2011-01-13T12:04:00.004Z</published><updated>2011-01-13T12:17:21.206Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>Um dia</title><content type='html'>Um dia, depois de todas as noites em claro e de todos os dias sem amparo.&lt;br /&gt;Um dia, para lá do choro, do desnorte e do ter que ser forte.&lt;br /&gt;Um dia, passados medos, incertezas, culpas e desculpas.&lt;br /&gt;Um dia, tu vais ver. Vais ouvi-lo dizer: Eu consegui; tive força e não fugi.&lt;br /&gt;Um dia, vais ver como se enfada ao perguntares pela namorada. Como vai lutar por um lugar. E falar, falar.&lt;br /&gt;Um dia vai chegar, em que terás orgulho em mostrar o seu nome num placard. Um dia…&lt;br /&gt;Um dia, olhas e não distingues os dois. Pois um dia, o passarinho de asa ferida será ave atrevida. Voará sozinho ou com alguém, e virá sempre à maminha da mãe.&lt;br /&gt;E a tua vida vivida será vida conseguida, de amor preenchida que nunca se deu por vencida.&lt;br /&gt;Um dia, fecharás os olhos e dormirás realizado, sabendo que o circulo fica fechado.&lt;br /&gt;Um dia, mais cedo que a tristeza te deixe agora ver, feliz tu vais ser. Certeza de quem pouco mais pode fazer do que vos amar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-4169588139965816068?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/4169588139965816068/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=4169588139965816068&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4169588139965816068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4169588139965816068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2011/01/um-dia.html' title='Um dia'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-4214441278749436238</id><published>2010-12-27T22:46:00.001Z</published><updated>2010-12-27T22:46:23.704Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Se as festas fossem boas…</title><content type='html'>Se as festas fossem boas, Saramago veria seu delírio concretizado. Se as festas fossem felizes, não haveria Natal dos hospitais. Se o Natal fosse bom, não haveria jantar de Natal dos sem abrigo. Se o Natal fosse feliz, não haveria campanhas de Natal solidário, onde animais com ar parvalhão nos impingem cachecóis, livros ou CD's. Ainda assim insistimos em desejar a todos um bom Natal, a todos festas felizes, seja amigo ou conhecido, estranho vizinho, empregado de café, parceiro de autocarro. Deseja-se bom Natal entre passas de um cigarro. Tenha um bom Natal, diz para não ficar mal. Para não ser deselegante. Parece sentido mas com a face é dissonante. E se sabe de alguém a quem outro faleceu, pergunta de forma leviana: que Natal será o seu? O dele, do outro, a quem falta agora um pedaço, pois que ele di-lo com os filhos no regaço e a mulher na cozinha, vergada a espinha; enterrada em rabanadas e panelas a fumegar. Despacha-te que o Pai Natal está a chegar. Chega o tipo e é uma fraude, qualquer idiota de três anos o vê, só não sabe porquê. E chora. E encolhe-se. E depois adora e rasga e deita para o lado. Vai para a cama com o último presente que abriu e a mãe joga no lixo aqueles que já partiu. Ele escorre mais um copinho e diz que é hora de gritar baixinho. Ela limpa mais loiça e compõe os arranjos; ele deixa as migalhas na mesa e diz que são para os anjos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois é feriado e tudo está fechado. Não há pão nem café e o cacete é seco e a sala cheira a chulé do queijo que ficou destapado. No reencontro dizem: mais um Natal passado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-4214441278749436238?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/4214441278749436238/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=4214441278749436238&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4214441278749436238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4214441278749436238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/12/se-as-festas-fossem-boas.html' title='Se as festas fossem boas…'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-4712249800625152037</id><published>2010-12-20T20:00:00.000Z</published><updated>2010-12-20T20:01:43.646Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>O som nada melhor que as pessoas</title><content type='html'>O som nada melhor que as pessoas. Por isso, os dias de chuvas ouvem-se melhor. São um caleidoscópio de sonoridades: os pneus dos carros assemelham-se a regatos incessantes; a água que escorre das estruturas está por todo o lado, embalando-nos num embalo lento. O sol não está cá para chatear, e isso é bom. Fosse só por isso, e já valeria um dia de chuva. Aproximo-me do balcão inferior da gare, esperando o comboio que me levará ao colo da mãe. Tantas cores tem este dia cinzento: os autocarros que volteiam as ilhas do terminal são azuis, por acaso são brancos com riscas, mas soam verdes; as gotas que pingam de tudo que fique quieto por mais de cinco segundos, são como fagulhas vermelhas; os pneus dos carros rolando sobre a estrada ensopada são verdes, verdes como um milheiral ao vento. Já a luz dos faróis espelhada no asfalto faz lembrar o doce ondular da meia-praia: chuá... chuá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximo-me da escada rolante. Deixo subir o fumo que me precedia e assomo à plataforma: da maneira que chove e como sopra o vento, vou molhar-me. Mas não. O chão está seco. Obrigado Calatrava! Pouso a mochila e aproximo-me da linha. Estendo a mão às gotas. E elas dão-me hi5's em cascata. Tadinhas, tão luminosas e tão tolas. Seguem a gravidade sem questionar destino ou propósito. Para baixo, sempre para baixo, a cair, a escorregar, impiedosamente conduzidas pelo déspota universal. Descansam onde podem: numa poça, numa frincha de tijoleira, no casaco empapado de um senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apita o comboio, chega à estação. Enche-se o meu coração. Entro apressado, intimidado por quem, atras de mim, também anseia deixar esta cidade, este dia que finda. Tiro os casacos, todos, e, sentado, fixo o olhar num dia que perde a cor. Adeus, Lisboa. Espero voltar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-4712249800625152037?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/4712249800625152037/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=4712249800625152037&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4712249800625152037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4712249800625152037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/12/o-som-nada-melhor-que-as-pessoas.html' title='O som nada melhor que as pessoas'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-307130474663519765</id><published>2010-10-26T15:43:00.001+01:00</published><updated>2010-10-26T15:43:53.028+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>É espinho no flanco</title><content type='html'>É espinho no flanco&lt;br /&gt;Uma bofetada na cara&lt;br /&gt;É noite em branco&lt;br /&gt;Uma dor que não pára&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um pé na poça&lt;br /&gt;Outro espetado na lama&lt;br /&gt;É frio que roça&lt;br /&gt;Tempo a mais na cama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É caca caindo&lt;br /&gt;Caca de cão espalhada&lt;br /&gt;É o ar fugindo&lt;br /&gt;da garganta esganada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ansear o abismo&lt;br /&gt;A vontade de desligar&lt;br /&gt;É acordar num sismo&lt;br /&gt;A vida quase a acabar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É amor que se testa&lt;br /&gt;Subida com inclinação&lt;br /&gt;É o dia que não presta&lt;br /&gt;Dor aperta o coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a noite tão fria&lt;br /&gt;A manhã que não vem&lt;br /&gt;É a alma vazia&lt;br /&gt;A mesa sem ninguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É comer sozinho&lt;br /&gt;Dormir no meio da praça&lt;br /&gt;É o velho caminho&lt;br /&gt;Dizer piada sem graça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É maçã estragada&lt;br /&gt;Peixe que cheira mal&lt;br /&gt;É flor arrancada&lt;br /&gt;Cérebro vegetal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o fugir da vida&lt;br /&gt;Por dedos partidos&lt;br /&gt;É arma escondida&lt;br /&gt;Dando tiros perdidos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É cão que morde&lt;br /&gt;15 minutos de fama&lt;br /&gt;É sol que se esconde&lt;br /&gt;É a lama é a lama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o erro fatal&lt;br /&gt;que sempre se chora&lt;br /&gt;É apodo do mal&lt;br /&gt;Foge de quem adora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…continua&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-307130474663519765?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/307130474663519765/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=307130474663519765&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/307130474663519765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/307130474663519765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/10/e-espinho-no-flanco.html' title='É espinho no flanco'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-4718649136108568103</id><published>2010-10-03T15:07:00.000+01:00</published><updated>2010-10-03T15:08:16.193+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>É no nicho mais pequeno, pouco mais que gota de veneno</title><content type='html'>É no nicho mais pequeno, pouco mais que gota de veneno, que está o António que é santo feito de pau mas não de pau feito, pois diz-se que nem em vida lhe deu dito efeito. Ajoelha-se a penitente em pranto e pede ao santo que lhe dê o pouco que lhe saiba a tanto; basta que ele olhe para ela quando passa, nua, à sua porta e que não lhe ponha cara torta de quem vê e desdenha, que um dia sua vida terá resenha em livro de história, estará presente na memória dos que ali viveram e disseram: ai a Ermelinda, nem santo António lhe valeu, tanto pediu e o amor não lhe aconteceu; a vizinha que é nova no bairro e desconhece a tragédia, troca as voltas e toma-a pela galdéria que lá vivia e fugiu com o marido da interlocutora; os socos servem para calçar e atirar à cabeça, pois seja; já outra se ajoelha e também pede, mas não amor, desse já tem quem lho dê com fartura; esse que amor lhe deu, bebeu e agora paga a factura: está doente e a morrer, tão mal que mais um dia é notícia de jornal que se fecha sem ligar ao que está mal nem ao que, afinal, está bem mas nunca lembra a ninguém. Ajoelha-te tu também, santo, António de nome, santo de profissão, uma prisão de vida de servidão a um amo invisível; ajoelha-te perante este novo amo que não ostenta clarão mas cujos pés nunca tocam o chão que é mais duro no momento em que mais um cigano se ajoelha e tu dizes que é engano que não há milagres para quem vive de vender pano; vai o cigano e fica o burro que te pede para largar os livros e tudo, voltar ao estudo da aveia e da barriga cheia, dos filhos de cara rosada e da mulher emprenhada mas ventilada por o menino estar atravessado e, sentindo-se emparedado, desata aos chutos aos órgãos vitais, periféricos e centrais. A todas as mulheres de soldados, sargentos e oficiais, a todos os ciganos e burros, a todos os gentios e bravios, cabresteiros e banqueiros, tu vais, do teu nicho pequeno, pouco mais que gota de veneno, fazendo o milagre de acreditarem em ti: cura-se o mal mas o remédio não fez tal, foi o santo no pedestal; tem-se a promoção mas não é do trabalho o condão, antes do santo que deu uma mão; tem um homem que a adora mas não foi das mamas quase de fora, nem visitas fora de hora, mas do santo a quem tanto implora; foi a gorda esmola que livrou o menino da cola, foi a velinha a arder que fez os quilos desaparecer. Passas pelos anos mas não os anos por ti, estás tão novo como de quando te vi pela primeira vez incrustado, no nicho altivamente anichado, a pedra debruado, com flores e caracóis por todo o lado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-4718649136108568103?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/4718649136108568103/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=4718649136108568103&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4718649136108568103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4718649136108568103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/10/e-no-nicho-mais-pequeno-pouco-mais-que.html' title='É no nicho mais pequeno, pouco mais que gota de veneno'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-1489455903149354802</id><published>2010-09-28T21:30:00.000+01:00</published><updated>2010-09-28T21:31:01.193+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>A dúvida</title><content type='html'>imagino que os homens temem e destratam as mulheres por nunca saberem se elas querem ser a mãe dos filhos deles ou que eles sejam os pais dos filhos delas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-1489455903149354802?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/1489455903149354802/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=1489455903149354802&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1489455903149354802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1489455903149354802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/09/duvida.html' title='A dúvida'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-4051858597212776008</id><published>2010-09-21T22:27:00.001+01:00</published><updated>2010-09-21T22:38:01.391+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Há uma aranha na minha casa de banho</title><content type='html'>Há uma aranha na minha casa de banho&lt;br /&gt;Escondida entre a torneira e o azulejo&lt;br /&gt;Vive no medo do seu pequeno tamanho&lt;br /&gt;Por isso só no sossego da noite a vejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz uma teia pequena e sua forma é tal&lt;br /&gt;Que qualquer bicho que tolo por ali passe&lt;br /&gt;Percorre descontraído um caminho fatal&lt;br /&gt;Pois não há nada que a aranha não cace&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a casa está escura em sossego e paz&lt;br /&gt;E os meninos dormem felizes e enroscados&lt;br /&gt;A aranha em corrupio pelo rabito traz&lt;br /&gt;O fio que compõe na teia os fios rasgados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traças, moscas e muitos bichos-de-prata&lt;br /&gt;Encontram aqui o triste fim da existência&lt;br /&gt;Mas não condeno a forma como os mata&lt;br /&gt;Pois não há maldade mas só sobrevivência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vive aranhinha entre a torneira e o azulejo&lt;br /&gt;Num canto perdido da minha casa de banho&lt;br /&gt;Esquece o mundo lá fora e renúncia o desejo&lt;br /&gt;De seres a aranha que esquece seu tamanho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma lá aranha que eu nunca te farei mal&lt;br /&gt;Foi apenas um suspiro que foi ter contigo&lt;br /&gt;Sou teu servidor muito dedicado o mais leal&lt;br /&gt;Nada disse a ninguém que fizeste aqui abrigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo-te às vezes tão quieta que temo o pior&lt;br /&gt;Terão as traças e os bichos-de-prata acabado&lt;br /&gt;Estarás tu queda aguardando caça melhor&lt;br /&gt;Ou no selo da vida terá teu prazo expirado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serás carapaça vazia na casa de banho&lt;br /&gt;Memória de um ser que foi abandonado&lt;br /&gt;Filha criada e alijada por um deus tacanho&lt;br /&gt;Que mata bichos sem sentido nem recado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atiro-te outro sopro daqueles bem fortes&lt;br /&gt;Para a teia tremer como pele de tambor&lt;br /&gt;Não é para fazer mal mas só que acordes&lt;br /&gt;Como a um filho se dá palmadinhas d'amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temo que não te movas dando prova defunta&lt;br /&gt;Que és só cadáver esquecido e não chorado&lt;br /&gt;Por mim que já sentia nossa vida conjunta&lt;br /&gt;Em segredo unida por um amor reservado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aranhinha já te vejo pela teia a correr ligeira&lt;br /&gt;E o meu coração ganha um alento tamanho&lt;br /&gt;Que perco o sono todo e velo a noite inteira&lt;br /&gt;Vendo uma aranha escondida na casa de banho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-4051858597212776008?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/4051858597212776008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=4051858597212776008&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4051858597212776008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4051858597212776008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/09/ha-uma-aranha-na-minha-casa-de-banho.html' title='Há uma aranha na minha casa de banho'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-2007246586591345397</id><published>2010-08-02T16:06:00.006+01:00</published><updated>2010-08-03T09:50:43.270+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>A falta de sentido</title><content type='html'>Poderá a escrita valer por si própria? Poderá o texto ter valor meramente estético? Não ser portador de mensagem, não contar uma história? A promoção da saúde é boa para quem toca alaúde. Os fornos Ramalhos nunca deveriam estragar soalhos. E aquele homem que passava muito tempo nas paragens, nunca ninguém o viu entrar ou sair do autocarro. Numa mão segurava um guarda chuva (fizesse sol ou fizesse chuva), na outra, sustinha uma saqueta de plástico, meia enrolada, apertada pela boca. Um rapaz passava sempre pela montra de trás da tabacaria que dava mais compostura à paragem e fazia dela mais do que um cais de embarque e desembarque. Ali se comprava tabaco, senhas do autocarro, chiclas e rebuçados, jornais revistas – também aquelas na montra de tras que o rapaz não se atrevia a comprar –, isqueiros e fósforos, lenços de papel; as revistas de novelas, de mexericos, de carros; a Dragões e os jornais desportivos; vendia brinquedos – não que alguém os comprasse –, carrinhos e bonecas; ah, havia também cromos e cadernetas – Minha senhora dê-me uma cardeneta. – Já te dei duas. Vai à tua vida. Dava a volta e, entre dentes, murmurava – Vaca! E seguia para a escola. Subia a rua, saltava o mais que podia para tocar com a mão no topo de todos os sinais de trânsito que encontrava no caminho. Mais ou menos a meio, havia uma pedra, um quartzo num muro de argamassa e pedaços de granito que desde que começou a segunda classe, andava a tentar soltar. Naquele dia, o último da quarta classe, feito o exame final e já em tempo de descompressão e avisos de como a preparatória pode ser enganadoramente fácil, trouxe um calhau na mão; calhau não, um seixo, um seixo grande, pesado, redondo e polido. Até dava pena esfarela-lo usando-o como martelo. – Não passas de hoje, pedra presa no muro. Primeiramente avaliou o trabalho realizado nos últimos dois anos: abanou a pedra, puxou-a para si e depois empurrou-a de volta ao muro. Bufou várias vezes para o buraco de modo a remover o pó e as areias soltas; depois puxou-a o mais que pode. Levantou o seixo com as duas mãos e deteve-se. Passava uma senhora com olhar reprovador. Deixou-a afastar-se, reclamando com a pose do rapaz ou com ela mesmo, e voltou a levantar o seixo… – Agora é um gajo; não ligou, fixe. Agora é que é: Pedra presa, aí é que não te deixo. Prepara-te para saíres a golpe de seixo. Amandou o seixo com toda a força, mas falhou a pedra. Se calhar seria melhor não largar a pedra e usa-la como um martelo. Não vem ninguém, pensou, por isso cá vai. Uma e mais outra seixolada de cima para baixo e a pedra entalou. Agora ao contrário. – Foda-se! O seixo fugiu e a mão raspou no muro. O rapaz limpou as areias das costas da mão e viu uma data de arranhões, dois eram bem mais do que isso. Cuspiu na mão, esfregou e lambeu o sangue, limpou depois o que pode ao lenço branco que era do pai, guardou-o no bolso e voltou a pegar no seixo. Nem pensou que o sangue seco é danado para sair e que a mãe iria falar com ele sobre esse assunto. Prevenido, bateu com mais juízo do que força que é o que sempre lhe disseram para fazer mas, sem saber como, raramente o aplicava. Alternava pancadas de cima para baixo com pancadas de baixo para cima. A cada dúzia delas, pousava o seixo, lambia o sangue da mão e com a canhota empurrava e puxava a pedra. A cada duas dúzias, limpava o suor da testa e fazia subir os óculos grossos ao longo do nasal.  Estava quase, tal como um dente de leite que se sabe quase solto mas suplanta-nos o medo de que qualquer que seja a força, por mais comedida, seja desmesurada perante tamanha fraqueza, impedindo dessa forma a sua extracção. O seixo estava todo escavacado. Perdera a sua forma redonda e a sua textura polida. Merecia uma medalha. Uma pancada tesa, corajosa, tal como o rodar de um dente de leite, e o seixo partiu e a pedra saiu e a pedra caiu ao chão e a metade do seixo que se soltou do todo foi acertar-lhe na canela. A dor fazia com que grossas lágrimas corressem pela cara de felicidade do rapaz. Os seus olhos brilhavam, não das lágrimas, mas do reflexo do drapeado ondulante do vestido de Nice. Conseguiu, tirou a pedra, está no meio do passeio, livre. Encostou-se ao muro, lambeu a mão uma última vez e levantou a perna da calça: grande papo; vermelho e quente. Nunca se sentiu tão bem; dificilmente voltaria a sentir-se assim. Passa uma senhora e quase tropeça na pedra. Larga os sacos das compras para evitar males maiores. Deita a mão ao muro e solta um ai esganiçado e desafinado. O rapaz fica a ver as batatas e as maçãs rolarem por ali enquanto que a couve e o saco de feijões, mais responsáveis ou cientes que o esforço seria inútil, optaram por não fugir. Esqueceu a dor e correu a ajudar. Apanhou tudo à senhora e ajudou-a a guardar tudo nos sacos. Ao ver a mão cortada, as bochechas magras entrecortadas de lágrimas e o recém formado hematoma na canela, achou que também ele tinha caído na pedra e, muito maternal esqueceu o seu percalço. Deu-lhe uma maça e levou-o à farmácia mais acima para que lhe fizessem um curativo. Antes de ir, pegou na pedra e devolveu-a ao buraco. – Depois da escola, volto e levo-te daqui. A pedra ficou a imaginar como seria a sua vida com o rapaz. Onde ele a colocaria, se a levaria de férias, que estavam a chegar, se a exporia como troféu, prémio por um esforço demorado, se sairia com ele quando casasse, para a casa que haveria de ter. A pedra não fazia ideia que o rapaz partiu a tíbia e não voltaria por ela. Que ela não era nem troféu nem donzela em torreão altaneiro, guardada por um dragão e que só passados muitos anos, já adulto, com o filho pela mão, voltará a ela, a tirará do seu muro com um simples puxão e, passando-a ao filho, dirá: – Foi esta a pedra que soltei com o seixo que me partiu a perna e que tenho na secretária. O filho, segurando a pedra nas duas mãos, pergunta ao pai porque está a pedra molhada se o muro está seco? Ergue os olhos e vê o pai como nunca o viu. Destroçado. Perdido. Consumido pela culpa. Pega na pedra das mãos do filho e chora com ela num abraço que só um português pode dar e só consegue jurar-lhe que não sabia que não sabia. A pedra limpou as lágrimas a ambos, beijou-lhe o filho e seguiu o seu caminho. Foi ter a uma savana e aí esperou a morte. Na boa parte do ano, a pedra não via nada, tapadas as vistas pela erva alta. Apenas após a chegada dos gnus que pastavam a savana à exaustão é que tinha vista sobre a amplidão daquele lugar. Uma acácia aqui e outra ali, zebras que se escondem entre o milhão de gnus, leões que as procuram, hienas que seguem os leões e chacais e abutres que os seguem, debaixo e de cima, e aguardam. Um dia, um rinoceronte cagou-lhe em cima, impedindo-a de ver o que quer que fosse durante o tempo que foi necessário a que dois escaravelhos bosteiros a tivessem limpo de cima a baixo e em todos os entalhes. Ficou nova. Até lá, não tinha mais que confiar à audição as notícias daquele lugar. Ouvia conversas sobre o recorrente atraso das chuvas e qual a precedência dos ruminantes na tosquia da erva. As opiniões variavam, consoante a espécie que as emitia, mas gerou-se um consenso mais ou menos alargado segundo o qual se daria primazia às gazelas que comeriam os topos mais tenros, ou isso ou nada, dado serem bichos frágeis de boca e de estômago; seguiam-se as zebras, os búfalos, os rinocerontes e antílopes graúdos, comendo o que ficava abaixo, digerindo tudo nas diversas panças; por fim, quando a erva já dava mostras de revolta e crescia grossa e dura, viriam os gnus, com os seus dentes da frente, tipo raspadeiras, e aparelhos digestivos capazes de arrancar a ínfima réstia de nutriente à mais lenhosa planta, acabar com a raça da erva até depois da próxima estação das chuvas. Foi esta a conversa que ouviu, sem saber se era mesmo assim ou se haveria uma outra ordem natural ou imposta despoticamente por alguma espécie mais forte. Ouviu então um estalo que ressoou por toda a savana e fez debandar a heterogénea manada e logo um corno de búfalo lhe acertou em cima, limpando-lhe parcialmente a bosta já seca, deixando-a ver o corpo inerte da besta. Cortaram-lhe a cabeça ali mesmo. Ia o serviço a meio quando alguém reclama a estranheza por estar um quartzo naquele lugar. – Queres levá-la? – Não. É só uma pedra. Que ainda assim não deveria aqui estar. Mas estou, pensou a pedra; e isso faz de mim mais do que sou. Embora inerte, pulsa em mim um universo. Ensacada a cabeça do bicho, foi entregue a um taxidermista perverso, o mesmo que confeccionou o ornitorrinco, a equidna e a lula vampiro, que tratou de a embalsamar e preparar para uma viagem que a levaria às longínquas paragens de Portugal. Do alto da parede, sobranceiro ao estúdio, barra sala de fumo, barra chuto, barra antro de conspirações, barra antecâmara do Pleroma, ouviu e viu com olhos de vidro (porque os de búfalo a terra comeu) o que poderia ter sido o nascer de um novo Portugal. O peixe pergunta ao demiurgo: – Serei eu o escolhido? Ao que este responde perguntando: – Que te disse a minha irmã? – Que saberia. – E sabes? – Sim. Não sou o escolhido. Ficaram quietos; o demiurgo sentado, comandando o que julga comandar-se a si próprio; o peixe em pé, hirto, de pernas afastadas, lábio inferior sobressaído e pescoço esticado, como se preparasse para marcar um livre directo a trinta metros da baliza; olha o horizonte do Mundo e os olhos de vidro do búfalo esforçam-se por apanhar o reflexo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-2007246586591345397?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/2007246586591345397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=2007246586591345397&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/2007246586591345397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/2007246586591345397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/08/falta-de-sentido.html' title='A falta de sentido'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-7538024348793618440</id><published>2010-06-19T11:03:00.000+01:00</published><updated>2010-06-20T11:19:54.335+01:00</updated><title type='text'>A razão da escrita</title><content type='html'>Foram as correntes privadas de candelabros que pendiam das abóbadas do convento de Mafra que me fizeram escritor. Não foi a escrita dura sobre gente dura em Levantado do Chão, nem o humor velado, quase inglês, d'O Evangelho Segundo Jesus Cristo e de Caim, nem os amores de Blimunda e Baltazar, nem as almas que recolhiam. O que me fez escritor foi a janela que Saramago abriu em mim e me deixou ver aquelas correntes baloiçando, animadas por mãos criminosas, perdidas no silêncio do Templo, dizendo aos frades estremunhados: "&lt;i&gt;foi por pouco, foi por pouco&lt;/i&gt;".&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sem desrespeito pelos que sentem a perda do marido, do pai, do amigo, eu que não o conhecia senão pelo seu legado, não sinto pena nem dó. Rejubilo por saber que se extinguiu um homem que não viveu em vão. Este homem marcou, faz diferença no mundo; faz rir, faz chorar, despertou consciências, paixões e ódios; por ele e contra ele se lutou e luta. A morte é irrelevante à sua vida. Saramago vive.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-7538024348793618440?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/7538024348793618440/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=7538024348793618440&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7538024348793618440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7538024348793618440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/06/razao-da-escrita.html' title='A razão da escrita'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-5639941587429239161</id><published>2010-06-06T21:49:00.003+01:00</published><updated>2010-06-06T21:54:37.882+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>Coisas há que a escola nunca ensinará</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Lucida Grande'; font-size: medium; line-height: 15px; "&gt;Nem deve.&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'Lucida Grande', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium; line-height: 15px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Lucida Grande'; font-size: medium; line-height: 15px; "&gt;Contava-me um amigo que quando um caçador incapacita uma presa e um segundo caçador a mata, este entrega a presa ao que primeiro disparou, recebendo dele um cartucho. Este acto de cortesia um de muitos do código de conduta da caça, não poderá nunca ser ensinado na escola. Em primeiro lugar, por razoes óbvias. Embora para alguns fosse motivo de gáudio, o manejo e emprego de armas de fogo em recinto escolar, tal medida faria torcer o nariz, o bigode e demais pêlos, a muitos pais e educadores. Em segundo lugar, porque estas coisas são para passar de pai para filho, de avô para neto. São aprendizagens pelo exemplo, em que palavra alguma é trocada, explicação alguma é fornecida, onde a razão do costume é cabalmente explicada pelo bom senso, pela educação e pelo respeito pelos outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'Lucida Grande', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium; line-height: 15px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Lucida Grande'; font-size: medium; line-height: 15px; "&gt;Desprezo a caça desportiva, mas vejo neste e noutros preceitos que a cultura de contratualização de serviços esqueceu, importantes alertas: entregar à escola a educação dos nossos filhos é, ao não lhes transmitir que há regras e que apenas se consegue respeito respeitando, é, dizia, comprometer seriamente o seu futuro das nossas crianças. É deixa-las crescer num mundo de competição e direitos, vendo-os depois, qual pinheiros agrupados, crescerem rapidamente, muito finos e quebradiços. Tão rápido chegam lá a cima como quebram à menor ventania.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-5639941587429239161?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/5639941587429239161/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=5639941587429239161&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/5639941587429239161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/5639941587429239161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/06/coisas-ha-que-escola-nunca-ensinara.html' title='Coisas há que a escola nunca ensinará'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-176450693300909845</id><published>2010-05-24T14:53:00.003+01:00</published><updated>2010-05-24T16:16:54.495+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Manual do Suicida'/><title type='text'>Apresentação do livro "Manual do Suicida"</title><content type='html'>Vou estar no Sábado, 29 de Maio às 17h00, no Museu do Douro – Peso da Régua, para apresentar (e autografar) o "&lt;b&gt;Manual do Suicida&lt;/b&gt;".&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Apresentação integrada no &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;III Encontro "Sementes de Leitura e Artes"&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma promoção da Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti. Co-promoção do Museu do Douro – Peso da Régua.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Conto com a tua presença.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;Mais informações em: &lt;/i&gt;&lt;a href="http://www.esepf.pt/"&gt;&lt;i&gt;www.esepf.pt&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-176450693300909845?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/176450693300909845/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=176450693300909845&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/176450693300909845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/176450693300909845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/05/apresentacao-do-livro-manual-do-suicida.html' title='Apresentação do livro &quot;Manual do Suicida&quot;'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-1088986105589258233</id><published>2010-05-04T13:12:00.002+01:00</published><updated>2010-05-04T13:16:03.033+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>Nada é mais triste que um céu azul</title><content type='html'>Nada é mais triste que um céu azul&lt;br /&gt;Azul de ponta a ponta sem mácula&lt;br /&gt;Que se lhe aponte só e sempre azul&lt;br /&gt;Nem mesmo o sol que é um crápula&lt;br /&gt;Egoísta que brilha tanto que ofusca&lt;br /&gt;Tira tanto quanto dá e não se deixa&lt;br /&gt;Amar nem tocar por quem o busca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito enfadonho o dia bom porque&lt;br /&gt;Ausentes mistérios para eu desvendar&lt;br /&gt;É igual de ponta a ponta sem destaque&lt;br /&gt;Sem nuvens nem sombras para amar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venham então as nuvens das cerradas&lt;br /&gt;Às de algodão em rama em camadas&lt;br /&gt;Brancas cinzentas pretas ou douradas&lt;br /&gt;De manhã ou pelo fim do dia reveladas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espraiem-se as sombras pelas paredes&lt;br /&gt;Estiquem-se em refrescantes verdes&lt;br /&gt;Fazendo o fresco milagre de nos dar&lt;br /&gt;Um sítio ameno para do sol escapar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia feliz o dia em o sol não é o juiz&lt;br /&gt;Vida contente se se esconde da gente&lt;br /&gt;As nuvens desfiadas fazem-me feliz&lt;br /&gt;Num tempo sem horas de presente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fios de luz bordados em cima do mar&lt;br /&gt;Perto de mim e impossíveis de alcançar&lt;br /&gt;Elevam-me para lá das nuvens nos céus&lt;br /&gt;Coladinho ao que quer que queira deus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morre o sol por hoje e ficam as nuvens&lt;br /&gt;Pairando por ali sem nada que fazer&lt;br /&gt;E então perguntam ao sol &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Que tens&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Fraco solta &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Morro para continuar a viver&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-1088986105589258233?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/1088986105589258233/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=1088986105589258233&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1088986105589258233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1088986105589258233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/05/nada-e-mais-triste-que-um-ceu-azul.html' title='Nada é mais triste que um céu azul'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-4551341093279294870</id><published>2010-04-25T16:49:00.000+01:00</published><updated>2010-04-25T16:50:16.948+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Fuck’in eden</title><content type='html'>Sonho descobrir um lugar que conheço há muito, muito tempo; um sítio onde não tenho idade, porque tem piedade o tempo que a cada minuto arranca o fulgor da juventude encarcerada na mente enlevada, não importa o que aconteça, sem que se meça, ou se mande medir, os contornos dos actos e as suas sombras no porvir; um lugar onde as magnólias estão sempre em flor, onde nunca está frio nem nunca está calor, onde, como um rio que corre para cima como o amor, não há dor nem louvor, somente o clamor da calma que pela alma vai desfiando um fluir soprando uma paz borbulhando; sento-me na relva; numa clareira no meio da selva, verde refrigério do caminhante errante que se perde e ali se reencontra e lava a sua dor, come laranjas de sua cor, em laranjeiras bordando as franjas em redor, para lá da selva verde; os gatos fisgam melros, saltam-lhes furtivos após rastejares esquivos, tirando as garras da doçura das patas fofas e eles fogem, não os gatos, os melros coitados, alam com estridor, fogem ao estupor que é tigre diminuto, bicho astuto; volta o gato a ser o que achamos que é, um meigo bruto que não entende puto do que digo mas chamo-o à parte e ele vem, ronronando amuado ora rosnando ora namorando, será o estômago? estará zangado? Estás triste? tens fome? perdes-te o melro, toma este, come; o sol é manso recortado pela silhueta de um ganso, ou dois ou três, ou pelos milhões que deus fez; o mar, se o houvesse ao fundo deste lugar, estaria no ar a pairar e dançaria com o sol uma dança em caracol e fustigaria as pedras da praia e nelas, pasmado, desmaiaria em sons de encantos longínquos que se perdem a meio caminho dos ouvidos e dos quais, sem mais, recebemos apenas murmúrios lamentosos, vem cá… estou aqui…; o vento temperaria o ar com sal do mar, mar pelo ar, e o mar a beijar, bater-nos-ia na cara desalinhando o teu cabelo, que o meu nem pêlo, sopra, sussurrando nos dedos dos pés, assobiando, dando calafrios nas pernas e suspirando plumas aos ouvidos; partem os gansos e o sol aparece coruscante, tão gentilmente rebrilha que apenas nos aquece e nos dá cor às bochechas; está tanto calor… talvez seja do sol, ou talvez de mim, sonhando um amor sem princípio nem fim, como se nunca houvesse nascido, amor sem umbigo; deitado a teu lado sou fornalha borbulhenta, fogo que o teu fogo tenta, alongo-me na tua pele, mergulho no teu olhar, prendo-me nos teus cabelos, rebolo na tua barriga, adormeço no teu seio e refreio e paro e faço-me mortiço, não estamos aqui para isso; com uma mão colhemos margaridas por entre nossos corpos nascidas por entre as nossa vidas vividas como uma só e sem pó e sem dó e sem mágoa, verdade como água, com a outra afagamos as sedosas barrigas de corsos nascidos de grutas iluminadas por vaga-lumes arco-íris que levantam voo e partem em direcção às nuvens, a meio caminho entre o céu e o universo vizinho; têm cabelos encaracolados, as nuvens, de um lado curtos e de outro repuxados pela ventania fugidia que faz tremer a estrela luzidia do mais fundo do céu; há-as brancas, algodão na boca, mãos e roupa dum catraio, há-as cinzentas pardacentas, mescladas de tons e texturas, de várias fofuras, não se sabe o que são, qual a cor do seu coração, há-as negras, lisas sem pregas, lembrando que ainda há refregas a travar que não se farão esperar a quem esquecer o sabor de amar, há-as das cores do arco-íris, amarelas rosas azuis, pequenas como pardelas, grandes como bois, todas belas e depois misturam-se e fazem outras nuvens, dão parte de si e nisso se engrandecem aparecem de um lado ao outro, tapam tudo e tudo deixam ver, cumprimentam-nos do alto e nós, a vê-las crescer como cresce em nós o desejo de ser nuvem e dar o que melhor somos, trocarmos a nossa paleta genética e deitámos criar, pôr cá fora quem nos fará imortais, seres diferentes dos demais, amados amadores, amantes amores, escudados de terrores, lançados às feras, que as há e beras, com a certeza que serão belos e justos e terão um lugar onde poisar e amar e fixar a sua cor; volto à relva e a ti e mordo-te com dentes-de-leão e chamo-te á razão de te amar como quem sonha voar e cair sob o peso de desejar que comigo te deitas neste lugar que sonho descobrir ficar;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-4551341093279294870?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/4551341093279294870/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=4551341093279294870&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4551341093279294870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4551341093279294870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/04/fuckin-eden.html' title='Fuck’in eden'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-4674965623429354213</id><published>2010-04-16T00:12:00.002+01:00</published><updated>2010-04-16T00:17:02.187+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_panlI9IzDlo/S8eeNJ9KDhI/AAAAAAAABtU/nLTO7Ij30G4/s1600/1233526_25082514.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px 0px 10px; text-align:left;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_panlI9IzDlo/S8eeNJ9KDhI/AAAAAAAABtU/nLTO7Ij30G4/s400/1233526_25082514.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5460507022057934354" /&gt;&lt;/a&gt;Gosto que me mordas com dentes-de-Leão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-4674965623429354213?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/4674965623429354213/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=4674965623429354213&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4674965623429354213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4674965623429354213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/04/gosto-que-me-mordas-com-dentes-de-leao.html' title=''/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_panlI9IzDlo/S8eeNJ9KDhI/AAAAAAAABtU/nLTO7Ij30G4/s72-c/1233526_25082514.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-1698145128048692945</id><published>2010-02-12T10:30:00.003Z</published><updated>2010-02-15T12:23:06.061Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>Dormias quieta na rede</title><content type='html'>Dormias quieta na rede&lt;br /&gt;animada tão só pela brisa&lt;br /&gt;e eu olhava para ti com a sede&lt;br /&gt;dum sonho que de Vénus desliza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Via-te tão quieta de pegar tão fácil&lt;br /&gt;que se me incendiou a alma&lt;br /&gt;não resistindo ao desejo táctil&lt;br /&gt;toquei-te com a mão, só a palma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu bela Helena e eu vibrante Páris&lt;br /&gt;perdida tu num sonho do dia-a-dia&lt;br /&gt;e eu acordado cruzando os mares&lt;br /&gt;procurando-te seguia do alto da vigia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim dás ares de revolta&lt;br /&gt;incomodada pela tensão&lt;br /&gt;recompões a roupa solta&lt;br /&gt;fugindo à opressão da mão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dás conta de mim quentinho&lt;br /&gt;demoraste para a acordar&lt;br /&gt;Então mostraste-me o caminho&lt;br /&gt;que os dois quisemos trilhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente abres teu o rosto&lt;br /&gt;trazida a mim pelo desejo&lt;br /&gt;abraçando-me tomas-me o gosto&lt;br /&gt;num longo e delicado beijo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-1698145128048692945?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/1698145128048692945/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=1698145128048692945&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1698145128048692945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1698145128048692945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/02/dormias-quieta-na-rede.html' title='Dormias quieta na rede'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-876312201867515315</id><published>2010-02-11T10:11:00.003Z</published><updated>2010-02-11T10:39:49.894Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>O Urso de Pelúcia</title><content type='html'>Ao que parece, um erro de publicação, impediu os ávidos leitores de tomarem contacto com O Urso de Pelúcia. Pois bem, aqui está uma forma de o fazerem. Desta vez sem erros e de fácil leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    &lt;object id="00019103954d5453f8187" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" width="240" height="147"&gt;&lt;br /&gt;      &lt;param name="movie" value="http://v.calameo.com/2.0/cmini.swf?bkcode=00019103954d5453f8187&amp;amp;langid=en&amp;amp;clickTo=public&amp;amp;clickTarget=_blank&amp;amp;autoFlip=0&amp;amp;showArrows=1&amp;amp;page=1"&gt;&lt;param name="scale" value="noscale" /&gt;&lt;param name="loop" value="false" /&gt;&lt;param name="salign" value="t" /&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always" /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent" /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;embed src="http://v.calameo.com/2.0/cmini.swf" type="application/x-shockwave-flash" scale="noscale" allowScriptAccess="always" loop="false" salign="t" wmode="transparent" style="width:240px; height:147px" flashvars="bkcode=00019103954d5453f8187&amp;amp;langid=en&amp;amp;clickTo=public&amp;amp;clickTarget=_blank&amp;amp;autoFlip=0&amp;amp;showArrows=1&amp;amp;page=1"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;    &lt;/object&gt;&lt;br /&gt;  &lt;a href="http://pt.calameo.com/read/00019103954d5453f8187" target="_blank"&gt;Ler O Urso de Pel&amp;uacute;cia&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-876312201867515315?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://pt.calameo.com/read/00019103954d5453f8187' title='O Urso de Pelúcia'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/876312201867515315/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=876312201867515315&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/876312201867515315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/876312201867515315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2010/02/o-urso-de-pelucia.html' title='O Urso de Pelúcia'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-4869205200597657605</id><published>2009-12-23T14:19:00.002Z</published><updated>2009-12-23T14:41:42.390Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Será que longe estremeces?</title><content type='html'>Será que longe estremeces&lt;br /&gt;Quando penso que te amo&lt;br /&gt;Que pensamentos tu teces&lt;br /&gt;Quando penso que te amo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meio de um dia qualquer&lt;br /&gt;Seja ele um dia feio ou belo&lt;br /&gt;Ouvirás meu coração bater&lt;br /&gt;Tão forte como um martelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol nasce e penso em ti&lt;br /&gt;Quando se espelha no mar&lt;br /&gt;Lembro-me dos sóis que vi&lt;br /&gt;Em teus braços a namorar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes no que penso agora&lt;br /&gt;Num dedilhar em que deito&lt;br /&gt;Frio meu amor cá para fora&lt;br /&gt;Cai para o iphone do peito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um telefonema sem razão&lt;br /&gt;Ou em mensagem de texto&lt;br /&gt;Palavras simples de paixão&lt;br /&gt;Sem motivo e sem pretexto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me liga vai não me deixes&lt;br /&gt;Aqui a pensar que te amo&lt;br /&gt;Pregando amor aos peixes&lt;br /&gt;Pensando que me engano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que amor não engana&lt;br /&gt;Mas sou homem imperfeito&lt;br /&gt;E esse teu silêncio é chama&lt;br /&gt;A que não quero ser sujeito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-4869205200597657605?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/4869205200597657605/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=4869205200597657605&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4869205200597657605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4869205200597657605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/12/sera-que-longe-estremeces.html' title='Será que longe estremeces?'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-4801774243036417603</id><published>2009-12-18T16:22:00.002Z</published><updated>2009-12-18T16:27:25.679Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>Na praia III</title><content type='html'>Sim, que foi? Nada. Quero só dar-te um beijo. Muitos. Todos os que quiseres. Beijou-a na boca, na face, no pescoço. Embrenhou-se nos cabelos dela. Tomou-lhe as medidas da cinta. Encaixou-a em si. Era a Aurora. Era mesmo ela. Como? Onde esteve? Onde está agora? Onde está a Sofia? Desculpou-se com as horas para dela se distanciar e foi para a cozinha. A sua cozinha. Onde estava a suite do hotel, onde estava o mar, para lá da janela? Estaria a sonhar? Teria sonhado. Mesmo depois de ter beijado a Aurora, ainda sentia o gosto da boca da Sofia nos cantos da sua boca; ainda tinha nos dedos o cheiro dela. Como é possível? Onde está? Sonha; sonhou; sonha que sonhou; sonha que sonha? Não compreendia; era tudo tão real. A praia, a Sofia, a noite juntos. E agora a Aurora, o seu quarto, a sua cozinha… dava em doido. Que fazer agora que Aurora o chama? Já sabe: está a dormir. Se transformar o sonho em pesadelo, acorda. Mas já é um pesadelo. Sim, mas se o pesadelo for mesmo mau, ameaçando a sua vida, ele aí acorda mesmo. É isso! Corre para a janela; salta! Não. É demasiado baixa. Ok! Pega na faca de cozinha; corta os pulsos! Não isso demora e não mete assim tanto medo. Espeta-a no peito. Agarra-a com as duas mãos, estica os braços e olha aterrorizado para a lâmina afiada. É agora! Encolhe os braços e espeta a faca no coração ao mesmo tempo que Aurora entra na cozinha. Aurora grita ao vê-lo no chão, arfando a custo. Puxa os cabelos e pergunta-lhe porquê. Porque te mataste? Quer responder que achava que dormia, mas não pode porque está cada vez mais ocupado a arfar e a sentir o seu coração a verter o seu sangue. Deixa de ouvir os gritos de Aurora, é o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofia grita, berra perdidamente. Com as mãos ensanguentadas, tenta em vão pedir ajuda pelo telefone. Batem à porta da suite com insistência. Sofia, coberta de sangue tenta estancar o sangue que jorra do seu peito. Porque fizeste isto? Pergunta em desespero. Porque te mataste? Só então percebeu. Olhou incrédulo para o peito nu onde plantara a faca de mergulho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-4801774243036417603?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/4801774243036417603/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=4801774243036417603&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4801774243036417603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4801774243036417603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/12/na-praia-iii.html' title='Na praia III'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-7987983799597851166</id><published>2009-11-25T10:27:00.006Z</published><updated>2009-12-18T16:22:10.354Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>Na praia II</title><content type='html'>A lâmina estava gasta e abespinhava-lhe a pele. Raspava, raspava; arrancava mais do que cortava. Só lá para o terceiro corte, vendo o sangue pingar no lavatório, é que percebeu que não tinha que aturar aquilo, que tinha outras lâminas, novas em folha, guardadas na gaveta. Olhava-se ao espelho e via alguém que conhecia de vista. Não sentiu o álcool do aftershave atirado para o rosto senão como a campainha que toca na casa do vizinho de cima. Continuou absorto, distante, estranhamente desconfiado, até a ouvir vestir-se no quarto. Eram apenas sons desconexos, uma gaveta que batia, a porta do guarda fatos que rangia, a cruzeta atirada para a cama que caía em cima das outras, as meias subindo pelas pernas que rugiam suavemente. Meias; no verão? Acelerou-se o coração, esvaneceu-se o sono; limpou a cara, perfumou-se e vestiu a camisa. Camisa; como camisa, se estava de férias? Deu pouca importância à picuinha e dirigiu-se ao quarto. Ao vê-la, estarrecido, chamou-a surpreso: Aurora?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-7987983799597851166?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/7987983799597851166/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=7987983799597851166&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7987983799597851166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7987983799597851166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/11/na-praia-ii.html' title='Na praia II'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-1747486955829689205</id><published>2009-11-13T23:56:00.002Z</published><updated>2009-11-25T10:27:42.055Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>Na praia I</title><content type='html'>O sol estava quente, a tostar. Deitado na esteira, esticado, braços ao longo do corpo, ligeiramente arqueados e com as palmas das mãos voltadas para cima, nada mais sentia que calor invadindo-lhe o corpo. Gotinhas de suor corriam da testa em direcção às orelhas e nelas empoçavam. Acrescentando à sensação de forno, como se voltasse ao ventre da mãe, havia aquele clarão vermelho alaranjado que lhe inundava os olhos fechados. Seria uma tragédia não fosse estar assim por vontade própria, espraiado num areal de sonho, com palmeiras ao longe, espaço à sua volta, aves marinhas sobrevoando-o que se deixavam adivinhar pela sombra fugaz que lançavam sobre si. E seria uma tragédia porque, sobretudo, não aguentaria ali estar não fosse o vento que docemente o arrefecia, como uma mãe que nos sopra a testa febril. O vento, morno e suave, não se lhe opunha, antes temperava o sol. Saturados pelo calor e pela cor, os sentidos esmoreciam. Pouco ouvia, ou pouco ligava ao que ouvia. Chegavam-lhe aos ouvidos apenas ecos soltos: o murmúrio das ondas; fragmentos de conversas alegres de brincadeiras de crianças inexistentes, pios das aves marinhas ou os laivos de vento pincelados a espaços irregulares. Pouco via, senão o clarão vermelho alaranjado que cobria toda a abóbada celeste dos seus olhos. Pouco sentia, ou sentia apenas o calor intenso que o assava até ao ponto de caramelo. Estava feliz e em paz. Quando tal, o suor nas orelhas era tal que o obrigaria a mexer-se. Obrigaria, porque mesmo assim não se mexeu. Só quando se tornou verdadeiramente incómodo é que, muito a custo, se sentou na esteira cruzando as pernas à chinês. Ao abrir os olhos, só um poucochinho, deparou com ela, água pela cintura, mesmo em frente a si, acenando, chamando-o, encantando-o para si. De tudo o que sentia quando estava deitado, as palmeiras, as aves e as vozes, tudo se tinha esvaecido. Nem aves, nem palmeiras, nem nada. Via que falava, cantava talvez, mas não a ouvia. Um sibilar surdo chegava-lhe aos ouvidos, como um feitiço lançado com doçura, incerto entre se ouvia ou se imaginava que ouvia. Só o mar, e mesmo esse de modo sussurrante, dava conta de si na forma sonora. Todo o resto era exclusivo dos olhos. Com o corpo preso e lento, levantou-se da esteira. Penosamente a fitou, semi-cerrando os olhos e gritou: Sofia!&lt;div&gt;Ela não ouviu, ou se ouviu, não reagiu. Apenas acenava, chamava-o, encantando-o para si. Deu alguns passos para a frente e hesitou ao vê-la voltar-se para o mar. Sentindo-o em dúvida, tornou-lhe um sorriso e um aceno e mergulhou. Largou a passos decididos em direcção ao mar, que passaram a marcha e logo a corrida. Entrou triunfante no mar: dois passos curtos e um mergulho para a frente. Estavam frente-a-frente. Sofia sorria e chamou-o com os dedos. Aproximou-se dela e deixou-se apanhar pelos braços dela. Entrou nos seus lábios, no seu mundo e no seu sonho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-1747486955829689205?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/1747486955829689205/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=1747486955829689205&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1747486955829689205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1747486955829689205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/11/na-praia.html' title='Na praia I'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-1646655082143294149</id><published>2009-11-12T10:57:00.006Z</published><updated>2009-11-12T11:12:06.252Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>O Urso de Pelúcia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_panlI9IzDlo/SvvqWRj-DlI/AAAAAAAAAnw/pb9EyyE9f74/s1600-h/urso.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 237px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_panlI9IzDlo/SvvqWRj-DlI/AAAAAAAAAnw/pb9EyyE9f74/s400/urso.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5403169846353333842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;O Urso de Pelúcia vem em formato e-book&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Para o ler, basta fazer &lt;a href="http://www.lulu.com/content/e-book/o-urso-de-pel%C3%BAcia/7908839"&gt;download no sítio lulu.com&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Descansado: é gratuito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-1646655082143294149?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.lulu.com/content/e-book/o-urso-de-pelúcia/7908839' title='O Urso de Pelúcia'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/1646655082143294149/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=1646655082143294149&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1646655082143294149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1646655082143294149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/11/o-urso-de-pelucia.html' title='O Urso de Pelúcia'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_panlI9IzDlo/SvvqWRj-DlI/AAAAAAAAAnw/pb9EyyE9f74/s72-c/urso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-6017836083461130503</id><published>2009-10-26T15:38:00.000Z</published><updated>2009-10-26T15:39:55.545Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>No dia em que o artista morreu</title><content type='html'>Todos os dias conduzem à morte&lt;br /&gt;E todos os dias estendem a vida&lt;br /&gt;Prolongam-na para lá do expectável&lt;br /&gt;Arrastam-se penosamente iguais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se todos os dias são bons para morrer&lt;br /&gt;Então todos os dias são maus para viver&lt;br /&gt;Vivam todos os dias em que se vive&lt;br /&gt;Porque em qualquer outro se morre&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-6017836083461130503?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/6017836083461130503/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=6017836083461130503&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6017836083461130503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6017836083461130503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/10/no-dia-em-que-o-artista-morreu.html' title='No dia em que o artista morreu'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-1570915803481906929</id><published>2009-09-23T17:43:00.004+01:00</published><updated>2011-01-14T15:42:30.039Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'></title><content type='html'>Agora que aqui chegaste, que pedes para ti? Apenas aquilo que fiz por merecer. E isso é? A recompensa pelo sacrifício, pela dádiva, pela escusa ao fácil e ao cómodo. E fizeste tudo isso para..? Para tua glória e proveito, claro. Para mais nada? Também,  e sobretudo, para minha salvação. E foi isso que te danou. Danado, eu? Porque te esqueceste que o filho também é o pai; que o que abraça também castiga; porque todo o bem que fizeste foi em razão de um grande egoísmo. Estou então, danado. Sim, estás danado. Tem a certeza? Se tenho a certeza(?) que raio de pergunta é essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o destino do homem que se ajoelhou para tocar o céu. Que deu a vida por um deus e um tempo maior. Que trazia permanente, no gesto e no rosto, a glória dos dias vindouros. Há pois, aqui, uma profunda e derradeira mensagem para a vida. Ai daqueles que a descurem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-1570915803481906929?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/1570915803481906929/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=1570915803481906929&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1570915803481906929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1570915803481906929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/09/agora-que-aqui-chegaste-que-pedes-para.html' title=''/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-810687532636786663</id><published>2009-09-16T16:07:00.002+01:00</published><updated>2009-09-16T16:52:18.650+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>sem título</title><content type='html'>Amo este rio imensamente e não sei que fez ele para que o ame assim tanto. Quando o vejo, cruzando-o pela ponte, vindo do sul, ou pelo ar, vindo de longe, ele cintando as cidades, fico feliz e relaxado. Estou em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que nada se faz para se ser amado. É-se e pronto, amam-nos. Caso contrário, fosse necessário labor para se ser amado, que fiz eu então para ter o teu amor? Tal como o rio, que estava ali para ser amado, também eu subia a rua que tu descias. Tal como o rio, não me apercebi, e segui. Só mais tarde te vi como se todo o rio tivesse o teu reflexo. Como se tu fosses o rio. Rio que seguirei o resto dos meus dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-810687532636786663?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/810687532636786663/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=810687532636786663&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/810687532636786663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/810687532636786663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/09/sem-titulo.html' title='sem título'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-7478347050122317448</id><published>2009-09-15T23:32:00.001+01:00</published><updated>2009-09-15T23:33:55.735+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>O fim das férias</title><content type='html'>Sinto o cheiro da terra nas narinas&lt;br /&gt;Passa a tua alma dos olhos vitrinas&lt;br /&gt;Do tempo que fomos felizes à chuva&lt;br /&gt;Quando nossa boca sabia a pão e uva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na piscina caem sem parar gotinhas&lt;br /&gt;Memórias que já não são as minhas&lt;br /&gt;Caídas do tempo antes do despertar&lt;br /&gt;São histórias perdidas e por contar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz dourada que por ela se estende &lt;br /&gt;Chega à palmeira que quase não bebe&lt;br /&gt;Tanta prata ao alcançar da tua mão&lt;br /&gt;Ao preço saldado de uma constipação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem mergulhe mas não eu que sou&lt;br /&gt;Aquele que prostrado no cadeirão ficou&lt;br /&gt;Sonhando ter uma piscina para mim&lt;br /&gt;Enamorado das férias chegadas ao fim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-7478347050122317448?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/7478347050122317448/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=7478347050122317448&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7478347050122317448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7478347050122317448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/09/o-fim-das-ferias.html' title='O fim das férias'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-7519183145858323608</id><published>2009-09-04T22:19:00.002+01:00</published><updated>2009-09-05T18:13:21.887+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Este é o tempo comprido</title><content type='html'>Não dei por ter nascido&lt;br /&gt;Darei pela minha morte?&lt;br /&gt;Terei já morrido sem saber&lt;br /&gt;Ou estarei ainda por nascer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes vivo perdido&lt;br /&gt;Outras vivo de pulso forte&lt;br /&gt;Sem medo ou cuidado no porvir&lt;br /&gt;Vendo as horas dos dias a fugir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o tempo comprido&lt;br /&gt;Tempo de labor e de corte&lt;br /&gt;É o melhor que podemos ter&lt;br /&gt;Livre para beijar e aprender&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa um cão: Vai florido&lt;br /&gt;Cai o menino: Falta de sorte&lt;br /&gt;Hayden manda. Obedeço&lt;br /&gt;À felicidade dou grande apreço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durmo um sono comprido&lt;br /&gt;Sinto-me cheio de sorte&lt;br /&gt;Quero fugir para qualquer lugar&lt;br /&gt;Não importa onde se contigo ficar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misturam-se passado e futuro&lt;br /&gt;Num presente inacabado&lt;br /&gt;Ter nada é como ter tudo&lt;br /&gt;O estar feliz é alcançado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-7519183145858323608?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/7519183145858323608/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=7519183145858323608&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7519183145858323608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7519183145858323608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/09/nao-dei-por-ter-nascido.html' title='Este é o tempo comprido'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-8411801768409082382</id><published>2009-09-04T22:17:00.001+01:00</published><updated>2009-09-04T22:17:38.152+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>Lá vão</title><content type='html'>Lá vai o chorão&lt;br /&gt;Chorando não ter um tostão&lt;br /&gt;Lá vai o zangado&lt;br /&gt;Achando estar tudo errado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa rápido o azedo&lt;br /&gt;Porque tudo lhe mete medo&lt;br /&gt;Segue-o o moralista&lt;br /&gt;Colocado no topo da sua lista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fisga o mal intensionado&lt;br /&gt;Com que é preciso ter-se cuidado&lt;br /&gt;Afirma o sempre certo&lt;br /&gt;Nem sonha que nem está perto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ronca o mal humorado&lt;br /&gt;Sem ninguém a seu lado&lt;br /&gt;Vejo o sem vista&lt;br /&gt;Aparentado com o Batista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai de punho em riste&lt;br /&gt;De figura demasiado triste&lt;br /&gt;Atrás o esclarecido&lt;br /&gt;Para quem tudo está perdido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa o gozão&lt;br /&gt;Que não vale um tostão&lt;br /&gt;Acaba o falso&lt;br /&gt;Que acabará descalço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corre o stressado&lt;br /&gt;Corre para nenhum lado&lt;br /&gt;Observa o inteligente&lt;br /&gt;Desdenhando de toda a gente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai ali o descontente&lt;br /&gt;Não encara ninguém de frente&lt;br /&gt;Atrás o extremista&lt;br /&gt;Que deu em ser bombista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tapa-se o púdico&lt;br /&gt;De pensamento sempre fálico&lt;br /&gt;Berra o engraçado&lt;br /&gt;Que deixa todos entediado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha lá o bondoso&lt;br /&gt;Come a perna e dá o osso&lt;br /&gt;Curva-se o servil&lt;br /&gt;Fala manso mas pensa vil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraça-te o amigo&lt;br /&gt;Fode-te o cu a boca o úmbigo&lt;br /&gt;Presta-se o prestável&lt;br /&gt;Enganando de forma tão amável&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louvores palmas e preces&lt;br /&gt;Ao que parecendo é&lt;br /&gt;E morte a todos esses&lt;br /&gt;Que não se dão de pé&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva o assassino&lt;br /&gt;Aceita a vida como cassino&lt;br /&gt;Viva o ladrão&lt;br /&gt;Que nunca lhe falte o pão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bendito o indigente&lt;br /&gt;Não teme o que tem pela frente&lt;br /&gt;Ode ao pirómano&lt;br /&gt;Por ser muito mais que autómato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz do carnívoro&lt;br /&gt;Que não se passa por herbívoro&lt;br /&gt;Abençoado o brutal&lt;br /&gt;Que é sempre directo e frontal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue este mundo cor-de-rosa&lt;br /&gt;Por todos e ninguém apreciado&lt;br /&gt;A cor cantada em verso e prosa&lt;br /&gt;Não é mais que sangue deslavado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos tantos que sofrem calados&lt;br /&gt;Ou dos que se vão num estouro&lt;br /&gt;Não se chora pelos enforcados&lt;br /&gt;Pois foram pagos a peso de ouro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metal que mancha a mão&lt;br /&gt;É a riqueza que tiraniza&lt;br /&gt;E desmancha o que é irmão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem chora mais entroniza&lt;br /&gt;Mata e mirra o seu coração&lt;br /&gt;Não tem apenas o que precisa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-8411801768409082382?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/8411801768409082382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=8411801768409082382&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8411801768409082382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8411801768409082382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/09/la-vao.html' title='Lá vão'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-7221929493179455622</id><published>2009-08-26T16:25:00.001+01:00</published><updated>2009-08-26T16:26:50.325+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Dez mil candeeiros</title><content type='html'>Há dez mil candeeiros na tua rua&lt;br /&gt;E dez mil portas iguaizinhas à tua&lt;br /&gt;Dez mil vasos em soleiras poisados&lt;br /&gt;Oferecidos por dez mil namorados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma rua onde tudo é tão parecido&lt;br /&gt;Que parece um só canteiro florido&lt;br /&gt;E em cada casa uma rosa vermelha&lt;br /&gt;Que por amor revela sua centelha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez mil corações clamam seu amor&lt;br /&gt;Dez mil peitos projectam seu rubor&lt;br /&gt;Apenas um coração por mim chama&lt;br /&gt;Dos dez mil desponta o que me ama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu longe de ti preso na escuridão&lt;br /&gt;Guio-me para a tua rua pelo clarão&lt;br /&gt;Dos dez mil candeeiros enamorados&lt;br /&gt;Candente aos dez mil apaixonados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quando lá chego é tudo parecido&lt;br /&gt;Pelas dez mil casas não vou perdido&lt;br /&gt;Pois das dez mil centelhas da rua&lt;br /&gt;Nenhuma outra brilha como a tua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o doce perfume que de ti exala&lt;br /&gt;Que me guia sem razão ou fala&lt;br /&gt;É a tua centelha que sinto sem ver&lt;br /&gt;Que me conduz sem me perder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E chegado a ti logo me esqueço&lt;br /&gt;Da dor e da escuridão que mereço&lt;br /&gt;Do mundo do tempo me desligo&lt;br /&gt;Só contigo meu farol meu abrigo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-7221929493179455622?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/7221929493179455622/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=7221929493179455622&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7221929493179455622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7221929493179455622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/08/dez-mil-candeeiros.html' title='Dez mil candeeiros'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-4736044033449255992</id><published>2009-08-05T18:24:00.003+01:00</published><updated>2009-09-04T22:19:03.299+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>Tu fugiste e eu fiquei</title><content type='html'>Tu fugiste e eu fiquei&lt;br /&gt;No lugar onde te amei&lt;br /&gt;Parado te vi partir&lt;br /&gt;Descrente em te seguir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partiste de um amor&lt;br /&gt;Que perdeu o seu calor&lt;br /&gt;Deixaste um casco frio&lt;br /&gt;Meu corpo ficou vazio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que havia começado&lt;br /&gt;Num gosto a rebuçado&lt;br /&gt;Que lambíamos sorventes&lt;br /&gt;Com os lábios dormentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que era apimentado&lt;br /&gt;É amargo congelado&lt;br /&gt;Que foi doce sabor&lt;br /&gt;É agora pena e dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó que dia tão triste&lt;br /&gt;O dia em que fugiste&lt;br /&gt;Que tolo sem saber&lt;br /&gt;Sonhava em te perder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi sonho foi fantasia&lt;br /&gt;Sonhei que te perdia&lt;br /&gt;Vivi sonho acordado&lt;br /&gt;Sonho ter-te ao lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que sou contigo&lt;br /&gt;Um sonho de amigo&lt;br /&gt;Corpo que é só metade&lt;br /&gt;Rosto sem identidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fugiste que és eu&lt;br /&gt;E te dou o que é meu&lt;br /&gt;Tu te dás toda a mim&lt;br /&gt;Corpo unido sem fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma só alma que ama&lt;br /&gt;Um só corpo na cama&lt;br /&gt;Uma vida vivida a dois&lt;br /&gt;Que acabará. E depois?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-4736044033449255992?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/4736044033449255992/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=4736044033449255992&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4736044033449255992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4736044033449255992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/08/tu-fugiste-e-eu-fiquei.html' title='Tu fugiste e eu fiquei'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-4019975755643923658</id><published>2009-07-27T18:42:00.001+01:00</published><updated>2009-12-23T14:19:14.508Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Porque és tão mau para mim?</title><content type='html'>Disse Deus a Moisés:&lt;br /&gt;– Verás apenas a Terra Prometida, não a pisarás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moisés retorquir a medo:&lt;br /&gt;– Senhor, levei vida casta e devota a Ti. Porque me castigais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus, impacientado, responde secamente:&lt;br /&gt;– Pega lá nas três tábuas e, ao chegares junto do meu povo, logo o saberás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-4019975755643923658?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/4019975755643923658/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=4019975755643923658&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4019975755643923658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/4019975755643923658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/07/porque-es-tao-mau-para-mim.html' title='Porque és tão mau para mim?'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-8257620128152190729</id><published>2009-07-27T18:36:00.003+01:00</published><updated>2009-09-04T22:18:39.853+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Gostaria de começar pequeno</title><content type='html'>Gostaria de começar pequeno&lt;br /&gt;Um pirilampo em meda de feno&lt;br /&gt;Brilhozinho verde no escuro&lt;br /&gt;A esperança vagando no futuro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois crescia só um pouco&lt;br /&gt;O arregalar do olhar do louco&lt;br /&gt;A luz fortalecia e amarelava&lt;br /&gt;Deixando a meda iluminada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me agora com mais força&lt;br /&gt;Esboço pinotes qual ágil corça&lt;br /&gt;Não é pirilampo nem pequeno&lt;br /&gt;Vai na curva ascendente do seno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como todos tem figura de gente&lt;br /&gt;Mas nele há um brilho latente&lt;br /&gt;Que lhe escurece toda a figura&lt;br /&gt;E lhe rouba de vez a ternura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim não desiste ou vacila&lt;br /&gt;Prende a respiração e logo cintila&lt;br /&gt;Algo em mim começa a lampejar&lt;br /&gt;No corpo hirto em riste a flutuar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como carro engrenado fico instante&lt;br /&gt;Esperando o coice que me leve adiante&lt;br /&gt;É só a luz agora e não há mais figura&lt;br /&gt;Que se veja na luz perdida na negrura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois que tudo à volta é escuridão&lt;br /&gt;E faz o rebrilhar soar a traição&lt;br /&gt;Intrometem-se as mãos ao olhar&lt;br /&gt;Protege-se da luz que quer evitar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então que fujo para diante&lt;br /&gt;Impondo luz amor aterrorizante&lt;br /&gt;Solta-se a luz por todo o lado&lt;br /&gt;Sobra o pirilampo vazio e gelado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-8257620128152190729?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/8257620128152190729/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=8257620128152190729&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8257620128152190729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8257620128152190729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/07/gostaria-de-comecar-pequeno.html' title='Gostaria de começar pequeno'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-7977396400879045518</id><published>2009-06-03T17:29:00.002+01:00</published><updated>2009-07-31T10:50:47.448+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>Prejuízo do ego</title><content type='html'>Digo-o com prejuízo do ego&lt;br /&gt;Que me sinto um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cruzetado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Que me pareço com um prego&lt;br /&gt;Que de frente parece de lado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-7977396400879045518?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/7977396400879045518/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=7977396400879045518&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7977396400879045518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7977396400879045518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/06/prejuizo-do-ego.html' title='Prejuízo do ego'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-2291608798984472377</id><published>2009-06-02T12:10:00.003+01:00</published><updated>2009-10-15T11:38:04.524+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>É o sopro do teu corpo quente</title><content type='html'>É o sopro do teu corpo quente&lt;br /&gt;Que sossega a minha alma doente&lt;br /&gt;É o teu olhar límpido que me diz&lt;br /&gt;Que afinal é bom ser feliz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vontade de me perder&lt;br /&gt;No limbo da sedução&lt;br /&gt;Xutar indolência e beber&lt;br /&gt;Da vida com devassidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que desejo de esquecer&lt;br /&gt;O humano que há em mim&lt;br /&gt;Cortar-me de quem me quer&lt;br /&gt;Partir numa fuga sem fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta imensa frustração&lt;br /&gt;De saber que o que ouço&lt;br /&gt;Só existe na imaginação&lt;br /&gt;Deixa-me exausto e louco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz a vida saber a pouco&lt;br /&gt;Ouvir o que mais ninguém&lt;br /&gt;Ouve ou vê e mais só fico&lt;br /&gt;Com medo de contar a alguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vêm as vozes e puxam&lt;br /&gt;E rasgam em mil pedaços&lt;br /&gt;Mas vens tu costureirinha&lt;br /&gt;E bordas os estilhaços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do coração que estava&lt;br /&gt;Partido do amor perdido&lt;br /&gt;Que longe se julgava&lt;br /&gt;Do teu abraço estendido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero dar ouvidos&lt;br /&gt;Aos que me querem matar&lt;br /&gt;Quero abraçar os perdidos&lt;br /&gt;Que me farão descarrilar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero deixar a vida&lt;br /&gt;Antes e nunca depois&lt;br /&gt;De haver a vida vivida&lt;br /&gt;E não me ter a dois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque és tu e só tu&lt;br /&gt;Que de trilho faz avenida&lt;br /&gt;E levantas o jugo que eu&lt;br /&gt;Levo e que é a vida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-2291608798984472377?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/2291608798984472377/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=2291608798984472377&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/2291608798984472377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/2291608798984472377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/06/e-o-sopro-do-teu-corpo-quente.html' title='É o sopro do teu corpo quente'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-8642325760126642822</id><published>2009-06-02T11:11:00.001+01:00</published><updated>2009-06-02T12:49:41.458+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Complicado é ser simples</title><content type='html'>Complicado é ser simples&lt;br /&gt;Difícil é seguir a via fácil&lt;br /&gt;Eliminar o que é adereço&lt;br /&gt;Concentrar-se no óbvio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperar apenas amanhã&lt;br /&gt;Esperar sem parar hoje&lt;br /&gt;Esperar sem esperar&lt;br /&gt;Aguardar aguardando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tremenda a complicação de ser&lt;br /&gt;Um ser que se quer simples&lt;br /&gt;Ricamente despojado da riqueza&lt;br /&gt;Que empobrece a vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empurrado a mais ter&lt;br /&gt;Impelido a conseguir&lt;br /&gt;Tudo que houver e ser&lt;br /&gt;Infeliz a cada conquista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fulano morreu - Não somos nada&lt;br /&gt;Param as horas e pensamos nas&lt;br /&gt;Coisas simples que perdemos&lt;br /&gt;Para logo as atirar para trás&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque me puxam e empurram&lt;br /&gt;Em tantas direcções sem rumo&lt;br /&gt;Se há só um que quero seguir&lt;br /&gt;Mesmo à frente e inacessível&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque esperam de mim&lt;br /&gt;Que seja mais que quero&lt;br /&gt;Porque olham para mim&lt;br /&gt;E vêem mais que sou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quererei tão pouco?&lt;br /&gt;Serei tão amorfo?&lt;br /&gt;Ou é a preguiça que&lt;br /&gt;Me abraça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me vejo daqui a dez&lt;br /&gt;Anos senão como agora&lt;br /&gt;Este que sou e está&lt;br /&gt;E dez anos mais velho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-8642325760126642822?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/8642325760126642822/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=8642325760126642822&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8642325760126642822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8642325760126642822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/06/complicado-e-ser-simples.html' title='Complicado é ser simples'/><author><name>Pedro Azevedo</name><uri>https://profiles.google.com/108597433326798615385</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-R0qNl0QK2BM/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAC74/AzOmdcxpY6k/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-7371987640300767999</id><published>2009-03-16T12:17:00.003Z</published><updated>2009-03-23T16:02:48.900Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>A História devida - Antena 1</title><content type='html'>No dia 22 de Março, domingo, o programa &lt;a href="http://ahistoriadevida.blogs.sapo.pt/" target="_blank"&gt;A História devida&lt;/a&gt;, da Antena 1, passou, sem grande alarido, O prego.&lt;a href="http://mp3.rtp.pt/mp3/wavrss/at1/257724_42077-0903090912.mp3" target="_blank"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://mp3.rtp.pt/mp3/wavrss/at1/257724_42077-0903090912.mp3" target="_blank"&gt;Oiça aqui e baixe para o PC&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nota: Salta para a meia-hora de programa (logo após a canção do António Variações).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-7371987640300767999?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/7371987640300767999/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=7371987640300767999&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7371987640300767999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7371987640300767999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/03/historia-de-vida-antena-1.html' title='A História devida - Antena 1'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-5578391112451986457</id><published>2009-03-16T11:49:00.009Z</published><updated>2009-07-31T10:54:06.609+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Manual do Suicida'/><title type='text'>Lançamento do Manual do Suicida II</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_tu0NSlMimXo/Sb486QPuInI/AAAAAAAAAIQ/WL_9kzldhxg/s1600-h/IMG_0723.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px 0px 0px 0px; text-align:left;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 334px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_tu0NSlMimXo/Sb486QPuInI/AAAAAAAAAIQ/WL_9kzldhxg/s400/IMG_0723.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313751581834748530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É com o sentimento que reflecte a foto que agradeço a todos quantos estiveram comigo. Até ao próximo.&lt;br /&gt;p az.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-5578391112451986457?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/5578391112451986457/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=5578391112451986457&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/5578391112451986457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/5578391112451986457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/03/lancamento-do-manual-do-suicida-ii.html' title='Lançamento do Manual do Suicida II'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_tu0NSlMimXo/Sb486QPuInI/AAAAAAAAAIQ/WL_9kzldhxg/s72-c/IMG_0723.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-6548173590897302513</id><published>2009-03-09T20:32:00.006Z</published><updated>2009-12-18T14:23:49.627Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Manual do Suicida'/><title type='text'>Lançamento do Manual do Suicida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_tu0NSlMimXo/SbV-l-V8j5I/AAAAAAAAAII/AtAcNF1rtNw/s1600-h/convite-dl.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px 0px 0px 0px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 208px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_tu0NSlMimXo/SbV-l-V8j5I/AAAAAAAAAII/AtAcNF1rtNw/s400/convite-dl.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311290526408675218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Convite&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;edium editores&lt;/span&gt; convida-o a estar presente no lançamento do livro&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Manual do Suicida&lt;/span&gt;, de&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pedro Azevedo&lt;/span&gt;, no Sábado, dia&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;14 de Março&lt;/span&gt;, às 21h00, no bar&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Casa do Livro&lt;/span&gt;, Rua Galeria de Paris, 85 – Porto (aos Clérigos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentado por &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Marta Martins&lt;/span&gt;. Leituras de Vitória e João.&lt;br /&gt;Porto de honra por cortesia de Porto Ferreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contamos com a sua presença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-6548173590897302513?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/6548173590897302513/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=6548173590897302513&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6548173590897302513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6548173590897302513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/03/lancamento-do-manual-do-suicida.html' title='Lançamento do Manual do Suicida'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tu0NSlMimXo/SbV-l-V8j5I/AAAAAAAAAII/AtAcNF1rtNw/s72-c/convite-dl.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-3501617171218837168</id><published>2009-03-05T10:33:00.002Z</published><updated>2009-03-05T22:14:06.946Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>O boi</title><content type='html'>Aquela manhã era o prolongamento do sonho da noite. Mal tinha começado e já estava bem desperto e cheio de fome, atravessando os campos entre a minha casa e a casa dos meus avós, antecipando o pequeno almoço. Uma espessa névoa repousava sobre os campos, mística, densa, permitindo ao sol apenas uma réstia da sua grandeza, um começo humilde para, mais tarde, se tornar ingente. Das hortaliças pingavam gotas de água em camarinhas. A vinha, ao fundo, coberta de gotas, quase cintilava. Do lado oposto, os limoeiros e as laranjeiras tilintavam num gotejar incessante da água que se desprendia das folhas e caía no chão fresco ou rolava pelos frutos ao encontro de mais água. Onde a torrentezinha se adensava, pequenas poças se formavam, acolhendo gotas e mais gotas. Os meus passos chapinhavam pelo carreiro ensopado. Nada via para além de mim. Apenas adivinhava as hortaliças, a vinha ainda sem frutos, os limoeiros carregados à força de sábia paulada da mãe e as laranjeiras carregadas graças à poda do pai. Não tinha medo de ser o único menino do mundo; o único ser humano do mundo naquele momento. Estava habituado, e não era nada de mais um pequeno, numa pequena aldeia, só, num percurso pequeno, entre lares, antecipando o pequeno almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vos disse que estava nevoeiro? Estava. Era fechado e muito húmido, amplificando os sons do campo. As gotas que caiam aqui e ali, soavam a ferrinhos; o coro das lavadeiras, cantando e batendo a roupa nas pedras do rio, frenéticas para não perderem pitada do sol, assim que ele chegasse, vinha lá do longe e trazia-mas até mim; os pássaros chilreavam dentro da minha cabeça de modo a que não sabia onde pousava o pisco, onde se escondia o melro, de que pombal rufava a rola, de que alpendre chamava o canário; a dona Deolinda tinha aberto o cabril e seguia já com o rebanho que chocalhava monte acima, antecipando o pequeno almoço. E depois havia o arfar forte da mãe Terra que se sobrepunha a todos os outros sons e deixava-me inquieto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marchava feliz, tendo por horizontes mãos e pés. Pela frente, tinha apenas as lentes dos óculos, recamadas de gotículas, e para lá delas, a névoa. De repente um vulto. Enorme. Escuro. Arfante. Um boi. O boi do Manel maneta. Não o próprio sr. Manuel, homem mais rico da aldeia, que por obra de um raio-X manhoso se viu diminuído no físico e na dignidade, mas sim o mais temido dos seus animais, o Brazabu. Deu-lhe este nome o meu avô, homem duro de ouvido, que lhe pareceu ouvir, um dia, ao padre falar nas tentações feitas ao Salvador por Belzebu. E como, a juntar à surdez, dormia durante a missa, ficou-lhe o nome do Cão como sendo, Brazabu. Ora o boi do Manel maneta cedo na vida deu mostras de grande fereza, marrando nos irmãos e irmãs, correndo com tudo que mexesse. Foi um passo até ao baptismo. Pois era o boi, o bestial Brazabu que estava à minha frente. Bufando a condensação pelas ventas em jorros, como se fosse ele o criador de toda a névoa. Todo ele troava, terrento e terrífico. Pingavam gotas da argola pendendo do nariz, das orelhas caídas, dos cornos emproados. Batia com a mão no chão e sulcava a terra. Não via o gesto, apenas sentia o seu impacto, vindo do chão, a trepar por mim acima; estaquei. Fiquei quietinho, a olhar para ele. Eu era o único ser humano da terra. Só eu e o boi. A batalha, a existir, será épica, digna de ser cantada por poetas, pintada a ouro por artistas, demarcada do morredoiro por historiadores. Até então sabia-me imortal, desprendido do tempo, um menino num espaço sem início nem fim, num tempo sem antes nem depois. Nunca ninguém me morrera, nem um cão ou um gato por que tivesse mais apego; era um menino que brincava e pulava, que dormia e estudava, onde nada havia mudado no mundo desde o dia em que nasci. Na minha aldeia vivia-se com a morte, mas uma morte pelas nossas mãos, controlada. Somos deuses decidindo o destino dos bichos, jogando com a sua linhagem, cruzando plantas, favorecendo umas, ceifando outras. Mesmo pequenito, galinhas, patos e coelhos me tinham a vida penhorada, lesto que era traçando pescoços a golpes e a cacetadas certeiras com a soca da avó. Neste momento, sem o saber e talvez sonhando-o anos mais tarde, eramos Ápis contra Khnum, o Modelador, a Terra, a Natureza, contra a criatividade e o vigor humanos. Ficamos anos nos observando, irredutíveis. Ele bufando e batendo com a mão. Eu tremendo e cerrando os punhos. Ainda hoje me pergunto sobre o desfecho desta batalha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-3501617171218837168?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/3501617171218837168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=3501617171218837168&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/3501617171218837168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/3501617171218837168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/03/o-boi.html' title='O boi'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-1431569575918420412</id><published>2009-01-09T23:50:00.001Z</published><updated>2009-01-22T10:39:13.548Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>O prego</title><content type='html'>Durante algum tempo, conservei um prego. Um prego de galeota. Um prego para madeira  Um pouco maior que uma mão travessa. Um prego grande, para madeira. Usado na construção civil. Os trolhas, e demais artistas, da argamassa e do piropo, usam-no para suster cofragem, montar andaimes, fixar barrotes, improvisar bancos para o almoço, abrir a mine e para o mais que possa um prego ser chamado: vazar um pé; cravar-se num traseiro; furar o pneu ao mercedes do pato bravo; impressionar, pela negativa, a dona da obra, que acha que só com aqueles preguinhos não se vai segurar a moradia; servir de ponteira para riscar azulejos e tijoleiras e mais que não recordo, mas que, perguntando a um trolha, a um pedreiro ou a um servente, muitos outros usos lhe acharão. Já eu não lhe dava qualquer um desses usos. Tão pouco o usava para riscar coisas como carros ou vidros, não o usava para tirar o serôdio das orelhas ou a côdea das unhas. Conservava-o. Só isso. Andava com ele na mão, como que espetado, entre o médio e o anelar, cabeça assente na palma, ameaçador, diria agora; manipulava-o tipo ilusionista de proximidade, passando-o pelos dedos, atirando-o ao ar em número de voltas sucessivamente maior; levava-o no bolso das calças, para desgosto de minha mãe; metia-o no estojo da escola quando chegava a casa. Tirava-o juntamente com os lápis e canetas para estudar ou para fazer os trabalhos de casa, o que não é a mesma coisa, e no final voltava a guarda-lo juntamente com os mal amados instrumentos de estudo. O facto de andar com o prego na mão, ou para o efeito, andar simplesmente com um prego, suscitava reacções curiosas por parte dos colegas de turma e de catequese (Sim! Catequese. Para aí até aos dezassete anos). As mais interessantes eram aquelas que se voltavam para uma natureza ímpar do prego, quiçá mítica, em detrimento daquelas que focavam o sujeito que o ostentava. Dava-me imensa satisfação vê-los procurar singularidades num vulgar prego. Pegavam nele, davam-lhe voltas e mais voltas, perguntavam se tinha algo de especial ou diferente na sua produção, se era de prata ou tinha outra composição preciosa. Mas, quando respondia que era um prego vulgar, de vinte e cinco tostões a grosa, não satisfeitos perguntavam se tinha sido importante, ou mesmo vital em determinado momento da minha vida, se me tinha salvo de queda em altura, se resistiu quando outros falharam e evitou, sozinho, um desabamento. Respondia negativamente e, surpresos, perguntavam então porque diabo andava eu com ele. Respondia porque sim, que era um prego e isso bastava. E aí a chegava a hora. Especulavam, urdiam, gozavam, bisbilhotavam, apiedavam-se, revelando importantes traços de carácter. Nunca nenhum se deu conta que não era pelo prego, mas por eles. À falta de motivo por mim fornecido, inventavam histórias, situações, carências e demências. Houve uma rapariga que viu na cabeça do prego as minhas iniciais, outro fez um trabalho para português sobre o rapaz do prego, e muitos achavam que estava tolo ou que queria dar nas vistas. Provavelmente. Mas, o que me divertia, eram as histórias que corriam à conta do preguito. Os profs. também achavam que o prego servia para chamar à atenção, e servia. Para o prego e para quem dele, e do dono, falava; de lá para cá e não de cá para lá. Ainda hoje me intriga a comoção gerada pelo prego. Pediam para andar com ele ou ficar com o prego durante as aulas, roubavam-mo esperando que perdesse a calma. Deixava-os levar o prego e, passados alguns dias, lá aparecia, devolvido ou encontrado. Uma colega achava que o prego lhe dava sorte nos testes e espetava-o na carteira mesmo em frente a si. Outro, trouxe um prego igual para a escola. Os profs. estavam lá para debitar e facturar, estranhavam mas não ligavam nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca o disse, mas perdi o prego umas três ou quatro vezes. O primeiro prego, o original, estava lá para um canto da casa, ou então achei-o na rua, já lá vão quase trinta anos e não me lembro. Sei que quando o perdi, fui à drogaria da Corujeira e comprei uma manadinha deles. Como eram todos iguais, achavam que conservava o mesmo prego, o que elevava o objecto à condição de mascote, amuleto, muleta, arma de arremesso ou objecto de substituição. Os pregos, digo-o agora no plural, foram verdadeiros instrumentos de análise sociológica. Chaves para um melhor entendimento da condição humana, permitiu-me observar o observador, avaliar o que avalia, procurar compreender o que tenta entender ou o que apenas reage. Foi divertido, mas por vezes difícil. No grupo de catequese, a orientadora, coitada, achou que estava deprimido e doente. E com fúria cristã, congregou o grupo à minha volta para que não nos perdêssemos. Acho que se referia a mim e ao prego, o que era preocupante, vindo de uma professora primária. Tive que lhes explicar porque raio tinha o prego. Deitei-o pela janela, para um silvado, e ainda assim não me largavam. Achavam, achava a senhora, que o prego era uma dependência que tinham de combater por mim, ou apesar de mim, o seu amigo. Houve um, meu amigo sem eu o saber, que chegou a dormir debaixo da cama para que arrepiasse do caminho do prego. Outra, tão simpática, achava que era por devoção a Cristo que mantinha o prego, o martírio, tão próximo. Que maná sociológico. Não entendiam o prazer que tirava dos risinhos, das piadas, da incompreensão, da pena, da simpatia, do menosprezo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em finais de 2008, durante as arrumações sazonais, encontrei uns pregos numa caixa com quase 30 anos. Vou guarda-los para quando terminar o mestrado em antropologia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-1431569575918420412?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/1431569575918420412/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=1431569575918420412&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1431569575918420412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1431569575918420412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2009/01/o-prego.html' title='O prego'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-8542507378545390809</id><published>2008-10-20T15:49:00.004+01:00</published><updated>2008-10-20T16:08:56.698+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>Nós, Esses e Eles</title><content type='html'>Nós somos o que melhor tem a sociedade. Nós somos bons cidadãos, pagamos os impostos todos e cumprimos as demais obrigações. Nós somos gregários, bons vizinhos, respeitadores do meio ambiente e fraternos para com as outras culturas. Aplaudimos os golos dos adversários, congratulamos os governos que não ajudamos a eleger. Nós não vamos às putas, respeitamos os cônjuges e os nossos filhos são os mais limpos e educados. Juramos de mão no peito, mastigamos de boca fechada, não jogamos, pagamos as dívidas, honramos os compromissos. Nós cumprimos horários, nós cumprimos o código da estrada, o civil e o comercial. Nós democratizamos o mundo, nós humanizamos a barbárie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não somos como esses pretos que matam por um telemóvel e andam sempre agarrados à pila, ou como esses ciganos que nos roubam só de olhar para nós e conduzem como se a estrada fosse deles. Nem somos como esses romenos, vara de porcos, a cuspir para o chão, a mijar nos cantos e a meter medo aos nossos meninos. Nem somos como esses do leste, armados em doutores, mas que só servem para alombar nas obras e pedir com artimanha. Também não temos nada a ver com os chinocas, enfiados nas lojas o dia todo, a vender a merda que fazem na terra deles, sabe-se lá como. Nem como os monhés, a interromper as refeições com flores ranhosas e a porcaria igual à dos chineses. Nem como os espanhóis que querem tomar conta do nosso país, a começar pelo Alentejo e pelos centros comerciais. Nem como os americanos, cambada de imperialistas ignorantes que acham que as espinhas do peixe são plástico da embalagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem somos como eles: os que roubam; os que fazem as leis à sua maneira; os que empregam e desempregam como lhes dá na gana; os que estoiram a economia e ainda ganham dinheiro; os que mandam; os que mandam mandar; os que não trabalham e vivem no luxo. Os padrecos; os polícias; os ministros; os patrões; os gajos dos bancos; os funcionários públicos.&lt;br /&gt;Nós somos uns desgraçados, só nos fodem. A saúde é uma desgraça; as estradas estão um nojo; os das portagens só nos roubam; o estado só nos rouba; as farmácias só nos roubam; os hipermercados só nos roubam; os governantes só nos enganam; os advogados só nos tramam. Ao menos a televisão, porque isso sim, aí se vê o que é viver. Quem nos dera poder resolver os problemas à pistolada: um tiro no agiota da bolsa; empalamento para o pedófilo do jet-set; um pontapé no cu do primeiro ministro; uma machadada na cabeça do patrão milionário; uma bomba na sede de governo dos gringos. Era acabar com todos eles. Limpar a raça desses árabes, e levar também os judeus, filhos da puta que mataram jesus que só tinha amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós?, tão limpos, correctos e justos, perdidos neste mar de esses e de eles conspirando para acabar connosco? Iremos sucumbir a tamanha afronta? Onde está o nosso messias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a nós ninguém nos cala! Temos de ir para a rua, fazer barulho e enfrentar os polícias, os bastões e os canhões de água. Salvar o que é nosso. Dar o corpo e dar o sangue por nós e pelo que nós somos. Derrubar todos eles que nos querem tirar o que é nosso e acabar também com esses que os estão a ajudar. Temos de mostrar a esses e a eles que somos fortes, unidos, decididos e corajosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas só para a outra semana, porque no Domingo há futebol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-8542507378545390809?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/8542507378545390809/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=8542507378545390809&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8542507378545390809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/8542507378545390809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2008/10/ns-esses-e-eles.html' title='Nós, Esses e Eles'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-7895321042677793113</id><published>2008-06-13T17:00:00.003+01:00</published><updated>2008-06-15T12:47:33.553+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Pessoa</title><content type='html'>Vivesse, o que seria espantoso mas não impossível nem inédito, Fernando Pessoa celebraria o seu centésimo, vigésimo aniversário. Trinetos ou outros parentes mais lá para a ponta de um ramo familiar tivesse, que bem lhe quisessem, e teria uma festa de anos. Ao ser encomendado o bolo de aniversário, os bufos da ASAE certamente delatariam o facto e a zelosa entidade obrigaria, durante a canção de parabéns e até a última vela estar apagada, a presença de uma corporação de bombeiros e que o bolo estivesse debaixo de um sistema de exaustão de forma a não comprometer a qualidade do ar interior. Pessoa, com as forças que lhe restam, ri. Só perde o bom humor quando pede um jarro de tinto e recebe uma dupla negativa: a da peniqueira, perdão, auxiliar à terceira idade, do lar onde habita há mais de cinquenta anos e a do inspector da ASAE destacado para a celebração. À primeira, a peniqueira, Pessoa ladra entre dentes que tem cento e vinte anos e que se morrer com o tintol no goto será um regalo. Caso resolvido. A resposta à segunda nega é engolida e acatada por duas razões: primeira – Pessoa é do tempo em que um funcionário público, ainda que bosteiro, tinha poder de estado, e essas coisas dificilmente se esquecem. E a segunda – Caeiro vê ao fundo da mesa uma garrafa de porto com três rapazolas, na casa dos oitenta, no rótulo e nela encontra uma saída fácil para o seu problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grafomaniaco, enche-se rapidamente da festa e só pensa em escrever no seu computador. Como sempre teve uma letra de merda e a idade não a veio melhorar, o seu editor começou, há mais de vinte anos, a equipá-lo com computadores cada vez mais rápidos e cada vez mais pequenos. Pensou que seria altura de lhe dizer que não queria mais portáteis. Queria uma daquelas novas torres, feitas de alumínio, com teclado e rato &lt;span style="font-style:italic;"&gt;bluetooth&lt;/span&gt;, que pudesse ter numa mesinha de colo, e um écran de 30 polegadas para ver tudo do cadeirão onde passava boa parte do tempo. Abordado por um repórter sobre a forma como escrevia e como um(a) Pessoa da idade dele se dava com computadores, respondeu que agora gastava menos tinta, e que estranhou, de início, mas que agora tinha o computador entranhado e não pensava voltar à escrivaninha alta. «De resto», continuava, «quando não escrevo, passo horas a navegar a net. Posso rever todos os locais por onde passei, por muito distantes, no tempo ou no espaço, que se encontrem. Liberta este corpo maltratado do confinamento que a idade o sujeitou. E, antes que pergunte, digo-lhe que não foi difícil passar a usar o computador. Difícil seria se não pudesse escrever, intolerável até. Onde e como é irrelevante, contando que escreva».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi estas palavras do canto onde me escondia e pensei: E se este homem tivesse morrido novo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-7895321042677793113?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/7895321042677793113/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=7895321042677793113&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7895321042677793113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7895321042677793113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2008/06/pessoa.html' title='Pessoa'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-6278400360138316154</id><published>2008-06-12T11:55:00.001+01:00</published><updated>2008-06-15T12:38:15.945+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>O Daimon</title><content type='html'>– Porque é que escreves sobre suicídios?&lt;br /&gt;– Que coisa tão triste. Não percebo.&lt;br /&gt;– Dê a volta. Escreva sobre a vida.&lt;br /&gt;– Escreve sobre coisas alegres. Assim ficas deprimido.&lt;br /&gt;– Onde vais buscar essas ideias?&lt;br /&gt;– Vá lá. Escreva para os seus filhos…&lt;br /&gt;– Deixa esses pensamentos tristes que ninguém gosta de ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque haveria de deixar? Haverá razão para dar ao desprezo do ‘não tenho tempo para isso’ ou do ‘isso nem vale a pena perder tempo a pensar’, razão para dar ao desprezo o aperto no coração de uma mulher, imaginária como tantas outras, que perde a sua amada? Em que é menor a dor de se sentir desterrada, perdida num mundo frio? Em que é vão o percurso de uma bala em direcção ao cérebro? Não se trata de dar voz aos que escolheram cala-la; não se trata de exorcizar sombrios fantasmas interiores que ameaçam a vida visível; nem tão pouco encontrar razões para lutar contra ou a favor do mundo. É apenas o Daimon que me fala. Esse que nasceu comigo, que nasce com todos nós, que nos guia pela vida de forma plural e livre, se assim o ouvirmos e deixarmos que nos guie. É ele que nos dá as máscaras para sermos quem julgam sermos, é ele que nos faz enfrentar quem nós somos verdadeiramente. Só ele nos ensina a aceitar a multiplicidade de que somos feitos. Disse-me em tempos o meu Daimon que existe em mim, para além do fanático clubista, do trabalhador moderado, do pai e marido excelso (obrigado), do filho e do irmão e do amigo, disse-me que existe em mim um utópico, um pervertido, um crente, um inocente, um ladrão, uma mulher, um hipócrita, um poeta, um lamechas, um suicida. Disse-me depois que deveria dar voz a todos eles. &lt;br /&gt;– Eleva-te daquilo que aparentas ser. Esforça-te por seres mais do que os bichos ou a erva que eles comem, que também eles nascem, vivem e se reproduzem. Deixa leves marcas nos outros: sorrisos; temores; asco; lágrimas; desdém; pensamentos incómodos; pensamentos reconfortantes. Fá-lo por ti. Não o faças pelos outros, por próximos que sejam, nem pelos teus pais ou pelos teus filhos. Sê tu em tudo aquilo que és. Mostra-te para além daquilo que esperam de ti. Se te acham um terra-a-terra, mostra-te poeta; se te acham educado, manda-os à merda; te acham resignado, revolta-te; se te acham confiável, engana-os; se te acham sectário, faz-te imparcial; se te acham quezilento, revela-te pacífico; se te acham justo, mostra-te déspota. Assume a tua pluralidade. Congemina tramas em que és o mau da fita. Expressa a mais profunda dor por alguém que apenas roçou ao de leve a tua vida. Parte em busca do Santo-Graal. Relembra a inocência das histórias que a tua avó te contava. Imagina-te envolto em medos que não são teus. Cria mundos simples para os teus filhos.&lt;br /&gt;Põe tudo a preto-e-branco e depois mistura tudo. Dos cinzas, constrói mundos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-6278400360138316154?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/6278400360138316154/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=6278400360138316154&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6278400360138316154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6278400360138316154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2008/06/o-daimon.html' title='O Daimon'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-2198731938811396124</id><published>2008-06-06T15:00:00.001+01:00</published><updated>2008-06-07T13:02:36.005+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Nada como a dor</title><content type='html'>Estes humanos metem nojo no seu egoísmo galopante ao fazerem do medo da sua morte dor pela morte de outros humanos.&lt;br /&gt;Que coisa mais sobre apreciada a vida em toda a sua futilidade e apego ao vão de viver sob a ameaça da morte escondida.&lt;br /&gt;Felizes os vampiros que permanecem intocados não vivos perante a vida que se desmorona na inevitabilidade da morte dos vivos.&lt;br /&gt;Existência longa à não vida que é o que verdadeiramente existe pois que a vida não é mais do que efémera passagem de aspirações e sonhos inconcretizáveis.&lt;br /&gt;Eis-me vampiro puro não vivo repugnando os vivos e deles fazendo depender a minha existência e da vida deles extraindo o elixir que torna a eternidade tolerável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-2198731938811396124?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/2198731938811396124/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=2198731938811396124&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/2198731938811396124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/2198731938811396124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2008/06/nada-como-dor.html' title='Nada como a dor'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-6082071885413875707</id><published>2008-06-05T11:55:00.004+01:00</published><updated>2008-10-20T14:54:58.072+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>a luta</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;a carta que queria ter-lhe entregue&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e do mar que começou por ser manso chão&lt;br /&gt;enormíssima onda de tumultuo se alevanta&lt;br /&gt;vento feroz redemoinho cortante vagalhão&lt;br /&gt;que mesmo ao mais valente a força espanta&lt;br /&gt;talha o rumo varre o convés aperta o coração&lt;br /&gt;a vida suga e esmorece e a morte agiganta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ao leme o homem de frio e medo treme&lt;br /&gt;e seus braços de puxar não podem mais&lt;br /&gt;e a boca gretada e seca suplica e geme&lt;br /&gt;e o mar atira-lhe com todos os temporais&lt;br /&gt;e o homem seus dedos dormentes apreme&lt;br /&gt;e grita ao mar revolto: JAMAIS!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da terra a salvação também lhe é negada&lt;br /&gt;cães e lobos esperam-no cegos de raiva&lt;br /&gt;e afiam os dentes para o matar à chegada&lt;br /&gt;partem-se as tábuas e o convés s’esgaiva&lt;br /&gt;mostra-se o fim para que a’lma fique assustada&lt;br /&gt;somem-se faróis para que rumar não saiba&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este barco é minha vida e dele tenho emprego&lt;br /&gt;podes bufar e podes cuspir quanto susto há&lt;br /&gt;que nem que me torça e foda eu me entrego&lt;br /&gt;a vida que tenho é minha e não ta dou já&lt;br /&gt;do que sou e do que é meu eu não ablego&lt;br /&gt;porque grande é a vontade que neste corpo está&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por isso atira ventos e vagas lança mais&lt;br /&gt;mostra-te Deus a est’homem que eu&lt;br /&gt;grito ao mar revolto: JAMAIS!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-6082071885413875707?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/6082071885413875707/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=6082071885413875707&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6082071885413875707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6082071885413875707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2008/06/luta.html' title='a luta'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-2885549293278309151</id><published>2008-05-15T12:20:00.001+01:00</published><updated>2008-05-15T12:24:03.621+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>15.1</title><content type='html'>Vou amar-te de forma ingente&lt;br /&gt;No futuro e no presente&lt;br /&gt;Vou amar-te como sempre o fiz&lt;br /&gt;Dos pés à ponta do nariz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que a noite não tenha fim&lt;br /&gt;Mesmo que te tenha longe de mim&lt;br /&gt;Ainda que a luz do dia não chegue&lt;br /&gt;Mesmo que o escuro não despegue&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou dar todo o meu único corpo&lt;br /&gt;Ao teu dado todo único corpo&lt;br /&gt;E criar uma nova forma de vida&lt;br /&gt;Que pelos dois não pode ser contida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dessa nova vida que é o amor&lt;br /&gt;Nasce vida aos pares em flor&lt;br /&gt;Um menino de forma contida&lt;br /&gt;Uma menina de face florida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E novo amor cresce e contagia&lt;br /&gt;Multiplica-se alastra e procria&lt;br /&gt;Já não são 3 nem 4 mas 18&lt;br /&gt;Um canteiro de amor afoito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A felicidade de o ver irado zangado&lt;br /&gt;Com o que sabe que é feio e errado&lt;br /&gt;O bom de vê-la compreender o que se diz&lt;br /&gt;Num pequeno ser a perfeição do ser feliz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que fica então o amor original&lt;br /&gt;Será que tanto tempo lhe fez mal&lt;br /&gt;A trindade multiplicada e procriada&lt;br /&gt;Perder-se-á de tão fina e espraiada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca pois comunica o pensamento&lt;br /&gt;Nunca pois ampara qualquer lamento&lt;br /&gt;Jamais morrerá amor que é amizade&lt;br /&gt;Feito de carne e alimentado de verdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino uma ramada a que perdi o pé&lt;br /&gt;Sem saudades tolas do que já não é&lt;br /&gt;Pois hoje os sarmentos delicados&lt;br /&gt;Serão amanhã troncos enraizados&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-2885549293278309151?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/2885549293278309151/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=2885549293278309151&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/2885549293278309151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/2885549293278309151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2008/05/151.html' title='15.1'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-9150188953924568605</id><published>2008-05-12T15:53:00.000+01:00</published><updated>2008-05-12T15:54:02.046+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>O astronauta</title><content type='html'>Em 1969, os humanos, ou uma ínfima fracção destes, realizaram uma proeza que tenho por insuperável. Dando seguimento natural à sua impelente vontade, abandonaram as mais ou menos conhecidas paragens terrenas e partiram à conquista de novas fronteiras, fazendo pousar em segurança dois dos seus na superfície lunar. Observei a transmissão e fiquei estupefacto. Ver aqueles dois humanos, Armstrong e Aldrin, saltitando na lua como dois meninos desajeitados, guardando pó e pedras nos bolsos tal qual dois garotos do campo em visita de estudo à praia, fez-me curioso de experimentar as sensações vividas por tais senhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia, por ter visitado em tempos o centro espacial, que parte do treino para as caminhadas lunares era realizado em piscinas onde, dada a superior densidade da água, era possível simular com algum rigor a menor gravidade do satélite terrestre. Depois de empreender sobre a tarefa e muito planear, mandei costurar um fato espacial usando como modelo as imagens televisivas e fotos de revistas que comprei nos estados unidos. Fui específico na medida do possível, ao ponto de replicar os símbolos da missão, todos os fechos, dobras e pregas. Comprei inclusive o relógio oficial da missão, objecto que viria a revelar-se inútil, tanto aqui como, acho, na lua. O capacete colocou os maiores problemas. A costureira disse-se incapaz de fazer igual, o que compreendo, disse também que mesmo que usasse um capacete de piloto de competição, ela não o conseguiria tornar estanque. Apeteceu-me por-lhe fim à carreira e troca-la por um alfaiate, mas como levava o trabalho a meio, estava a ficar bonito e me fazia tão boas camisas, optei por me manter afastado do seu pescoço. Reflecti melhor e apercebi-me que o problema da estanquicidade seria ultrapassável de duas simples formas: primeira – aqueceria a água da piscina; segunda - não respiro há mais de um milénio. Concluído o fato, nele integradas as botas, luvas e capacete, se bem que de forma não estanque, vesti-o e atirei-me à água. Fui ao fundo, ainda toquei com a ponta das botas no chão da piscina, mas logo comecei a subir para ficar ali a boiar. Achei que havia muito ar dentro do fato e, para o retirar, abri um dos fechos e deixei entrar a água. Nada. Continuava uma rolha. Talvez necessitasse de lastro para me fazer descer. Saí da piscina e, ponderei sobre o que daria um bom lastro, que me afundasse sem me prender. Optei por duas donzelas, ou melhor, o que delas restava, que era tudo menos o sangue, e a vida, para me servirem de lastro. Com uma moça debaixo de cada um dos braços, saltei de pés para a piscina. Pior, desta feita nem toquei o fundo. Aparentemente o lastro era mais do que ineficaz, tinha até função contrária. Usando-as como flutuadores, compreendi a burrice da minha escolha; são mulheres, logo têm uma massa óssea menos densa, têm um índice superior de adiposidade e, ainda por cima, aliviei-as do seu sangue, o que nelas deveria valer aí uns três ou quatro quilogramas. Palerma; a trabalheira que tive para as meter lá dentro e a trabalheira que vou ter para as tirar. Amanhã continuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novo dia. Ainda não estou pronto para desistir das moças. Normalmente retiro-lhes a gordura, ao estilo lipo-aspiração e faço com ela um excelente sabonete que vendo às melhore perfumarias de Paris. É muito requisitado porque, ao contrário de outros, não seca a pele. O cabelo, se for forte, vai para perucas. Após cozinhar tudo muito bem e dar as carnes aos muitos animais que possuo, arranjo os esqueletos e vendo-os a faculdades de medicina ou quem deles retirar prazer da companhia.  Mas, e voltando atrás, se é peso que elas precisam, peso lhes darei. Enfiei cada uma numa armadura de cavaleiro medieval. Indumentária completa: camisa de linho grossa, cota de malha, armadura de latão, articulada dos pés à cabeça, elmo. Ficaram pesadas, bem pesadas, mas giras, muito brancas dentro dos elmos cobreados; alguns cabelos revoltos escapam-se da pela abertura para o rosto; as pálpebras escurecidas e os lábios roxos dão-lhes um ar que muito me agrada. Todos à água. Mergulhei e afundei rapidamente. Ficamos os três, muito parados no fundo da piscina. Vitória!, pensei. Revi então a transmissão televisiva e procurei imitar Armstrong pulando pela superfície lunar. Um pequeno impulso deveria chegar. Qual quê, nem saí do sítio. Saltei com mais força, nada. O raio das armaduras funcionaram demasiado bem. Se tinha inicialmente pecado por defeito, pequei agora por excesso que, no que toca a pecar, é igual. Tu, fica aí pousadita que já te ponho a seco. Tu, cavalitas do pai. Vamos lá, um pequeno passo para um vampiro, um salto gigantesco para o alegrar da existência eterna. E não é que funcionou? Atingi o equilíbrio e consegui simular na piscina do meu castelo a gravidade lunar, equivalente à sexta parte da terrestre. Com um pequeno saltou, um voo; com um passinho, um passeio. Só há um problema, que julgo à partida insuperável: a maior densidade da água impede-me de dar aqueles saltos para frente e os movimentos dos braços não são tão fluídos, terei de me conformar. Nota mental: para maior diversão pedirei à costureira que me faça uma grande mochila, onde possa enfiar a moça com a respectiva armadura, libertando-me os braços para melhor me movimentar cá por baixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-9150188953924568605?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/9150188953924568605/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=9150188953924568605&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/9150188953924568605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/9150188953924568605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2008/05/o-astronauta.html' title='O astronauta'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-5818144438680064378</id><published>2008-04-17T10:13:00.003+01:00</published><updated>2008-04-17T10:22:41.714+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>tu não és tu pois não? (os maus cristãos)</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;quem sou senão quem posso ser&lt;br /&gt;quem posso ser senão o que querem que eu seja&lt;br /&gt;que querem que eu seja senão o que todos são&lt;br /&gt;que todos são senão o que não são&lt;br /&gt;que não são senão o que queriam ser&lt;br /&gt;que queriam ser senão quem são&lt;br /&gt;quem são senão quem não são&lt;br /&gt;quem sou senão quem não sou&lt;br /&gt;q.e.d.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem é aquela de espinha torta&lt;br /&gt;que abaixa o olhar submisso&lt;br /&gt;mas lá fora é fria que corta&lt;br /&gt;divide fere e nem dá por isso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem é aquela tão bacoca&lt;br /&gt;que ampara o santo pão&lt;br /&gt;mas quando o leva à boca&lt;br /&gt;revela língua suave de vilão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem é aquela tão recatada&lt;br /&gt;que no olhar só traz candura&lt;br /&gt;mas no quarto acompanhada&lt;br /&gt;se profana vende e desfigura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem é aquele que é sorrisos&lt;br /&gt;dentes brancos e afectos&lt;br /&gt;mas que morde até aos sisos&lt;br /&gt;as costas e enche os rectos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem é aquele que é moral&lt;br /&gt;exemplo firme de rectidão&lt;br /&gt;mas que mente e diz mal&lt;br /&gt;de tudo e de todos podridão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem é aquela que trabalha&lt;br /&gt;passa as horas aqui metida&lt;br /&gt;mas as outras abrutalha&lt;br /&gt;levando a vida abscedida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem é aquele que tão bom&lt;br /&gt;faz da vida partilha capital&lt;br /&gt;mas que esconde no coraçom&lt;br /&gt;passado escuro e mortal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem é o gordo rosado senhor&lt;br /&gt;que enche o prato da esmola&lt;br /&gt;mas que de todos tem penhor&lt;br /&gt;e diz que mata e diz que esfola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem é o que conduz a função&lt;br /&gt;prega o amor divino e a virtude&lt;br /&gt;mas emprenha de empurrão&lt;br /&gt;a criadita mais pobre e rude&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem é o que bate no peito&lt;br /&gt;herói valente puro e paladino&lt;br /&gt;mas ao espelho não tem jeito&lt;br /&gt;pois vê apenas um cretino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem é aquela que ao colo&lt;br /&gt;traz os seus filhos pequenitos&lt;br /&gt;mas a outras fez grande dolo&lt;br /&gt;matando-lhes os pardalitos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem é o que proclama&lt;br /&gt;que a esposa é sua rainha&lt;br /&gt;mas longe deitado derrama&lt;br /&gt;o seu adn pela palhinha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;são estes os maus cristãos&lt;br /&gt;mas muitos outros haverão&lt;br /&gt;se têm o mundo nas mãos&lt;br /&gt;como inverter a situação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas&lt;br /&gt;quem poderá por bem dizer&lt;br /&gt;quem ali vai é mau cristão&lt;br /&gt;pois por que se arrepender&lt;br /&gt;cheio está nosso coração&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-5818144438680064378?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/5818144438680064378/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=5818144438680064378&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/5818144438680064378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/5818144438680064378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2008/04/tu-no-s-tu-pois-no-os-falsos-cristos.html' title='tu não és tu pois não? (os maus cristãos)'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-5945907488242223287</id><published>2008-04-07T15:06:00.001+01:00</published><updated>2008-04-07T15:09:34.336+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Esqueci</title><content type='html'>Quase já não me lembro do que era acreditar. O conforto de chamar por Deus; de pedir ajuda sem a desilusão da Sua indiferença; de agradecer por algo que podia ter corrido pior; de reconhecidamente me obrigar a pagar pela recompensa do meu esforço; de voluntariamente me diminuir perante o nunca visto e jamais percepcionado; de entregar o controlo das minhas acções a um indistinto crer; de consolar as mágoas na esperança de um avatar que sei nunca chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praticamente esqueci o calor das orações, o regozijo dos cânticos, o enlevo da hóstia colada ao céu da boca, a plenitude do jejum. Perdi para a bruma da memória os nomes dos santos, dos espíritos e das divindades. Como era bom cantar a Hanuman em tempos difíceis – Vitória à tua vibrante força –; que paz dava rezar a S. Cristóvão ao atravessar as negras florestas – Livrai-nos, S. Cristóvão, da morte súbita, imprevista, natural, desastrosa ou violenta –; que luz irradiava das grávidas ao queimarem incenso na base do altar de Taueret – Mãe-Hipopótamo protege o meu filho e protege-me a mim –; que serenas as palavras do Trovão antecipando a chegada do homem branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela vida vivi em comunhão com um Deus e com milhões de Deuses. A eles pedi conselhos, a eles agradeci. Em nome deles salvei, em nome deles matei. Por eles me superei, me castrei, me fiz melhor e mais forte, me tornei azedo e violento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora? Sem Deus a que rezar, sem Deus a que pedir consolo ou contas, como supero os dias iguais? Que motivos tenho para vencer os obstáculos da existência? Agora que não tenho Deus ou Deuses para me dirigir, porque estou aqui então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que ficou a imortalidade dos Deuses esquecidos? Ainda movem montanhas? Ainda inundam e destroem? Se já não ouvem preces, ainda existem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será possível que os Deuses morram?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-5945907488242223287?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/5945907488242223287/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=5945907488242223287&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/5945907488242223287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/5945907488242223287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2008/04/esqueci.html' title='Esqueci'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-1832674821477801593</id><published>2008-03-26T16:44:00.002Z</published><updated>2008-04-18T14:27:25.136+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Estibordo / Bombordo</title><content type='html'>…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutras alturas o mar bate empurrado pelo vento, estropia-se nas pedras, faz salpicos que o vento empurra para a praia. O sol ladrilha tudo de luz esbatendo o verde para os cantos do mar, para os fundos da vista, para a crista das ondas no momento em que estas se consomem pela própria força. Só posso adivinhar o verde, dizes-me tu. Há um petroleiro lá; pousado no ladrilhado de luz; subjugado por dois rebocadores; amansada fera do alto mar. Pudesse ver mais do que apenas a sua silhueta e veria uma alma quebrada, cheia de medo dos rochedos e das correntes costeiras, com vergonha das amarradas lançadas pelos rebocadores. Nem imagina que para ser bom no alto mar, não o pode ser junto à costa e que precisa de ajuda. Bastou um silêncio e um olhar e contaste-me tudo. Como tu Estibordo sabes que Bombordo já não é teu. Sabes que o perdeste mas ainda o queres para ti. E olha, dizes. Olha a pérola que juntos criamos. Que só juntos podemos manter. Mas ele já lá não está. Ainda é o teu Bombordo mas o seu rumo é outro. O mar agora é só sal. Entranhou-se na pele e faz doer. Já não é o sal que sentias ao canto da boca e dava alma aos beijos, já não é o sal que vos mantinha à tona. É o sal que faz sede, é o sal que matou. E o que é mar em cabriolas de cria, brisa fresca de sorvete, torpor sonoro de rebentação, é vaga que enjoa, sopro gelado, berro insuportável. E eu, vampiro que nunca amou senão a eternidade da sede, assisto à tua dor sem a perceber mas seguro da iniquidade da solução vizinha. Instalada a dor, perdido o rumo, qualquer remendo é a prazo. E se o prazo for a vida toda é porque as vontades voaram para longe, para lá da vida e de nada valem. Mas eis que passa uma gaivota e paira contra o vento, não luta contra ele, domina-o, adoça o seu revolutear para seu sustento. Mais duas se lhe juntam. Uma pousa e pia. Chama por ti, incita-te a voar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado algum tempo, sei lá quanto é preciso, o mar voltará a ser verde, o céu tornará a ser pintado por Cezanne, luminoso com nuvens auspiciosas e tu, pairando sobre as ondas do mar, serás novamente una.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-1832674821477801593?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/1832674821477801593/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=1832674821477801593&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1832674821477801593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1832674821477801593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2008/03/estibordo-bombordo.html' title='Estibordo / Bombordo'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-7175050166312649643</id><published>2008-03-03T12:47:00.001Z</published><updated>2008-03-03T12:49:39.788Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notas Soltas'/><title type='text'>Princesas e sapos</title><content type='html'>Da história importa lembrar que a princesa beijou o sapo e este se transformou num lindo príncipe. É sabido que viveram felizes para sempre na imaginação de crianças pequenas e crescidas e que este par mágico é ainda hoje o almejo secreto de muita princesa desiludida que não encontrou o seu príncipe porque o sapo que encontrou e beijou assim se manteve, ou o príncipe que desejou e beijou se transformou num sapo; e que este par mágico é ainda hoje o almejo secreto de muito sapo que já perdeu a esperança de se tornar num príncipe por acção piedosa ou caridosa de qualquer princesa, que os tempos, ao passarem, baixam os padrões e esbatem os limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a história não nos diz é que a princesa beijou o sapo sabendo que ele era príncipe. E como este permaneceu sapo e príncipe e dono e senhor, a princesa entregou o seu corpo, para que o sapo dele cuidasse, mas não o seu espírito, nem os seus filhos que não os queria sapinhos. Buscou noutros, plebeus mas belos como ela, a progenitura para os seus filhos, assegurando ao sapo sadia e helénica prole. São assim as princesas, capazes de enlevar sapos e plebeus, construtoras de reinos, oleiras que moldam linhagens, rainhas por entre os homens e os sapos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-7175050166312649643?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/7175050166312649643/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=7175050166312649643&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7175050166312649643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/7175050166312649643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2008/03/princesas-e-sapos.html' title='Princesas e sapos'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-432860567936809627</id><published>2007-11-22T10:33:00.002Z</published><updated>2008-05-05T14:34:31.283+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Os cães da minha vida</title><content type='html'>Há muitos anos, antes mesmo de me tornar vampiro, num tempo em que ainda vivia mas ainda não sabia o que era viver, ou estava então aprendendo a viver, passaram três cães pela minha existência. Os três animais foram contemporâneos, dois partilhavam o espaço em frente à minha casa e outro as traseiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ringo, o Respeitado&lt;/span&gt; (1/3)&lt;br /&gt;Ringo era um daqueles cães que faz lembrar qualquer coisa mas que não tem nada a haver. Parecia um doberman. Era preto como os doberman, tinha o focinho de cor creme como os doberman e as patas de igual cor como os doberman. Mas não tinha nada a haver com um doberman. Era apenas um rafeiro bem parecido, se calhar com alguma linhagem, talvez o fruto em primeira ou segunda geração do desvelo de um cão nobre com o devaneio de uma cadela plebeia; ou o inverso, no que toca a género. Nunca soube o que era ou se era sequer possível. Se teve avoengo fidalgo, dele herdou gosto para a modorra e garbo sem sentido. Só perdia a compostura para com o carteiro. Corria para ele e ladrava, atalhava-lhe o caminho e insultava-o em língua de cão pelo tempo que demorasse a ronda do profissional. Fora disso, que feitas as devidas análises, seria desporto, portava-se de forma absolutamente indolente. Ora dormia, ora apanhava sol; ora cheirava frincha de cadela, ora se punha nelas. Um lorde! As mães tinham-no em elevada estima, por ser amistoso e manter debaixo de olho os estranhos que cruzavam a zona, era, digamos assim, o cão do regime. Tendo aparentemente por único serviço dar alerta diário da chegada do carteiro que, consoante o dia do mês, traria reforma, ou baixa, ou remessa dalgum emigrado, ou a revista do Circulo de Leitores ou demais correspondência, tão monótona como a vida de quem a recebia. Em troca de magros préstimos, davam-lhe de comer os melhores restos; davam-lhe banho, à mangueirada, com sabão azul e branco ou, ó fartura, champô para a pulguisse e catarragem. Coça daqui, cata dali, não lhes escapava nada. Até lavavam os berlindes ao bicho, prerrogativa exclusiva daquele macho, que o de casa, lava-se-os ele. Já os putos não iam muito à bola com o Ringo. Desconfiavam do conluio com as mães. E ele, como não gostava de se mexer, rosnava aos miúdos que o puxavam para as brincadeiras. E estes, amedrontados, deixavam-no quedo a um canto como gostava. Envelheceu dignamente para um cão vadio. Teve funeral e ouve quem chorasse por ele e desse o seu nome a um cachorro, seu filho, mas sem história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fogo, o Aventureiro&lt;/span&gt; (2/3)&lt;br /&gt;O Fogo era, dos três cães, o único que tinha um verdadeiro dono, o Toninho, e ao mesmo tempo, era sem dúvida o mais livre de todos. Não que os outros vivessem presos ou levassem porrada, tivessem humilhantes obrigações como guardar um pedaço de chão ou ter de bajular alguém em troco de morfes. Nada disso. Regra geral, aos cães da rua, porque dos outros nem vale a pena falar, era dada a mesma liberdade que se dava aos miúdos daquele bairro. – Quando tiveres fome, aparece. O Fogo era especialmente livre porque o Toninho nada esperava do seu cão, nem sequer que respondesse aos chamamentos. Dizíamos que o cão era do Toninho e não o cão do Toninho, para além das razões óbvias, porque para tão livre e jovial criatura, as crianças entendiam haver a necessidade de uma figura tutelar para aquela personagem; talvez o mais sublime mimetismo este que colocava putos e bicho em igual plano. Daí que o relacionamento do Fogo com a canalha fosse de um entre iguais. Mas era um igual sacana. Se jogávamos ao aro, corria ao lado deste e nele se ensarilhava; se atirávamos o pião, abocanhava-os ainda em rodopio e fugia com eles; se brincássemos ao paulito, para flagelo dos poucos carros estacionados e vidraças das janelas, o raio do bicho roubava-nos o paulito do rego ou, caso o lançasse-mos, corria por ele e levava-o para longe. Mas também era bicho de se deixar montar pelos mais pequenos; de nos olhar como se nos fosse trinchar para logo pinchar à nossa volta em delírio brincalhão; de agarrar a ponta de uma corda e puxar-nos nos carros de rolamentos. Acho que toda aquela energia se devia não ao Fogo ser um cão particularmente forte ou bravo, o nome tinha a haver com o seu pelo claro e levantado, a lembrar labaredas, mas antes a um processo de selecção natural; se uns se dedicavam a rasgar calças e a atemorizar vizinhos, outros, ó felizes, cansavam-se em cópulas infindas. Ao Fogo sobravam os putos, fossem meninos ou meninas. E foi com os meninos e meninas que o Fogo encontrou a sua razão de viver. Só que o facto de ser um cão com pouca sorte nos amores, pois que sendo cão, logo mais sensato neste particular, nunca é só um ou mesmo um de cada vez, levava a erupções comportamentais inusitadas mas de todo inesperadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava o Zé Manel pronto para lançar paulito [Uma pausa para quem não conhece o jogo: o jogo do paulito consiste em lançar, com o auxílio de um pau maior, aí uns trinta e cinco centímetros, um pau menor, uns dez, por meio de o levantar de um rego cavado no chão e, uma vez no ar, acertar-lhe pancada seca que o leve o mais longe dali. Compete ao adversário correr para o pau pequeno e atira-lo de volta ao rego onde espera o lançador com o pau maior aprumado, tal e qual. A pontuação soma-se medindo em paus grandes ou pequenos, a distância entre o rego e o pau pequeno devolvido pelo adversário. Se este com a devolução acertar no pau maior, ganha a vez e o lançador não soma pontos]. Então, tinha ficado o Zé Manel a ponto de lançar o paulito. Sabe agora o leitor que para o fazer o Zé teria que se agachar significativamente, expondo parcialmente o traseiro alvo e rechonchudo. Fosse por o ver assim tão a jeito, fosse por o Zé Manel cheirar à cadelinha de açafate da mãe, o Fogo não se conteve e tratou de o montar. Agarrou o moço pela cinta para logo desensacar a grila. Vai daí começam os movimentos oscilatórios e começa o Zé Manel a esquivar-se e a dar-lhe atrapalhadamente com o pau enquanto gritava: – Ó Toninho olha o teu cão! Ó Toninho olha o teu cão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fiel, o Bandido&lt;/span&gt; (3/3)&lt;br /&gt;O Fiel era um cão grande, aí uns setenta centímetros no garrote. Tinha o pêlo claro, quase branco, pernas compridas e uma figura esguia. Focinho grande, de lábios vermelhos numa venta que bufava terror nos putos que tinham de cruzar o seu domínio a caminho da mercearia. Era absolutamente leal à sua dona e selvagem para os demais. Era verdadeiramente selvagem e selvático. Esfarrapador de calças, estripador de gatos, fazia do mais pacato cidadão um corredor, do velhote mais artrítico um velocista. Tirando a dona, só o Jerónimo, a quem as mães chamavam gatuno e insurrecto e que viria a dar razão aos augúrios, ou às sentenças, fazia farinha do Fiel. Mantinham uma relação de camaradagem acéfala, quase fraternal, que levava o Fiel a atacar furiosamente a um breve comando do Jerónimo, e Jerónimo, por seu lado, a interpor a sua tesa figura entre o cão e quem lhe erguesse um pau, jogasse uma pedra ou acenasse com patas de galinha temperadas com 605 Forte. Só não lhe pode valer no dia em que a dos ‘10 e mais um’ que, cega pela visão do gato estripado, o seu rico gatinho branco, tão vermelho agora, pendendo da boca do Fiel, chamou a rede, o canil, para o caçarem e, sem julgamento, o condenarem. Vieram os homens numa carrinha da câmara. A notícia rapidamente se espalhou e, das janelas e varandas, mães e miúdos, acomodavam-se para assistirem à caçada. O Jerónimo não estava, tinha ido gamar qualquer coisa, não sei, de forma que o Fiel estava por sua conta. Um dos funcionários pegou numa rede semelhante a um camaroeiro ou a uma rede de apanhar borboletas, salvaguardando as diferenças entre os bichos; borboletas, camarões e o cão. Foi-se a ele calmamente, demonstrando prática e confiança. Com a rede em baixo, aproximava-se passo a passo, olhos nos olhos. O Fiel, estupefacto com a audácia do humano, hesitou; e quando reagiu já tinha a rede enfiada até à base do pescoço. O homem prendeu-o firmemente, pressionava a rede para baixo e puxava o longo cabo de madeira para si, obrigando o Fiel a baixar a cabeça e a anichar as pernas. O povo suspirava perante a brevidade do espectáculo, esperavam mais daquele fora da lei do que três ou quatro estremeções e uma despedida sem glória. Mas eis que Fiel, apesar da falta de confiança geral, firme de si, arremeteu contra o funcionário, mordendo-o pela rede. O homem assustado com a inusitada perfídia, caiu largando a rede. A multidão nas bancadas rejubilava, os putos gritavam pelo Fiel, as mães sorriam e comentavam a má sorte do homem da câmara umas com as outras. Segundo acto! O perigo não tinha passado para o cão. Os homens deram-se conta do erro cometido ao subestimar o valente vilão. O que foi mordido coçava o antebraço, safou-o a ganga grossa, de 14 onças, do casaco. O outro foi à carrinha e tirou a rede, como as de pesca; era a guerra. Fizeram-se a ele e, com a ajuda de um Efialtes, encurralam-no num canto. Os homens retesavam a rede, faziam-na tremular à frente do cão que rosnava e fitava os dois. Das beiças arreganhadas pingava raiva, dos olhos raiados emanava ódio. Ouvia-se o cão bufar; rosnar; ladrar. As janelas e as varandas estavam em absoluto silêncio. Expectantes, mães e putos, fundiam-se com o cimento e com o tijolo. Era agora que caçavam o Fiel; era agora que o cão que todos amavam odiar seria deposto em favor de uma sucessão incerta; era agora. A rede aproxima-se, Fiel vacila; os homens mostram os dentes e há um brilho malévolo nos seus olhos, Fiel levanta o focinho em súplica. Dá-se o assalto final, os homens lançam-se contra Fiel atirando-lhe a rede. Jerónimo grita: Fiel! O cão salta, vence os homens, sobrevoa a rede, corre para a liberdade. Jerónimo corre para os homens, dá-lhes pancada. Dois homens feitos levam-nas boas do Jerónimo. Fiel recobra e ataca. Morde este e aquele, traça a rede, fá-la em fanicos. Jerónimo corre com os funcionários à chapada dali para fora. O povo exulta, bate palmas, dá vivas ao bandido e ao seu salvador, o delinquente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí para a frente, a vida de Fiel foi sempre a descer. De volta ao seu mau feitio, acabou os dias de trela curta e longa raiva. Um dia soltou-se e mordeu uma senhora. Desta vez vieram preparados, o Jerónimo estava preso, e levaram-no.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-432860567936809627?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/432860567936809627/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=432860567936809627&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/432860567936809627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/432860567936809627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2007/11/os-ces-da-minha-vida-13.html' title='Os cães da minha vida'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-854636605938274510</id><published>2007-10-18T11:15:00.000+01:00</published><updated>2007-10-18T11:17:47.588+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>O homem da sala das raridades</title><content type='html'>Lembro-me de uma fugaz passagem pela corte do Rei Sol. E desse tempo embrenhado em futilidade e maquinação como nunca antes havia visto, recordo um episódio de descoberta e espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corte de Luís XIV era, entre muitas outras coisas, abrangente. Nela podíamos encontrar toda a sorte de vilania e bajulação; nobres ricos e poderosos e nobres tão desgraçados como o bretão que lhes segurava o balde da urina não fosse o título herdado e que, vai lá saber porquê, lhe clareava a pele, exacerbando as veias azuis, o sangue azul, e o meu desejo de o sugar. Aliás, só me alimentava da nobreza. Encontrava nas donzelas alvas deleites raros na minha condição: apertava-as contra o meu corpo frio, voltava-as e espremia-lhes os seios pequenos, ou grandes. Acariciava-lhes o ventre, o rego do peito, as omoplatas e, perto do êxtase, cravava-lhes os dentes. Gemiam ao sentir a mordida para se arrepiarem e desesperam tarde de mais. Na corte do Rei havia também uma cornucópia de artistas, músicos, bailarinos, o pintor da moda, excêntricos comedores de fogo e engolidores de espadas, mulheres que se desarticulavam e se enfiavam em vasos e caixas minúsculas. Havia também médicos, físicos, alquimistas, cartomantes, poetas e toda a espécie de servos (todos o eram para o Rei) que mantinham a corte operante. Era os camareiros que dormiam aos pés das camas de quem cama tinha; era os cozinheiros que dormiam na cozinha; era os vallets que serviam onde fosse preciso e dormiam onde calhava; era os cocheiros e estrebeiros que dormiam confortáveis em camas de feno entre o calor dos animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além dos objectos humanos, a corte de Luís XIV contava ainda com uma imensa colecção de obras de arte, despojos de guerra, ofertas diplomáticas, bens confiscados a nobres caídos em desgraça, cobranças coercivas em género (geralmente de valor muito superior à dívida original) e tudo quanto que valesse a pena guardar. Entre esses objectos havia umas quantas maravilhas que, pela sua excentricidade de forma ou de propósito ou incerteza quanto ao seu valor, estavam guardadas numa sala à parte. Num salão perdido em Versalhes, com os cortinados corridos e o ar bafiento pela mijadela ocasional de um nobre do norte num dos cortinados, repousavam tesouros do irreal, do místico, do fabuloso, do folclórico, do raro, do longínquo. Como as vértebras fossilizadas de um saurópode gigantesco vindas China; também da China, um guerreiro em terracota reproduzido no mais ínfimo pormenor de fisionomia e indumentária; da Sardenha, um saco mágico que supostamente nunca se esvaziaria de nabos e que nunca ninguém se deu ao trabalho de voltar de boca para baixo; da India a cama de pregos de um faquir que não resistir à viagem até Paris; também de lá, uma estátua de um ser com corpo de mulher, seis braços e cabeça de elefante; de África, predadores empalhados e curiosos tambores de pele de animais, ornamentados de cores extravagantes; da Inglaterra os ossos disformes de um pobre coitado cujo contributo para o mundo foi nascer com elefantíase e disso perecer sem que se soubesse sequer o seu nome; do Douro português, garrafas de um vinho impossível de se produzir em qualquer outra parte do mundo; do Japão, biombos em bambu com retratos primorosos de encontros de civilizações; da Pérsia, um vaso com um líquido repelente e pegajoso que tinha a capacidade de arder e fazer arder quase tudo a que se colasse; da Terra Santa, um relicário em ouro, recamado de jóias, contendo uma lasca de madeira a que chamavam Santo Lenho; das selvas ameríndias, pássaros tão pequenos que diria tratar-se de insectos emplumados; do novo mundo, chapéus de penas, cocares, como alguém disse chamar-se, usados por selvagens muito guerreadores que, em batalha, não satisfeitos em retirar a vida ao adversário, ainda lhe arrancavam o cabelo com couro e tudo, exibindo-os como troféus em cirandas grotescas perante os seus pares e pendurando-os nas pontas das lanças e deixando-os à mercê do vento à porta das suas aldeias. E havia também um homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O facto de ser homem não lhe conferia naquela sala estatuto especial. Estava lá pousado, ora sentado nas vértebras do saurópode, ora deitado numa cama que improvisou às escondidas numa liteira que se dizia ter pertencido a Júlio César. Não raro era esquecido por completo e só muito moído pela fome se atrevia a jogar a cabeça para fora de uma das portas de serviço e mendigar alguma comida e um balde vazio. Foi numa dessas alturas que o vi. Andava à caça de sangue azul e ao vê-lo velho, tisnado desbotado e porco, nem me dei ao trabalho de pousar. Quis saber mais a seu respeito, mas a minha impaciência impediu a donzela de se alongar na história. Deitado na cama, contemplando o corpo inerte da fêmea, arrependi-me da minha voragem e prometi a mim mesmo duas coisas: mais contenção e respeito por quem está a meio de uma história e saber mais sobre o homem do salão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou por ser Luís, a quem eu mostrava os dentes entre sorrisos, e que ele, de tão estúpido e arrogante, não se apercebia que dificilmente estaria mais perto da morte sem que esta o levasse. Acabou por ser Luís, dizia, que me falou do homem convidando-me, grande honra, a visitar o seu salão do estranho. Mostrou-me tudo o que relatei e, para além dessas peças, mostrou-me um tapete que, segundo sua mãe, entrou voando pela janela do quarto onde se tinha dado o seu real nascimento, uma poção extraída do corno de um animal couraçado que revigorava o mais frouxo dos homens e uma peça de seda trazida do Oriente pelo próprio Marco Pólo. Havia ainda um baú com incenso donde se retirou o que ardeu no seu baptizado e que foi, fonte segura, oferecido primeiramente por um Rei antigo àquele que poucos anos mais tarde viria a morrer numa cruz de madeira. Cruz essa que, fonte segura, restava apenas a lasca guardada mais além. De saída, e porque se abeirou e cumprimentou com reverente vénia, notou Luís a presença do homem. Disse-lhe então que se levantasse e que mostrasse a razão porque estava ali. O homem afastou as roupas imundas do peito exibindo uma placa de ferro. Desatou as tiras de couro que a cingia ao corpo e levantou-a, expondo o seu coração palpitante. Era moço de estrebaria quando, num dia de azar, foi escouceado no peito por um cavalo. Ninguém explica como sobreviveu aos ferimentos, os ossos esmagados, a necrose, a remoção do tecido morto sem anestesia de forma séptica. Ninguém explica, senão como milagre do tal que tinha deixado ao Rei Sol o baú de incenso e a lasca da cruz, o facto daquele homem estar vivo com o coração exposto. Por isso estava ali, como a maior das raridades daquela sala, e eu, alheio à história dramática do homem, alheio ao próprio homem, estava fascinado. Comecei a contar as batidas e coloquei-lhe a mão sobre carótida. Estranhou a mão fria, e eu percebia que era o coração que lhe empurrava o sangue pelo corpo que era o coração o motor da vida daquele homem, de todos os homens e da minha também. Levei então a outra mão na direcção do seu coração e toquei-lhe ao de leve. Esperava uma reacção de dor ou, pelo menos, de desconforto. Como não reagiu, empurrei, levemente, o coração com os dedos. O homem, submisso, disse-me que, se quisesse, podia tocar-lhe o coração. – Mas estou com a minha mão no seu coração. Não sente? E agora, que lho aperto; que sente? – Nada, Senhoria. Não sinto nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-854636605938274510?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/854636605938274510/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=854636605938274510&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/854636605938274510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/854636605938274510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2007/10/o-homem-da-sala-das-raridades.html' title='O homem da sala das raridades'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-2512833969775679377</id><published>2007-09-19T10:42:00.000+01:00</published><updated>2007-10-18T11:18:55.707+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Como avaliar?</title><content type='html'>Tenho cada vez mais dificuldade em avaliar as acções dos humanos. Poderá a grandeza da tarefa ser medida em função exclusiva do mérito do agente? Poderá este agigantar-se apenas porque fez algo grandioso? Deverá julgar-se o agente pelo impacto que criou por via da acção que empreendeu? Onde está o valor, a bravura, o esforço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como será acolhida a promessa da fartura aos famintos? Que adesão terá a promessa de derrube dos poderosos perante os oprimidos? Que obstáculos encontrará o que incita a melhores condições de vida dos excluídos? Que valor terá o agente que impele os chaguentos a exigirem cura? Que quê a mais tem o pai que ama os filhos? Onde está a coragem do que trabalha e contribui? Que extraordinário há em mudar o mundo, quando este pede para ser mudado? Que glória há nos que dão aos que precisam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como separar o heroísmo do egoísmo?&lt;br /&gt; Como separar o sacrifício do egoísmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é afinal louco?&lt;br /&gt; Quem é afinal valoroso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-2512833969775679377?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/2512833969775679377/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=2512833969775679377&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/2512833969775679377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/2512833969775679377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2007/09/como-avaliar.html' title='Como avaliar?'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-6014663397075745618</id><published>2007-09-10T16:04:00.000+01:00</published><updated>2007-09-19T10:50:32.291+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>O homem de metal</title><content type='html'>Havia um homem que corria a cidade de Bíblia na mão. Era velho, sujo, desgrenhado, irascível com os transeuntes, falava alto e de forma inconveniente, cheirava mal quando, no inverno, a chuva lhe ensopava o corpo e cheirava mal quando, no verão, o sol lhe sobreaquecia a ossatura. Ninguém o queria por perto, as crianças e as mulheres, as menos afoitas, fugiam dele; as mais rijas e os homens mais machos ofereciam-lhe porrada; os mais maricôncios mudavam de passeio ou alargavam o passo para o despistar; eu, adorava-o. Por causa dele e porque tinha o péssimo hábito de se embebedar pela maré do chá e apagar a um canto durante a noite toda, obrigou-me a algo, que não me matando, não me agrada nada e que é andar por aí durante o dia. Seguia-o discretamente para que não estranhasse ele, nem estranhassem outros que tamanho vagabundo fosse alvo de cerrada perseguição. Por várias vezes tentei falar com ele na rua, sob esta ou aquela forma, para que não percebesse, mas só levava com acenos de Bíblia na cara e quantidades enormes de perdigotos e insultos. A sua mensagem, existisse alguma, não era clara. Certo dia, quase a desistir, arrisquei entrar com ele no 78, sentido Baixa, Castelo do Queijo e notei que a sua atitude mudara radicalmente. Sentava-se na cozinha, sobre o calor do motor do velho Leyland. Compunha o casaco roto, alisava a barba e o cabelo e abria a Bíblia. A dignidade na pose que apenas eu conseguia ver era, dentro do autocarro, exponenciada pela postura direita e serena do homem. Tal como um padre católico indiferente à existência ou inexistência de fieis durante a celebração da Eucaristia, ou do seu nível de atenção, o homem abria a Bíblia e lia do Velho Testamento: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar. Por que olhas para os que procedem aleivosamente, e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele? | E por que farias os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não têm quem os governe?” &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Habacuque I, 13-14&lt;/span&gt;. Perguntei-lhe por razão lia aquela passagem, aquela, mais uma das muitas em que os crentes desesperam e vacilam, se insurgem e protestam, gritam injustiça e exigem explicações? Que outra resposta teria ele, se tinha, diferente da resignação, da entrega ao intangível desígnio? Demorou na resposta; creio que se assustou, não com a pergunta, mas somente por haver alguém que lha fez. Foi talvez nesse momento que me apercebi da sua genuinidade. Era um pregador verdadeiro, um homem que tinha uma missão na sua vida. Indiferente a considerações éticas sobre os valores que propalava; absorto do retorno da sua mensagem; enlevado pelo som da sua voz e pela força da sua palavra; inerte perante os ataques, os trotes verbais e físicos a que se submetia. Não o incomodava a fome, a falta de higiene, a doença que se adivinhava na pele e nos olhos, nas mãos e no hálito; não o incomodava o corpo castigado. Disse então, para mim e para todos, que o Homem não é feito de carne e osso, apenas aparenta ser. O Homem é feito de metal e o seu interior é de fogo. Levantou-se, tocou a campainha e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurei-o sem parar para o encontrar três dias depois. Num prédio que nunca ganhou mais do ossos, estava o corpo biótico do homem de metal. Ratos haviam levado as roupas e as botas, deixando apenas trapo envolvendo farrapo. Estou certo que não se importou. Estava deitado sobre um monte pequeno de entulho, uma pietá destes dias dos humanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-6014663397075745618?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/6014663397075745618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=6014663397075745618&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6014663397075745618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/6014663397075745618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2007/09/o-homem-de-metal.html' title='O homem de metal'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-1676066695050327116</id><published>2007-09-07T14:34:00.000+01:00</published><updated>2007-09-13T22:17:34.092+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>A santa</title><content type='html'>Há uns anos, já não sei bem há quantos mas poucos, li num jornal que para os lados de Gondomar, Portugal, havia uma rapariga que não comia. Dizia o jornal: Jovem Gondomarense foi abençoada com aparição de Nossa Senhora há cinco anos, logo acamou e alimentando exclusivamente desde então de preces próprias e alheiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um ser antigo com um espírito vagante, pois apenas assim consigo manter-me em contacto com as sociedades dos humanos procurando delas as considerações vigentes sobre os valores humanos fundamentais, buscando, aprendendo, usufruindo. Este espírito humano que procuro captar, inquisitivo e insatisfeito, mas também preguiçoso e sub-reptício é, ao mesmo tempo, para mim, fonte abundante de aprendizagem e cornucópia de problemas. Foi munido de atitudes cientifica e turística, mas também de pé atras, que visitei a santinha. Ainda que falsa, a notícia da possibilidade de alguém que está há cinco anos sem comer, ainda que só beba, é de extraordinária importância para mim e para os que como eu dependem, ainda que de uma forma sublime, de um único alimento de um único animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não havia visitas à noite e uma estranha impaciência, rara em mim, única que me lembre, me impedia esperar pela época do ano em que os cristãos recriam nas suas vidas, com maior ou menor empenho, mas, e salvo as excepções, de forma teatrada, as agruras dos últimos dias daquele a chamam 0 Salvador, como não me vi capaz de esperar por tal ocasião, onde seria fácil juntar-me ao rol de fieis que entram e saem, e balbuciar com eles ladainhas imperceptíveis, cumprindo o papel que deles é aguardado sem propriamente saberem porquê, os que executam e os que observam, como não pude esperar, repito, nas horas favoráveis ao meu ser, as das noites escuras e arcanas, entrei no quarto da santinha sob forma espectral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De conluio com as sombras do quarto, quieto e silencioso como uma estátua cujo peito não ventila e coração não bate, pele não brilha e olhos não cintilam, observei a santa no seu sono. Os cabelos negros penteados de forma prática, estavam arrumados para o lado da almofada e para baixo, para lá do ombro esquerdo, perdidas as pontas entre lençóis. A luz indecisa da lamparina de azeite mortificava o rosto cinzelado da santinha. Não era um rosto branco, nem tinha aspecto de morto, ou doente que fosse. Mas também não era um rosto vivo. Parecia estar como eu, entre a vida e a não existência; para lá da vida e para cá da morte. Um abismo desenhava-se da base do queixo ao pescoço, este ligava ao peito em suave planura e perdia-se, com o cabelo a um lado, nos lençóis. Depois disso e para baixo, nada; a cama era lisa e aprumada como se tivesse sido feita de lavado; só no extremo oposto pés pequenos solevantavam a roupa. Imagino que o povo simples e devoto, perante tal ausência de formas, concluísse da absoluta magreza da Santinha atribuindo o facto de se manter viva à grande fé que a alimenta e à graça de Nossa Senhora que a mantém como relíquia viva, tributo ao poder dos escolhidos de Deus e lembrança pungente da necessidade do fiel assim se manter. Neste momento, a conjugação do rosto, frágil mas suave, com a aparente ausência de um corpo na cama, fascina-me e leva-me a alargar o espectro da minha análise ao resto do quarto. É um quarto como os outros, tirando a existência de duas portas em paredes opostas, um melhoramento feito à posteriori e que se entende por simples razões logísticas; os fieis entram por uma porta, benzem-se, rezam e benzem-se novamente, saindo depois pela outra, em direcção, imagino, a uma salinha onde se aceitam esmolas e se vendem recordações. Há também alguns quadros de santos, S. Brás protector dos animais, S.ta Apolónia protectora da boca e dentes e padroeira dos dentistas, S. Gonçalo protector dos marinheiros e pescadores e santo das doenças dos ossos, S. Libório protector da pedra, dos males de bexiga, e dos rins, se calhar padroeiro dos nefrologistas; maior, um retrato do sagrado coração de Jesus encima um aparador. Sobre a cabeceira da cama, na parede, está um grande crucifixo feito de sementes de eucalipto patinadas a castanho e envernizadas para maior durabilidade. Há uma cadeira aos pés da cama e na mesinha de cabeceira está uma foto da Santinha quando era apenas uma menina devota, ajoelhada, de olhinhos postos num altar imaginário, talvez pedindo perdão por pecados que não cometeu ou por brincadeiras que não sabia serem pecados; ao lado, apadrinha-a uma estatueta de Nossa Senhora, contemplativa e vigilante. Não havia espelhos, grandes ou pequenos; não havia roupa, nem roupeiro. Havia o aparador, modesto, duas gavetas, tampo em mármore branco, de Carrara, talvez o único luxo; terá sido uma prenda? Ao centro um crucifixo com uma lamparina de azeite aos pés, a tal luzinha trémula que dava conforto à Santa mas que a traía pois as sombras que cria por não ser suficientemente forte para encher o quarto de luz, acoitam-me; a mim, um vampiro sanguinário que escarnece Deus e apressa o caminho das almas, ou pelo menos assim acham que sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti passos, a santinha também; encostei-me ao canto mais escuro do quarto, aquele que até as aranhas recusam na hora de tecer a teia por saberem que nada vivo por lá passa, a santinha abriu os olhos e agarrou a barra do lençol; fechei os olhos que de alvos me denunciariam e passei a ver com a mente, a santinha esticou os braços acima da cabeça e contorceu-se num espreguiçar relaxante. Uma das portas abriu-se e uma mulher entrou. Sentiu o quarto frio (tenho destas coisas) e depois de pousar um tabuleiro com comida, voltou a sair. Voltou com um roupão que entregou à santinha. Ela afastou a roupa da cama revelando um colchão cavado ao jeito do seu corpo. Vestiu o roupão, puxou a cadeira para o aparador e dele afastou crucifixo e lamparina para o lado. A mãe entregou-lhe o tabuleiro e deu-lhe um beijo na testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fiz eu? Nada. Deixei-a comer, conversar com a mãe, usar o penico e regressar à cama. Ao sair, por entre as orações que murmurava desde que a mãe se despediu, disse baixo mas de forma a que a ouvisse: – Podes vir sempre que quiseres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-1676066695050327116?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/1676066695050327116/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=1676066695050327116&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1676066695050327116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/1676066695050327116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2007/09/santa.html' title='A santa'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5791934858869386833.post-621954503946139625</id><published>2007-07-05T21:05:00.001+01:00</published><updated>2007-09-19T10:51:04.797+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cartas do Vampiro'/><title type='text'>Infecção 1</title><content type='html'>Sempre fui um vampiro. Durante mais de 10 000 anos existi numa não vida, como um não ser. Era perfeito, era equilibrado, era belo na certeza das coisas eternas. Eras passaram por mim sem que desse conta ou sentisse sequer cansaço ou fastio. Renovaram-se, evoluíram, homens e demais bichos, moveram-se montanhas, secaram e encheram-se rios. Tudo perante mim surgia, por mim passava e por fim desaparecia. No ininterrupto ciclo da existência só eu permanecia. Sem ser um Deus, era mais do que um homem; tendo sido um homem, cumpri a aspiração destes, libertando-me das grilhetas do efémero. Já me tinha esquecido de como era sentir a vida; já se apagara o pulsar do sangue nas veias, da fome, do calor ou do frio, do chão duro sob os pés; já tinha abandonado o desejo de possuir; já tinha entregue a paixão de ser; já tinha perdido a memória dos filhos que vi nascer e criei. Era uno com o mundo, embora ele me temesse e amaldiçoasse. Não queria o mal dos homens, amava-os na condição de alimento, na certeza que sem a sua essência a minha se apagaria, contrariando, algo paradoxalmente, a minha eternidade. Sentia por eles o amor que sente a erva pelo sol, ou a zebra pela erva, ou o leão pela zebra; um amor apenas superado pelo amor próprio, e tão censurável como qualquer outro amor. Mas era o sangue, o sangue que me elevou à classe dos deuses, que desejo nos homens. E isso assutava-os, deixava-os à beira de um ataque de nervos. Confundia-os, sentirem-se um elo na cadeia alimentar, nada poderem fazer, senão encomendar-se ao criador, no momento em que lhes flectia ternamente o pescoço e lhes cravava os dentes, furando-lhes a pele quente, drenando-lhes a vida em ritmos acelerados de corações moribundos. Demónio! diziam os homenzinhos. Coitados! dizia eu ao vê-los achando-se somente efémeros receptáculos da minha perenidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem que longe das fraquezas humanas, estava longe de ser totalmente imune. Tinha diariamente um mais ou menos longo período de vulnerabilidade, altura em que os mais afoitos de entre o rebanho humano, não entendendo o seu lugar no ciclo vital e a pouca mossa que lhes causava nos números, tentavam pôr cobro ao que é eterno; fosse por meio de estacas cravadas no coração, fosse por balas de prata, fosse por, temor maior, exposição forçada aos raios solares. Como sou imune a fenómenos climáticos e viajo grandes distâncias sem esforço, montei dois quartéis generais longe dos habitates mais formigantes dos humanos e sobretudo longe daquelas cidades onde o bem-estar criou uma casta de homens com tempo para pensar na eternidade e que se julgam senhores do seu destino. O de inverno na Groenlândia e o de inverno, mas do sul, numas esquecidas ilhas na orla do mar antárctico. Seguro de ataques à falsa fé, tão característicos dos homens, mas longe deles, o contacto que com eles mantinha resumia~se ao estrito já és meu! ou, já és minha! e por aí ficava. Volta e meia lá levava alguém comigo para um dos refúgios para dele, ou dela, procurar entender como estavam a evoluir, que feitos haviam alcançado, em que ponto estava a sua tenacidade e vitalidade enquanto espécie. Em resumo, avaliava o calibre da caça. Lamentavelmente duravam pouco. O frio, o temor constante de serem abocanhados e a extrema solidão quebrava-os. Adoecendo, rapidamente definhavam e morriam. Experimentei levar um pequeno grupo para que se fizessem companhia e se confortassem mutuamente. Mas foi uma grande asneira, pois que juntos multiplicaram as forças e ardil. Tramaram enquanto dormia e tentaram matar-me. Tive de os chacinar a todos, sem excepção. E de forma tão brutal o fiz que deles nada aproveitei, nem gota. Olhando para trás, e poucas vezes o faço, compreendo que tomei uma atitude insensata e inútil; insensata porque desperdicei alimento e neguei dignidade à morte de vários seres humanos, pelos quais tenho desmedido respeito e afecto; inútil porque o castigo não cumpriu a sua função disciplinadora, matei-os a todos, nem de alerta ao resto da horde humana, ninguém soube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o inverno europeu, e se a temporada austral me foi de feição, reforçando minhas reservas energéticas, aventurava-me pelos países do sul, não pelo ameno clima ou pela qualidade da alimentação, que pouco vaira, mas por algo me fascinava, no pouco que havia de surpresa na minha existência, e que apenas sentia em Portugal – o romper do dia. Lá, no fim da madrugada, há minutos mágicos que valem bem milhares de quilómetros e risco de aniquilação. Aqueles momentos em que o sol se anuncia sem se manifestar são instantes de eternidade. Os pássaros voam e chilreiam incessantemente, a atmosfera é trespassada de frescura, os sistemas de rega automática silvam e lançam à brisa calma névoas que esvanecem delicadamente. O nevoeiro pousa aqui e ali, ora escondendo, ora mostrando as casas, as ruas. Até os objectos mais banais como uma papeleira de aço inox ganha, por estar coberta de orvalho, um estatuto de obra de arte, de objecto único. Sendo quem era, conseguia ver o abraço de morfeu envolvendo prédios inteiros, ruas inteiras; as persianas corridas; as luzes apagadas, as das casas e as das ruas, por razões de eficiência energética ou de incúria autárquica. O carros são raros e não fazem moça. Por muito populosas que sejam, as ruas estão calmas e entregues ao silêncio. O bater de asas de uma pomba soa como um trovão, o chamar de uma rola, como uma longínqua buzina de nevoeiro, o matutino varrer de uma escadaria de um prédio, como o despejar de um camião de brita. Os poucos que passam, passam ensonados a alheios. Até me cumprimentam, indiferentes à dupla benção em que estão envoltos, usufruir deste momento e sair dele com vida. Saciado, retribuo a saudação de forma comedida, procurando sempre esconder os dentes. Os poucos que passam parecem não perceber o tamanho da graça que os envolve; seja porque as razões que os fazem saltar da cama à hora que me deito sejam demasiado prosaicas para delas se abstraírem e contemplarem o momento, seja porque o sacrifício de acordar ainda está presente no corpo, seja por ser este cenário quotidiano e, inexplicavelmente digo eu, banal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi num desses momentos, mágico para mim, em que algo de humano em mim se reacendia e me baixava a guarda que a vi passar e a luz do seu olhar me infectou!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5791934858869386833-621954503946139625?l=vampirae.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vampirae.blogspot.com/feeds/621954503946139625/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5791934858869386833&amp;postID=621954503946139625&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/621954503946139625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5791934858869386833/posts/default/621954503946139625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vampirae.blogspot.com/2007/07/infeco-1.html' title='Infecção 1'/><author><name>p az</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
